Negócios sustentáveis não se constroem apenas com boas ideias ou contratos sofisticados. Eles se constroem com pessoas certas Jim Montgomery, ex-CEO e presidente do Great Western Bank, costumava repetir uma frase simples e definitiva: 'Não existe jeito certo de fazer a coisa errada'. Warren Buffett levou a ideia um passo além ao afirmar: 'Você não faz um bom negócio com uma pessoa ruim'. As duas frases apontam para a mesma verdade incômoda: acordos firmados sem integridade quase sempre terminam mal, independentemente dos números envolvidos. Buffett construiu sua reputação como um dos maiores investidores de valor da história. Mas talvez o ativo mais valioso que ele tenha acumulado não esteja em balanços ou portfólios. Está na confiança. Com o passar do tempo, fica cada vez mais evidente que confiança não é um elemento acessório dos negócios. Ela é a base sobre a qual relações duradouras são construídas. Ainda assim, confiança segue subestimada no mundo corporativo. Muitos líderes priorizam fechar negócios, bater metas e expandir rapidamente, sem dar a devida atenção a quem está do outro lado da mesa. Esse é um erro caro. Pessoas sem integridade colocam tudo em risco Quem não tem caráter diz o que for preciso para fechar um acordo. Promessas vazias, informações distorcidas e meias-verdades fazem parte do repertório. Entrar em sociedade com alguém assim é aceitar um risco estrutural, não pontual. Não se trata de 'se' o problema vai surgir, mas de 'quando'. Contratos não consertam desonestidade Existe uma crença perigosa de que um contrato bem redigido protege contra qualquer tipo de comportamento inadequado. Não protege. Um documento jurídico não transforma alguém desonesto em confiável. Pessoas sem integridade encontram brechas, distorcem interpretações ou simplesmente descumprem o combinado. Às vezes, cumprem a letra do contrato e violam completamente seu espírito, deixando a outra parte em desvantagem. Os números não contam a história inteira Indicadores financeiros importam, mas perdem sentido quando quem os apresenta não tem caráter. Casos como Enron e Arthur Andersen mostram como números podem ser manipulados para parecerem sólidos. Contabilidade é interpretação, contexto e julgamento. Por isso, olhar os números é essencial. Olhar as pessoas por trás deles é ainda mais. Trate confiança como um ativo estratégico Construir relações sólidas exige tempo. Pressa é inimiga da confiança. Antes de fechar acordos, conheça melhor as pessoas, observe padrões de comportamento, avalie consistência entre discurso e ação. Cumprir compromissos, inclusive quando isso não favorece você no curto prazo, constrói reputação. E reputação atrai parceiros que pensam da mesma forma. Confiança se consolida na repetição de atitudes corretas, não em gestos pontuais. Lealdade gera lealdade. Consistência cria relações previsíveis, seguras e produtivas. Aplique esse princípio a todas as relações Isso vale para escolher sócios, clientes, líderes, colaboradores e até conselheiros informais. Pessoas confiáveis honram compromissos, assumem responsabilidades e mantêm coerência ao longo do tempo. Em alguns casos raros, pode parecer inevitável lidar com alguém de caráter duvidoso. Se isso acontecer, redobre a cautela. Mas, sempre que possível, caminhar para longe dessas pessoas costuma ser a decisão mais inteligente no longo prazo. Negócios sustentáveis não se constroem apenas com boas ideias ou contratos sofisticados. Eles se constroem com pessoas certas. E caráter, no fim das contas, continua sendo o melhor filtro de risco que existe.