Quanto mais você tenta evitar uma decisão ruim, mais fácil pode ser tomar uma

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Daniel Kahneman mostrou como atalhos mentais influenciam julgamentos que parecem perfeitamente racionais. Entender esse mecanismo pode ajudar profissionais a desconfiar um pouco mais das próprias certezas
Uma empresa precisa escolher entre dois fornecedores.
O primeiro já é conhecido, possui boa reputação e cobra mais caro. O segundo apresenta condições melhores, mas representa uma alternativa nova.
Depois de analisar as propostas, a equipe escolhe o primeiro.
A justificativa parece racional: é mais seguro.
Mas existe uma pergunta interessante por trás dessa decisão: a diferença de risco realmente justificava pagar mais ou o medo de perder pesou mais do que a possibilidade de ganhar?
Situações como essa ajudam a entender por que Rápido e devagar: duas formas de pensar, de Daniel Kahneman, se tornou uma referência para compreender como pessoas tomam decisões.
Nosso cérebro não analisa tudo do zero
Kahneman popularizou a ideia de dois modos de pensamento.
Um funciona rapidamente, de maneira automática e intuitiva. O outro exige mais atenção, esforço e análise.
Precisamos dos dois.
Seria inviável avaliar profundamente cada pequena escolha realizada durante o dia. O problema aparece quando respostas intuitivas assumem decisões que mereciam uma investigação maior.
No trabalho, isso pode acontecer ao avaliar candidatos, escolher investimentos, interpretar resultados ou decidir se uma estratégia deve continuar.
Uma impressão inicial surge rapidamente. Depois, existe o risco de começarmos a procurar argumentos para justificá-la.
Perder R$ 10 mil não é o mesmo que ganhar R$ 10 mil
Uma das ideias associadas ao trabalho de Kahneman é a aversão à perda.
Em determinadas situações, a dor provocada por perder pode exercer influência maior sobre nossas escolhas do que o benefício equivalente de ganhar.
Isso ajuda a explicar comportamentos aparentemente contraditórios nas empresas.
Um gestor pode manter um projeto ruim porque encerrá-lo significa reconhecer o dinheiro já perdido.
Um empreendedor pode rejeitar uma oportunidade promissora porque enxerga com muito mais nitidez aquilo que pode dar errado.
Um investidor pode tomar decisões diferentes dependendo de como exatamente o mesmo cenário é apresentado.
A decisão continua parecendo racional para quem a toma. Os critérios utilizados para chegar até ela, porém, podem não ser tão objetivos quanto imaginamos.
Experiência não elimina os vieses
Profissionais experientes acumulam referências importantes para decidir rapidamente.
Mas experiência também pode aumentar a confiança na própria intuição.
Por isso, decisões relevantes podem melhorar quando existe espaço para questionar a primeira resposta: quais evidências sustentam essa conclusão? O que poderia provar que estamos errados? Estamos avaliando os dados ou procurando confirmação para aquilo em que já acreditamos?
Para quem se interessa por esses mecanismos, o novo Administradores Premium oferece um playbook em áudio que analisa as principais lições de Rápido e devagar: duas formas de pensar e mostra como levá-las para situações práticas.
O conteúdo funciona como uma porta de entrada para refletir sobre os conceitos discutidos por Kahneman e pode ser um estímulo para conhecer com mais profundidade uma obra que transformou a discussão sobre julgamento e tomada de decisão.
Talvez a decisão mais racional comece pela dúvida
Conhecer vieses cognitivos não nos torna imunes a eles.
Esse talvez seja um dos pontos mais interessantes do assunto.
Não existe um botão capaz de desligar intuição, emoções e atalhos mentais. Eles fazem parte da maneira como pensamos.
O que profissionais e gestores podem fazer é criar momentos em que decisões importantes sejam submetidas a uma segunda análise.
Antes de perguntar apenas “qual é a melhor escolha?”, pode valer outra pergunta:
“Por que estou tão convencido de que esta é a melhor escolha?”
Às vezes, a resposta revela mais sobre a decisão do que qualquer planilha.









