O financiamento à exportação de curto prazo -vencimento em até 360 dias- registrou crescimento expressivo neste semestre na comparação com o mesmo período do ano passado. Os bancos líderes falam em aumento de até 50% no total contratado, maior do que a elevação de cerca de 25% das exportações. A disponibilidade de linhas dos bancos internacionais cresceu, e muito, em relação ao primeiro semestre do ano passado, quando ainda havia falta de recursos. Hoje, há financiamento de sobra e as grandes empresas, com excesso de caixa, não precisam tomá-lo. Sem a possibilidade de ganhos com arbitragem – a captação de linhas à exportação para aplicar nos juros internos, em reais -, o grande exportador só fecha câmbio antecipadamente para aproveitar alguma alta no dólar. Por isso, os bancos perceberam que abril e maio foram meses especialmente fortes em contratação de câmbio. O dólar iniciou abril a R$ 2,89, subiu para R$ 2,967 no dia 29 e chegou a R$ 3,2140 no dia 20 de maio, o recorde do ano. Em maio, o BankBoston registrou aumento de até 43% na contratação de câmbio. Em abril, o Banco do Brasil registrou o recorde mensal histórico de contratação de câmbio – US$ 2,5 bilhões -, enquanto o recorde no total financiado – US$ 957 milhões – foi em março. Os exportadores venderam moeda antecipadamente e, dessa forma, contribuíram para trazer a cotação para baixo. O dólar fechou sexta-feira a R$ 3,111. “Quando o dólar sobe, chove exportador em busca de financiamento”, diz Luiz Yamasaki, superintendente-executivo do BankBoston. “Em abril, a cotação do dólar chegou ao nível que os economistas previram para o final do ano e os exportadores correram para fechar o câmbio”, afirma Carlos Catraio, diretor do Unibanco. “Nos momentos de maior volatilidade, fechar o câmbio na hora certa pode representar diferenças de mais de 9% nas receitas”, lembra Cristiana Pires, superintendente da área de comércio exterior e financiamento do Citibank. “Hoje, a taxa de câmbio é o fator de decisão na hora de tomar o financiamento”, afirma ela. “O fechamento de câmbio para exportação está totalmente vinculado à cotação do dólar. É baixa a demanda da grande empresa para capital de giro indexado ao dólar”, completa o diretor do Bradesco, José Guilherme Lembi de Faria. Segundo Yamasaki, muitas empresas ainda têm em caixa recursos para capital de giro recebidos da matriz na crise de captação externa do segundo semestre de 2002 e não precisam tomar linhas no mercado. Com a sobra de recursos, as taxas que as empresas maiores pagam no financiamento de 180 dias vão de 0,5 ponto percentual sobre a Libor, taxa interbancária de Londres, chegando a 0,3 ponto percentual para alguns bancos e empresas de primeiríssima linha. As pequenas empresas chegam a pagar prêmios de 10 pontos percentuais sobre a Libor. No Bradesco, um dos bancos líderes nesse mercado, o crescimento no total de câmbio contratado – inclui Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC), financiamento até 360 dias pré-embarque, e Adiantamento de Cambias Entregues (ACE), financiamento pós-embarque, além de câmbio à vista – neste ano até o dia 16 de junho foi de 49% na comparação com o mesmo período de 2003, chegando a US$ 8,9 bilhões. A participação dos ACCs e ACEs no total contratado caiu, passando de 62% do total no ano passado para cerca de 50% neste ano, por causa da liquidez das grandes exportadoras. A carteira de ACCs e ACEs do Bradesco chega a US$ 3 bilhões. No Banco do Brasil, o aumento no total de ACCs e ACEs contratados nos cinco primeiros meses do ano chegou a 38% na comparação com o mesmo período do ano passado, para US$ 4,77 bilhões. “O cenário favorável estimula a antecipação”, diz José Maria Rabelo, diretor de comércio exterior do Banco do Brasil. Já o total de câmbio contratado no BB (que, além dos ACCs e ACEs, inclui o câmbio à vista) chegou a US$ 6,726 bilhões nos cinco primeiros meses do ano, um aumento de 35% na comparação com os mesmos meses de 2003. No BB, a carteira de ACC e ACE é de US$ 2,5 bilhões, enquanto a carteira de pré-pagamento à exportação, financiamento de mais longo prazo, acima de 360 dias, passou de US$ 617 milhões em dezembro para US$ 827 milhões em maio. No Unibanco, o forte movimento de alta também se verificou. O câmbio contratado passou de US$ 1 bilhão ao mês no primeiro semestre de 2003 para US$ 1,3 bilhão neste ano. O volume total financiado passou de US$ 1 bilhão no acumulado em 2003 para US$ 1 bilhão no primeiro semestre deste ano. O BankBoston, que está ampliando seu foco no atendimento às empresas médias e pequenas, conseguiu fazer a carteira de ACCs e ACEs do banco crescer 33% de janeiro para cá, chegando aos US$ 300 milhões. “Queremos ajudar o nosso cliente a exportar e o financiamento de curto prazo é parte dessa estratégia”, afirma Yamasaki. Segundo Werner Arroyo, superintende do BankBoston, o exportador tem capacidade limitada de exportação e portanto de antecipação de câmbio e precisa administrar essa capacidade adequadamente para não perder dinheiro. No Citibank, a carteira de ACC e ACE dobrou no semestre, segundo garante Cristiana Pires. Ela não quis revelar números, mas afirmou que o Citi é mais focado em financiamento de longo prazo à exportação e no crédito à importação. “São atividades mais rentáveis”, afirma ela.