PSA Palestras transforma curadoria de especialistas em negócio de mais de R$ 100 milhões

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Fundada por Márcio Spagnolo, a empresa cresceu apostando em curadoria, tecnologia e desenvolvimento humano para se consolidar entre as principais do setor no Brasil.
A PSA Palestras, empresa gaúcha especializada em curadoria de palestrantes e soluções de educação corporativa, movimenta atualmente mais de R$100 milhões por ano em palestras, mantém uma base de cerca de 20 mil especialistas cadastrados e projeta chegar a 100 colaboradores ainda neste ano. Fundada em 2012 por Márcio Spagnolo, a companhia cresceu apostando em tecnologia, curadoria e desenvolvimento humano em um mercado historicamente informal.
Com sede no Tecnopuc, em Porto Alegre, a PSA Palestras atua hoje muito além da intermediação tradicional de palestrantes. A empresa ampliou sua atuação nos últimos anos com produtos voltados à curadoria de conteúdo, iniciativas de qualificação de palestrantes e desenvolvimento de soluções para gestão de carreira no mercado de palestras.
“O mercado de palestras mudou muito. Antes, a palestra era vista quase como entretenimento corporativo. Hoje, as empresas procuram transformação, comportamento e desenvolvimento de pessoas”, afirma Spagnolo.
O posicionamento ajuda a explicar a expansão da companhia em um setor que, segundo o empresário, ainda opera majoritariamente de forma artesanal. Enquanto boa parte das agências tradicionais trabalha com pequenos times e portfólios reduzidos, a PSA Palestras estruturou uma operação baseada em dados, tecnologia e escala.
“Quando começamos, percebemos que o mercado era muito informal. Existiam excelentes palestrantes, mas pouca inteligência de curadoria. A gente decidiu estruturar isso como negócio”, diz o fundador.
A lógica da PSA Palestras é cruzar temas, perfis, objetivos e orçamento para encontrar especialistas aderentes às demandas corporativas. Segundo a empresa, existem palestras com valores a partir de R$10 mil e outras que ultrapassam a faixa dos R$100 mil.
Curadoria como diferencial
Apesar de trabalhar com nomes conhecidos nacionalmente, Spagnolo afirma que a principal aposta da companhia está justamente nos especialistas ainda pouco conhecidos do grande mercado.
“Os renomados ajudam na atração do cliente, mas muitas vezes o maior resultado vem de profissionais que as empresas ainda não conhecem. Nosso trabalho é descobrir essas pessoas e conectá-las ao problema certo”, afirma.
A trajetória da empresa começou de forma improvisada no interior de Santa Catarina. Antes de fundar a PSA Palestras, Spagnolo trabalhava com venda de pós-graduações quando começou a receber pedidos de empresas interessadas em contratar palestrantes para eventos corporativos. O movimento chamou atenção pela recorrência. “As empresas começaram a perguntar se eu tinha palestrantes de liderança, marketing, inovação. Quando percebi, aquilo estava voltando para mim o tempo inteiro”, relembra.
Quando a oportunidade virou empresa
O primeiro site da operação foi criado de forma simples, ainda sem grandes pretensões comerciais. Pouco depois, porém, começaram a surgir os primeiros contratos relevantes.
Em 2015, a PSA Palestras abriu o primeiro escritório em Porto Alegre, inicialmente com uma equipe de seis pessoas. O crescimento veio acompanhado de investimentos em marketing digital e posicionamento de marca, algo ainda pouco explorado no segmento naquele momento.
Uma das viradas da empresa ocorreu em 2017, quando a PSA Palestras passou a investir em tecnologia para ampliar sua operação. Um dos primeiros movimentos foi a criação de uma base própria para cadastro de palestrantes, permitindo que profissionais menos conhecidos também acessassem oportunidades corporativas.
Na época, mais de 800 palestrantes aderiram rapidamente à plataforma. “Ali a gente percebeu o tamanho do mercado e o quanto existia demanda reprimida. Tinha muita gente querendo palestrar e muitas empresas procurando conteúdo, mas faltava conexão e curadoria”, diz Spagnolo.
No mesmo período, a PSA Palestras começou a ganhar visibilidade nacional após organizar eventos de grande repercussão, incluindo uma apresentação do técnico Tite em Porto Alegre pouco depois de ele assumir a Seleção Brasileira. O evento reuniu cerca de 1,5 mil pessoas e ajudou a posicionar a marca no mercado corporativo. “O Tite virou um marco porque a PSA Palestras começou a ser percebida como uma empresa maior, mais estruturada. Aquilo ajudou muito no nosso posicionamento”, afirma.
Da expansão ao reconhecimento nacional
A expansão da operação, porém, enfrentou momentos críticos. Antes mesmo da pandemia de Covid-19, a empresa já havia atravessado períodos de instabilidade econômica, incluindo os impactos da crise política de 2015 e 2016. Mas foi em 2020 que veio o maior desafio da história da companhia.
Com o cancelamento em massa de eventos presenciais, a PSA Palestras viu dezenas de contratos serem interrompidos em poucas semanas. Segundo Spagnolo, cerca de 85 palestras foram canceladas logo no início da pandemia, impactando aproximadamente R$4 milhões em receitas previstas.
Naquele momento, a empresa havia acabado de investir aproximadamente R$1,8 milhão em estrutura física e expansão operacional. “A sensação era de que o chão tinha desaparecido. A gente tinha acabado de ampliar o escritório, contratar equipe e acelerar o crescimento. De repente, o mercado inteiro parou”, relembra
Da crise à transformação: além das palestras
“O que salvou a PSA Palestras foi entender que não vendíamos apenas palestras. Vendíamos desenvolvimento humano”, afirma o fundador. O movimento acabou abrindo uma nova frente estratégica para a empresa, como a qualificação do mercado de palestrantes.
Parte da estratégia está relacionada à própria visão de longo prazo da companhia. Segundo Spagnolo, a PSA Palestras pretende lançar novos produtos de maneira contínua até 2030, criando diferentes frentes de receita dentro do ecossistema corporativo.
“Eu acredito que o futuro da empresa passa por inovação e educação. O mercado corporativo está mudando rápido e as empresas precisam de soluções mais completas para desenvolver pessoas”, diz.
A cultura interna também se tornou um dos focos da companhia conforme a operação cresceu. Hoje, a PSA Palestras mantém áreas voltadas especificamente à retenção, desenvolvimento humano e acompanhamento de colaboradores. “O maior risco de uma empresa em crescimento é perder cultura. A gente investe muito para que as pessoas se sintam parte da construção da empresa”, afirma Spagnolo.
A trajetória que moldou a PSA Palestras
Embora hoje lidere uma das maiores operações do segmento na América Latina, o empresário afirma que a origem da PSA Palestras ainda influencia diretamente sua forma de conduzir o negócio.
Aos 14 anos, após fugir de casa no interior do Rio Grande do Sul, Spagnolo começou a trabalhar em uma copiadora universitária para conquistar independência financeira. “Eu aprendi muito cedo que precisava construir as minhas próprias oportunidades. Talvez por isso eu tenha essa obsessão por crescimento, desenvolvimento e transformação”, diz.
Essa visão, segundo ele, segue sendo o principal combustível da PSA Palestras. “No fim do dia, a gente não vende só palestras. A gente trabalha para gerar impacto dentro das empresas e na vida das pessoas.”











