Este empreendedor largou o Direito e a partir de João Pessoa construiu um império no mercado gastronômico

Crédito: Acervo Pessoal/Divulgação
Fundador e CEO da Home Sushi Home, Amauri Sales de Melo construiu um ecossistema de marcas que dialogam com diferentes momentos de consumo
O setor de food service no Brasil passa por uma transformação acelerada, impulsionada por novos hábitos de consumo e pela consolidação de modelos híbridos que combinam delivery, experiência presencial e franquias. Nesse cenário, escalar operações sem perder qualidade se tornou um dos principais desafios para empreendedores que buscam crescimento sustentável.
É nesse contexto que o empresário paraibano Amauri Sales de Melo tem ganhado destaque nacional. Fundador e CEO da Home Sushi Home, ele construiu um ecossistema de marcas que dialogam com diferentes momentos de consumo, reunindo operações como ManguShoyu, Mitt Sushi Bar e Sea Rooftop. O reconhecimento recente veio com a conquista, pelo quarto ano consecutivo, do Selo de Excelência em Franchising da Associação Brasileira de Franchising (ABF), uma das certificações mais relevantes do setor.
Da virada de chave à construção de um modelo escalável
A trajetória de Amauri não começou na gastronomia. Formado em Direito e com mestrado em Lisboa, ele decidiu migrar para o empreendedorismo após um momento crítico de gestão. “A decisão veio em setembro de 2017, após uma temporada de dois meses em São Paulo. Naquele período, a operação do Home Sushi Home atingiu, pela primeira vez, um faturamento de R$ 100 mil mensais. No entanto, por falhas de gestão, esse volume não se convertia em resultado financeiro. Foi a partir desse desalinhamento entre faturamento e lucro que decidi me dedicar integralmente ao empreendedorismo”, afirma Amauri Sales.
A partir dessa virada, o foco passou a ser a construção de um modelo replicável. A Home Sushi Home nasceu como dark kitchen e evoluiu para uma rede de franquias, enquanto outras marcas seguiram caminhos complementares. “No caso do ManguShoyu, a decisão de migrar para o presencial foi motivada por dois fatores principais. O primeiro, a mudança no comportamento do consumidor no pós-pandemia, com maior busca por experiências físicas, e desafios estruturais do delivery, como o alto custo das plataformas e a dependência de mão de obra especializada. Além disso, o produto em si influencia. O poke, por exemplo, tem uma operação mais simples e padronizável do que a culinária japonesa tradicional, o que facilita a transição. Já no caso da escalabilidade, foi fundamental estruturar processos, padronizar insumos e desenvolver um modelo que reduzisse variáveis operacionais nas unidades”, explica o empresário.
Arquitetura de marcas e estratégia de crescimento
Ao expandir o portfólio, o desafio passou a ser estruturar diferentes marcas sem gerar sobreposição. A solução foi organizar o negócio a partir de ocasiões de consumo. “A lógica não é separar públicos, mas sim momentos de consumo. As marcas dialogam com o mesmo perfil de cliente, porém em ocasiões diferentes. Isso evita canibalização e fortalece o ecossistema. Um exemplo prático é o Mitt Sushi Bar, que não opera no delivery justamente para não competir com a Home Sushi Home. Já o Sea Rooftop trabalha com uma proposta de experiência, focada em ambientação, coquetelaria e gastronomia ibérica contemporânea, ocupando outro espaço na jornada do cliente”, detalha Amauri Sales.
A gestão desse modelo exige controle rigoroso de indicadores. O foco está tanto na eficiência financeira quanto na experiência do consumidor. “O Custo de Mercadoria Vendida é, sem dúvida, o indicador mais sensível da operação e exige monitoramento constante, pois impacta diretamente a margem. Além dele, acompanhamos de perto o Net Promoter Score, que mede a satisfação e lealdade do cliente. Essa combinação entre indicadores financeiros e de experiência permite uma leitura mais completa do negócio, garantindo não apenas eficiência operacional, mas consistência na entrega ao consumidor”, afirma.
Padronização, cultura e leitura de mercado
Com operações em diferentes cidades e formatos, a padronização se torna essencial. O modelo adotado combina documentação detalhada, treinamentos estruturados e acompanhamento próximo dos franqueados. “Trabalhamos com uma base sólida de documentação e treinamento, que inclui manuais operacionais, videoaulas, tutoriais e procedimentos padronizados. No entanto, mais do que processos, existe um acompanhamento próximo junto aos franqueados. A cultura organizacional não pode ser apenas comunicada, ela precisa ser vivida na prática. Por isso, buscamos liderar pelo exemplo e garantir que os valores da marca estejam incorporados no dia a dia das equipes”, explica Amauri Sales.
João Pessoa tem funcionado como laboratório para validação de novos projetos, mas também revela os desafios do setor. Para o empresário, o espaço para inovação ainda é amplo, apesar da repetição de modelos no mercado. “Existe um espaço relevante para inovação, mas ainda vemos muitos negócios replicando modelos já saturados. As maiores oportunidades estão justamente em propostas que entreguem algo novo, seja em produto, experiência ou modelo de operação. No nosso caso, buscamos inovar desde o início, seja ao transformar a experiência de entrega da Home Sushi Home, ao posicionar o Mitt com padrão internacional acessível, ou ao trabalhar o ManguShoyu com foco em lifestyle e alimentação personalizada. Ainda há muito espaço para evoluir nesses três pilares”, conclui Amauri Sales.
Ao estruturar um ecossistema que combina eficiência operacional, posicionamento claro e leitura constante do mercado, Amauri Sales ilustra um movimento mais amplo no food service: crescer deixou de ser apenas expandir unidades e passou a exigir estratégia, consistência e capacidade de adaptação em um setor cada vez mais orientado por experiência.









