Se você ocupa uma posição de liderança, a pergunta não é se sua equipe está se comportando bem. É se você está dando o exemplo certo para que ela possa seguir É fácil identificar o colega difícil que chega fazendo barulho, interrompe conversas ou espalha mau humor. Mas, ao contrário do que muitos imaginam, os maiores focos de toxicidade no ambiente de trabalho não vêm dos pares — vêm da liderança. Uma pesquisa conduzida pelo Harris Poll revela um dado alarmante: 71% dos trabalhadores americanos já tiveram pelo menos um chefe tóxico, e 31% convivem com um agora mesmo. Isso significa que comportamentos prejudiciais vindos de líderes são muito mais comuns do que o admitido. E, apesar de muitos desses gestores exibirem uma postura profissional e segura, o poder formal da liderança frequentemente os induz a ultrapassar limites que eles próprios deveriam proteger. Quando o líder é o problema Liderar exige coerência. Espera-se que gestores sejam exemplo de postura ética, responsabilidade e maturidade emocional. No entanto, pesquisas mostram que muitos acabam usando a hierarquia como escudo — quebram regras, assumem condutas inadequadas ou ignoram o impacto que têm sobre a equipe. O grande risco é que esses deslizes corroem, dia após dia, a confiança. E confiança é a base de qualquer liderança sustentável. Quando o líder se permite comportamentos tóxicos, ainda que esporádicos, ele estabelece um precedente silencioso: se ele pode, todos podem. O resultado é a perda de credibilidade e o aumento da tensão no clima organizacional. Ver todos os stories 6 hábitos que sabotam seu crescimento O nordestino que ousou fazer o impossível O que está em jogo com a 'PEC da Blindagem' Uma verdade sobre suas assinaturas de streaming que você não vê Boninho, The Voice e a lição da reinvenção Os comportamentos mais comuns de chefes tóxicos Segundo a pesquisa do Harris Poll, estes são os deslizes mais frequentes entre líderes — e qualquer gestor deveria tratá-los como um espelho: Define expectativas irreais – 51% Se envolve demais no trabalho do time sem necessidade – 49% Favorece alguns membros da equipe de forma injusta – 49% Transmite a impressão de ser inacessível – 49% Não dá crédito aos colaboradores – 48% Toma para si as ideias dos outros – 45% Age de maneira não profissional – 45% Culpa terceiros para se proteger – 43% Discrimina colaboradores – 33% Mesmo quando praticados ocasionalmente, esses comportamentos criam um ambiente de insegurança psicológica. Profissionais deixam de trazer ideias, evitam conversas difíceis, se retraem e passam a trabalhar apenas para sobreviver — não para contribuir. O que isso significa para líderes de verdade Liderança não é um título; é um compromisso. E, como mostram especialistas em comportamento organizacional, líderes são observados o tempo todo. Cada atitude — um elogio não dado, uma regra quebrada, um favoritismo velado — comunica algo à equipe. É por isso que simplesmente reproduzir comportamentos vistos em outros líderes não é justificativa. Integridade é o que diferencia um gestor comum de um líder que inspira lealdade. Para quem está à frente de um time, essa lista deve funcionar como alerta: Você tem cobrado mais do que oferece? Tem se mostrado disponível? Tem dado crédito de forma justa? Tem assumido sua parte nos erros? Tem sido exemplo — mesmo quando ninguém está olhando? Liderança é sobre coerência e respeito No fim, o impacto de um líder tóxico vai muito além de momentos desagradáveis. Ele mina a segurança psicológica, reduz a motivação, aumenta a rotatividade e compromete a performance coletiva. O oposto também é verdadeiro: líderes que praticam coerência, humildade e transparência criam equipes fortes, comprometidas e mais inovadoras. Liderar bem não significa nunca errar. Significa reconhecer erros rapidamente, corrigir rumos e tratar as pessoas com justiça e respeito. A confiança é conquistada no detalhe — e perdida no detalhe. Se você ocupa uma posição de liderança, a pergunta não é se sua equipe está se comportando bem. É se você está dando o exemplo certo para que ela possa seguir.