O reconhecimento mais duradouro é consequência do que você faz bem, não do título que você exibe Em alguns setores, o título do cargo realmente importa. Mas fora desses contextos muito específicos, cargos costumam ser subjetivos, inflados e, muitas vezes, arbitrários. Dinheiro, por outro lado, é objetivo. Em teoria, reflete o valor que você entrega. Ainda assim, um dado chama atenção: segundo um estudo publicado na Psychological Bulletin, 70% dos trabalhadores de escritório dizem preferir um título de cargo melhor a um aumento salarial. Em outras palavras, quase três em cada quatro pessoas optariam por mais status percebido em vez de mais dinheiro no bolso. Os próprios pesquisadores explicam o motivo. A maioria dos entrevistados acredita que as pessoas os julgam pelo título profissional. Não é difícil entender. Dizer 'especialista em armazenamento de dados' soa melhor do que 'arquivista', mesmo que a função seja a mesma. No estudo, inclusive, funcionários preferiram um novo título a um reajuste salarial. O problema é que títulos não pagam contas. Status percebido não cobre aluguel, não constrói reserva financeira e não garante autonomia real. Há profissionais com 'VP' no cartão de visitas que exercem funções operacionais e recebem como tal. O título pode impressionar por fora, mas não muda a substância do trabalho nem o impacto real da função. Ainda assim, o desejo por status consome energia. Os pesquisadores apontam que as pessoas monitoram constantemente como são vistas, escolhem ambientes que aumentem sua percepção de prestígio e reagem de forma intensa quando sentem sua posição ameaçada. Em termos práticos, isso significa tempo e atenção gastos tentando parecer importante, em vez de gerar valor de fato. Muitas decisões profissionais passam por esse filtro. Participar de um comitê só para constar no currículo. Aceitar um cargo com nome pomposo e pouca autonomia. Manter atividades que alimentam o ego, mas não trazem retorno real. O custo disso é alto: foco diluído, energia desperdiçada e progresso mais lento. O contraponto está em trocar títulos por ações. Não é o rótulo que define quem você é, mas o que você efetivamente faz. Escrever livros é diferente de 'ser autor'. Fazer palestras é diferente de 'ser influenciador'. Construir renda e autonomia é diferente de ostentar um cargo. Existe um tipo de status que vale a pena buscar: aquele que melhora a vida de verdade. Autonomia, liberdade de escolha, capacidade de decidir como e com quem trabalhar. Nesse sentido, algumas definições são mais honestas quando descrevem o fazer, não o cargo. No fim, status que só vive na percepção dos outros não alimenta ninguém. Não sustenta, não protege e não constrói relações reais. O reconhecimento mais duradouro é consequência do que você faz bem, não do título que você exibe.