Por que a inteligência artificial vai mudar a forma como executivos aprendem — e lideram

78% dos profissionais esperam que escolas e universidades os preparem para o uso de inteligência artificial (Foto: Freepik)
Personalização do aprendizado, decisões estratégicas em tempo real e uso intensivo de dados colocam a inteligência artificial no centro da educação executiva
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta para automatizar tarefas e passou a ocupar um papel central na formação de profissionais em todo o mundo. Na educação executiva, seu uso já vai muito além do ChatGPT ou Gemini: a IA está sendo usada para personalizar trilhas de aprendizado, simular cenários de negócios complexos e analisar dados em tempo real, acelerando o desenvolvimento de competências estratégicas e preparando líderes para decisões críticas em mercados cada vez mais orientados por dados.
Segundo a SKEMA Business School, escola global de negócios presente em sete países e referência na formação de líderes multiculturais, esse movimento representa uma mudança estrutural na forma de preparar profissionais para um mercado orientado por dados. Uma pesquisa recente conduzida realizada pela Opinionway em parceria com a SKEMA Business School, o Talent Barometer, mostra que 78% dos profissionais esperam que escolas e universidades os preparem para o uso dessas tecnologias, enquanto 60% acreditam que as empresas também têm responsabilidade nesse processo.
“A expectativa em torno da educação mudou radicalmente. As pessoas querem aprender com tecnologia e, principalmente, aprender sobre tecnologia – de forma aplicada ao mundo dos negócios”, afirma Gustavo Hoffmann, diretor da SKEMA Business School no Brasil.
Uma das aplicações mais transformadoras da inteligência artificial na educação executiva está na personalização das jornadas de aprendizado. Com base em dados sobre competências, objetivos e ritmo de evolução de cada aluno, plataformas baseadas em IA conseguem sugerir conteúdos sob medida e adaptar currículos às demandas específicas de cada trajetória profissional.
“Estamos saindo de um modelo padronizado de ensino para um formato dinâmico, centrado no indivíduo. A IA permite criar experiências de aprendizado que evoluem junto com o aluno e com o mercado, aumentando a relevância do que se aprende e acelerando a aplicação prática desse conhecimento”, explica Hoffmann.
Da teoria à prática: simulações e decisões estratégicas
O uso da IA também permite que estudantes enfrentem simulações de cenários empresariais complexos, que replicam situações reais como crises de mercado, disrupções tecnológicas ou mudanças regulatórias. Essas experiências colocam os alunos no papel de tomadores de decisão e os ajudam a desenvolver pensamento estratégico em ambientes incertos e de alta pressão.
“Em vez de apenas estudar casos passados, o aluno passa a vivenciar decisões críticas em tempo real e a receber feedback imediato, baseado em dados. Isso acelera a formação de competências que o mercado exige como análise estratégica, liderança adaptativa e visão sistêmica”, destaca Hoffmann.
Além disso, a inteligência artificial tem potencial para transformar instituições de ensino em plataformas de dados e inteligência de mercado, integrando aprendizado contínuo, análise de informações, redes profissionais e até aceleração de startups em um único ecossistema digital.
Para Hoffmann, esse movimento representa um ponto de inflexão para o ensino de negócios. “A educação deixa de ser linear e se transforma em um sistema vivo, onde dados e tecnologia se combinam para formar profissionais capazes de aplicar inteligência artificial na resolução de problemas reais e na criação de estratégias de alto impacto”, conclui.









