Reconhecer que a inteligência não nos torna imunes a erros de julgamento é o primeiro passo para tomar decisões melhores A sabedoria convencional sugere que pessoas inteligentes são imunes a erros de julgamento e vieses cognitivos. No entanto, Adam Grant, psicólogo da Wharton e autor de best-sellers, revela que as pessoas mais inteligentes são frequentemente as mais suscetíveis a cometer erros devido ao que ele chama de “viés de que não sou tendencioso”. Esse fenômeno foi destacado por Grant durante a conferência Brilliant Minds em Estocolmo, Suécia. O viés de que não sou tendencioso Conforme artigo da Inc., Grant explica que o “viés de que não sou tendencioso” é a crença de que outras pessoas têm preconceitos e vieses, mas que nós mesmos somos racionais e imunes a eles. “Quanto mais inteligente você é, maior é a sua pontuação em um teste de QI, mais provável é que você caia na armadilha de pensar que não é tendencioso,” afirma Grant. Isso significa que, paradoxalmente, as pessoas mais brilhantes são as piores em reconhecer suas próprias limitações. Essa ideia é apoiada por pesquisas anteriores, como o efeito Dunning-Kruger, que mostra que os menos competentes tendem a ser mais confiantes, enquanto os mais habilidosos são frequentemente atormentados pela dúvida. Grant e outros especialistas sugerem que aprender sobre vieses cognitivos deveria, em teoria, nos tornar mais humildes e conscientes de nossas próprias falhas, mas muitas vezes tem o efeito oposto, fazendo com que subestimemos nossas próprias vulnerabilidades. LEIA TAMBÉM 4 erros comuns que matam a produtividade Como recuperar sua reputação no trabalho após cometer um erro A solução: humildade e autoavaliação contínua Para combater esse tipo de excesso de confiança, Grant e outros especialistas recomendam adotar uma abordagem mais humilde e curiosa em relação ao próprio pensamento. Steven Pinker, acadêmico de Harvard, aconselha lembrar-se constantemente de que acertar é mais importante do que parecer certo. Além disso, Grant sugere que devemos tentar cultivar a abordagem intelectual dos cientistas, favorecendo a humildade em vez do orgulho e a curiosidade em vez da convicção. Isso envolve buscar ativamente maneiras pelas quais podemos estar errados, em vez de apenas confirmar nossas próprias crenças. Estratégias práticas para evitar o viés Outras técnicas incluem atribuir probabilidades às nossas convicções, como fazem os jogadores de pôquer profissionais, para evitar a autoconfiança excessiva que pode custar caro. Buscar feedback de colegas inteligentes para testar nossas ideias e começar cada dia perguntando “Em que provavelmente estarei errado hoje?” são práticas que podem ajudar a mitigar o viés de que não sou tendencioso. Em resumo, reconhecer que a inteligência não nos torna imunes a erros de julgamento é o primeiro passo para tomar decisões melhores. Adotar uma postura de humildade e autoavaliação contínua pode nos ajudar a evitar as armadilhas cognitivas que tantas vezes prejudicam até mesmo os mais brilhantes entre nós.