Além de ser modelo e ator, Paulo Zulu, 43 anos, é dono da pousada Zululand, localizada na paradisíaca praia do Guarda do Embaú, a 40 km de Florianópolis (SC). No entanto, para conseguir o sucesso de seu empreendimento – com o qual pretende garantir sua aposentadoria – Zulu explica que é necessário enfrentar dificuldades e fazer um bom planejamento. Localizada em uma vila de pescadores, a pousada está em uma praia ideal para a prática de surfe, passeios de caiaque e de barco. Os visitantes podem andar pelas dunas, fazer caminhadas, trilhas e tomar banho de cachoeira. “O bom atendimento é importantíssimo, oferecer boa comida, uma excelente cama e um bom banho. O cliente tem que sentir que vale à pena sair do conforto da sua casa”, sugere Zulu. A diária da Zululand varia de R$ 180 a R$ 280. O cliente conta com massagens, parede de escalada, piscina, almoço artesanal – tudo inspirado no estilo de vida do dono, que ainda sai para pescar os peixes que serve no restaurante. Zulu explica que não escolheu a Guarda do Embaú aleatoriamente e, sim, porque sempre foi bem tratado na praia que conhece desde adolescente. “Quando voltei a vir para cá, tudo começou a dar certo na minha vida, consegui participar de novela na Globo… foi um lugar que já na primeira vez percebi uma energia diferenciada”. Determine o público que pretende atingir O primeiro passo que Paulo Zulu tomou quando decidiu abrir a Zululand foi determinar qual público pretendia atingir. No seu caso, foram as famílias – já que ele próprio cria seus dois filhos na pousada – e pessoas interessadas em ter estilo de vida mais natural, comendo frutos do mar e entrando em contato direto com a natureza, hábitos também adotados pelo modelo e ator. Já o segundo passo – o mais difícil, na opinião de Zulu – é juntar o dinheiro necessário para cobrir os custos da nova empresa. “Consegui o dinheiro modelando. Os custos não param. Não aconselho pedir empréstimos nem pagar em prestações. Sempre preferi comprar à vista, é melhor para o consumidor”, diz. De acordo com o consultor de empresas e professor das Faculdades Rio Branco, Cláudio Gonçalves, para abrir uma pousada são necessários entre R$ 200 e R$ 300 mil, dependendo do porte do empreendimento. Segundo ele, uma boa gestão é imprescindível para conseguir manter o negócio, tendo total controle sobre os estoques e sobre o pessoal contratado. Para Zulu, valeu à pena: “Já estamos no sexto ano, aguardando as recompensas que ainda estão por vir”, endossa. Segundo o consultor financeiro, além dos custos da pousada, o proprietário deve arcar com o plano de negócios, que custa de R$ 5 a R$ 15 mil. “O empresário pode contratar uma consultoria que faça um bom planejamento, que vai verificar se o projeto é viável. Se não for, é melhor perder o valor da consulta do que o investimento inteiro”, salienta. Especialize-se e conquiste fidelidade, afirma consultor Mas assim como as demais pousadas do País, o empreendimento de Paulo Zulu enfrenta o problema da sazonabilidade, ou seja, só recebe grandes quantidades de clientes no verão. Segundo o consultor financeiro Cláudio Gonçalves, a questão se agrava na região Sul, onde o inverno é mais rígido. “No Nordeste, o problema da sazonabilidade é muito menor, já que há sol e calor o ano inteiro”, afirma. Para fugir dessa situação, o consultor sugere a especialização, ou seja, focar a pousada em um tipo de público fiel, justamente o que Zulu está fazendo. “Pode ser pousada com um público interessado em produtos naturais, pousada para esportes radicais, uma mais sofisticada. O importante é se especializar e conseguir um público fiel”, afirma o consultor. Segundo Gonçalves, uma vez conquistado, esse tipo de cliente pode voltar em outras épocas do ano e indicar o estabelecimento para conhecidos. Apesar de admitir ser muito difícil administrar uma empresa, Zulu explica que a Zululand tem sucesso principalmente por causa da imagem de seu proprietário. “Uma vez fui no Domingão do Faustão e ele me pediu para falar da pousada. Esse tipo de mídia ajuda bastante, inclusive notícias em jornais e revistas”, afirma. Antes de decidir morar na Guarda do Embaú, Paulo Cezar Fahlbusch Pires, nome de batismo de Zulu, morava em São Paulo. Cresceu no Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca e, quando começou a ter sucesso na carreira de modelo, mudou-se para Paris, onde morou por quatro anos. Passou mais um ano em Nova York quando decidiu voltar para o Brasil. Ele explica que decidiu abrir a pousada para garantir o seu futuro ao lado da mulher, Cassiana Mallman. “Como modelo, eu não pagava INSS por ser autônomo. Então, para cuidar do meu futuro decidi abrir uma pousada que não fosse muito grande, fosse fácil de administrar. É um espaço para plantar, manter a vida do jeito que eu acredito, em contato com o verde. Quero que meus filhos cresçam vendo galinha, não na frente do videogame”, diz. No entanto, ele admite que não consegue viver apenas com o lucro da pousada. “Dá três meses de rendimento e três meses de empate, além de seis meses de prejuízo. Continuo trabalhando como modelo, não dá pra viver com a pousada”, declara. Mas Zulu afirma não ser ambicioso. Questionado se gostaria de abrir uma pousada em qualquer outro lugar do mundo, ele se esquiva. “Materialmente não desejo muita coisa, se desejasse não teria saído da Globo. Sei que daqui a pouco posso morrer. Quero usufruir da vida. Uma pousada e um barco de pesca são suficientes pra mim”.