Qual a melhor forma de usar IA para se preparar para testes e exames?

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Para usar as IAs devidamente, metade do trabalho do usuário é saber se fazer entender pela máquina
O período antes de uma prova importante traz uma série de questões e escolhas à mente de alunos, concurseiros e outras pessoas em período de preparação. Os recursos e a divisão das horas tornam-se cada vez mais escassos e é preciso tentar ser o mais eficiente possível.
Nesse sentido, usar ferramentas de inteligência artificial (IA) para se preparar aparece como uma nova e interessante possibilidade. Afinal de contas, modelos de IA generativa se desenvolveram o suficiente para se tornarem assistentes quase humanos, para alguns fins, em tarefas intelectuais.
Interatividade
Alguns dos mais populares modelos de IA já incorporam modos de estudo guiado. Nessa modalidade de uso, o estudante pode fornecer a ementa do curso e outros materiais à máquina, que processa e fornece uma tutoria personalizada.
A vantagem disso é um tipo de aprendizado interativo, que permite a tomada periódica de questões para fixação do conhecimento – diferente do ensino “conteudista” de estudo mais passivo.
A seguir, você entenderá como fazer uso desse e outros recursos em três dos modelos mais populares de IA: o Gemini (Google), o ChatGPT (OpenAI) e o Copilot (Microsoft).
Mas, antes de usar IA generativa…
O desenvolvimento rápido da tecnologia de IA traz consigo uma série de questões éticas. Uma delas é incontornável para estudantes que usem modelos para estudo: a privacidade digital.
Ainda antes que a IA se integre com nossos cérebros, é preciso conhecer e ajustar devidamente as configurações de privacidade e segurança do modelo de IA de escolha.
Para que as ferramentas de estudo funcionem, é necessário dar permissão a algum tipo de personalização dos chats. Porém, é possível limitar até que ponto o modelo pode personalizar, decidindo se ele pode recorrer a memórias, ao histórico de chats e ao histórico de transcrições e anotações.
Preservar ou não dados anteriores?
Nem sempre é interessante que todos os chats anteriores sejam levados em conta. Além disso, os dados fornecidos ao modelo serão processados e poderão ser usados para o treinamento privado das máquinas pelas empresas proprietárias.
Portanto, é importante gerenciar os chats arquivados pelo modelo e eventualmente apagar informações periodicamente. Se a opção for pelos modelos da Google e Microsoft, ajustes adicionais podem ser desejáveis.
Afinal, as contas de ambas as empresas integram diversos serviços, e o usuário pode optar pelo nível de personalização de serviço (no fundo, quanto de seus dados podem ser processados).
Por fim, buscar a melhor VPN para PC ou celular também é importante. Esse tipo de serviço criptografa todos os dados trocados entre o usuário e seu destino na internet (no caso, os modelos IA). Esse acesso por servidores privados e seguros protegerá não apenas os dados de navegação, mas materiais de estudo sensíveis de eventuais agentes maliciosos presentes na internet pública.
Fichamentos e resumos
Os 3 modelos citados (Copilot, ChatGPT e Gemini) são capazes de elaborar resumos a partir de texto. No caso do Copilot, as capacidades são mais limitadas e restritas ao Microsoft Word.
É uma ferramenta interativa de texto que permite rascunhar, resumir e refinar redações. Ele pode ser ativado ao abrir um novo documento (como na Imagem 01) ou clicando no ícone de caneta, que aparece ao lado de algum texto existente.
Pode ser especialmente interessante para estruturar melhor textos, seja para revisão ou para entrega de trabalhos.

No caso do Gemini e do ChatGPT, colar textos e reestruturá-los também é possível. Porém, eles têm a vantagem de permitir anexar anotações e fichamentos e chegar a versões mais concisas e melhores para consultas futuras.
Geradores de perguntas
Além disso, o Gemini e o ChatGPT têm modos próprios de estudo guiado, que permitem uma personalização maior do aprendizado.
O Gemini tem o “Estudo Guiado” e o ChatGPT tem o “Estudar e aprender”, ambas funções que podem ser ativadas diretamente no começo de um novo chat (Imagem 02).

É um tipo de programação em que o usuário explica seus objetivos de estudo. A partir daí, a IA expõe conteúdos (pode também se basear em materiais existentes do estudante) e faz perguntas graduais, explorando os assuntos desejados de modo interativo.
Essa programação geradora de perguntas é instigante, com um nível progressivo de dificuldade, e inclui correções. Uma ressalva importante é que tende a ser mais demorada, portanto seu uso deve ser pensado dentro da estratégia de estudos individual.
Prompts precisos e ferramentas alternativas
Para usar as IAs devidamente, metade do trabalho do usuário é saber se fazer entender pela máquina. Isso pode ser mais difícil do que parece e quanto mais detalhes são fornecidos, mais específica será a resposta – e provavelmente mais adequada.
Para se preparar para um exame, um exemplo de prompt para começar estudos pode ser algo na linha:
Estou estudando para um exame de [assunto] e anexei minhas anotações de estudo. O exame cobre assuntos como [listar assuntos]. Você pode me dar uma série de questões práticas, incluindo [tipo de questões: múltipla escolha, discursiva longa ou curta etc.], elaboradas a partir das anotações de estudo? Além disso, inclua respostas e tópicos chave para guiar minha revisão.
Além dos modelos citados nesse texto, há ainda outras empresas desenvolvendo aplicativos baseados em IA centrados em aprendizado. Programas como o Quizlet, por exemplo, trazem uma interface mais maleável e permitem gerar cartões para consulta (estilo “flash card”) e outros recursos, para memorização de conteúdo.
Por fim, recomenda-se não dispensar a redação de respostas e a criação manual de mapas mentais. Há muitas evidências de que a escrita à mão ajuda no raciocínio e no aprendizado. Dosar esse tipo de estudo com os modelos de IA de maneira equilibrada tenderá a uma preparação mais eficaz.









