Após um congelamento na tabela durante o ano de 2014, a Caixa Econômica Federal deve reajustar as taxas de juros para aquisição da casa própria. O banco estatal concentra 75,6% do mercado imobiliário nacional. Apesar de ainda não ter divulgado de quanto será o reajuste nem a data precisa, a Caixa deixou os correspondentes imobiliários de sobreaviso. A mudança que deve valer a partir de fevereiro, vai atingir em cheio a produtividade da construção civil e sua cadeia produtiva — que inclui desde transportadoras até indústrias de cimento. Em entrevista à Folha de S. Paulo, o presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Claudio Bernardes defende que o reajuste é um 'processo inverso' da política inclusiva adotada anos atrás. Entretanto essa parece ser exatamente a ideia da nova equipe econômica do governo. Antes de tomar posse, o ministro da Fazenda Joaquim Levy já havia antecipado que pretendia diminuir o peso dos bancos estatais na economia e estimular o crédito privado. 'Isso dará um impulso extraordinário à economia', afirmou, em entrevista ao Valor Econômico. Os juros praticados pela Caixa funcionam como lastro do mercado, já que são historicamente os menores. A presença de bancos privados na concessão de linhas de crédito imobiliário é ínfima. Para imóveis de até R$ 750 mil, por exemplo, o banco cobra 10% de entrada e — até novembro — juros de 8,5%. Já a taxa básica estabelecida pelo Comitê de Política Econômica (Copom) aumentou de 10% para 11,5% ano passado. Apesar da mudança prevista, o banco garante que as taxas de crédito para habitação popular — incluindo as três faixas do Minha Casa Minha Vida — não serão alteradas. A conta deverá ficar mais cara sobretudo para aquisições de valor superior a R$ 750 mil, que são operadas fora do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) — portanto não contam com recursos da poupança. O esfriamento do mercado imobiliário em metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro — onde a alta especulativa do preço dos imóveis nos últimos anos foi fortemente criticada — gerou um encalhe de novas construções. O receio dos especialistas é que esse quadro piore com o aumento das taxas.