O príncipe

Lorena Cristina L. dos Santos

artigo de

27/09/2012
7 min leitura

Resumo

Nicolau Maquiavel nasceu em 1469, em Florença; mesmo ano em que morreu Piero de Medici, cuja sucessão aconteceu por seu filho Lorenzo, o Magnífico. Foi um importante diplomata, historiador, filósofo, estadista e político italiano da época do Renascimento. Em toda a parte, Maquiavel observava os políticos e suas maneiras, tornando-se um analista do poder.

Aos 29 anos de idade, ingressou na vida política, exercendo o cargo de secretário da Segunda Chancelaria da República de Florença. Porém, com a restauração da família Médici ao poder, Maquiavel foi afastado da vida pública. Nesta época, passou a dedicar seu tempo e conhecimentos à produção de obras de análise política e social.

Em 1513, escreveu sua mais importante e famosa obra “O Príncipe”. Nesta obra, Maquiavel aconselha os governantes como governar e manter o poder absoluto, mesmo que tenha que usar a força militar e fazer inimigos. Esta obra, que tentava resgatar o sentimento cívico do povo italiano, situava-se dentro do contexto do ideal de unificação da Itália, uma vez que a mesma encontrava-se, no apogeu do Renascimento, dividida em principados de pequeno porte, enquanto Espanha, Inglaterra e França já eram consideradas nações unificadas.

O livro é um trabalho clássico sobre estratégia, ao qual o autor inaugura uma nova forma de pensar para a humanidade.

Ao ler a obra máxima de Nicolau Maquiavel, O príncipe, apreende-se vários aspectos relativos à filosofia, como a consolidação do poder; a disputa pela informação; a ambição; o poder pelas virtudes, pela força, pela crueldade e pela sorte; o povo e a força; os soldados e a atenção da guerra; os resultados obtidos pelas aparências; e o valor do príncipe.

A principal problemática da obra consiste em como um governante deve agir para conquistar e manter o domínio de um principado. Maquiavel entrevia a necessidade de um Estado centralizador e poderoso, em que o governante se destacasse sobre os demais senhores feudais e tivesse poder para conduzir a sociedade. Com isso, acreditava que todos os fins tinham justificativas nos meios, não havendo códigos morais que não pudessem ser transgredidos, nem princípios religiosos que reprimissem o governante.

Para o autor, todos os Estados existentes ou os que já existiram foram repúblicas ou monarquias. As monarquias são hereditárias ou recentes. Segundo ele, “a dificuldade de se manter Estados herdados cujos súditos são habituados a uma família reinante é muito menor do que a oferecida pelas monarquias novas; basta para isso evitar transgredir os costumes tradicionais e saber adaptar-se a circunstâncias imprevistas.” p. 16. Nas novas monarquias, os novos príncipes ofendem e cometem injúrias aos súditos para imporem-se a eles. Logo, os súditos habituados ao governo de um outro monarca não oferecerão perigo, pois não terão motivos para agredir o novo príncipe.

Ao conquistar ou anexar um novo espaço de poder, regido por leis próprias e acostumado a viver em liberdade, o príncipe terá problemas para mantê-lo. Segundo o autor, para conseguir, o conquistador poderá agir de três modos: o primeiro é permitir-lhe viver com suas próprias leis, mas cobrando-lhe tributos e organizando um governo de poucas pessoas. Nesse caso, pode ocorrer a perda da província, pois o governo será fraco. O segundo é arruinando-o. Para não haver perda é mais fácil devastá-lo e impor medo. O terceiro consiste em habitá-lo, uma vez que a presença do príncipe inibe a ganância de seus tenentes em tomar-lhe a posse do novo território. Habitar a província é melhor meio de se consolidar o poder sobre ela.

A informação é matéria essencial para o bom governante. Através dela, ele pode perceber rapidamente os problemas e corrigi-los, prevenindo distúrbios e eliminando as insatisfações.

Maquiavel expõe de forma clara seu pensamento acerca disso. Para ele, o governante deve conservar canais de comunicação de via dupla. Assim, os súditos poderão manifestar suas opiniões, fazendo-o saber se seu projeto está sendo bem executado e assimilado.

Na visão do autor, a boa informação e o cuidado de quem governa conduzem à decisão certa numa realidade desagradável. Os problemas devem ser enfrentados imediatamente.

De acordo com Maquiavel, outra forma eficaz para se manter os espaços conquistados consiste na implantação de colônias em um ou dois pontos estratégicos no território apossado, visto que elas custarão menos e serão mais úteis do que a ocupação por militares. A contra indicação dessa prática é que, para implantá-las é necessário tomar casas e terras da população dessa área. Mas, o autor considera que as vantagens são maiores que os riscos: “Os que forem escorraçados, pobres e dispersos, nunca poderão fazer mal ao príncipe. Quanto a todos os demais que nada terão sofrido – serão facilmente tranquilizados, e, por outro lado, não desejarão ofender o soberano, temendo sofrer tratamento igual aos dos que perderam seus bens.” p. 21.

Essas colônias representam núcleos instalados para a execução da linha política do governo, fortalecimento das bases de seu poder, consolidação da hegemonia por meio do convencimento e não da repressão, uma vez que acarreta inconveniências: ” Note-se que é preciso tratar bem os homens ou então aniquilá-los. Eles se vingarão de pequenas injúrias, mas não poderão vingar-se de agressões graves; por isso, só podemos injuriar alguém se não temermos sua vingança.” p. 21.

Maquiavel recomenda a quem ocupa uma nova província que seja defensor dos mais humildes, enfraqueça a oposição e tenha cautela para que não surja uma liderança tão forte quanto a sua. Pois, se um estrangeiro poderoso penetrar numa província, todos os habitantes mais fracos o apoiarão movidos pela inveja dos que tinham poder maior que o seu. Marcando presença, atraindo os mais fracos – sem aumentar o seu poder –, abatendo os mais fortes e tirando todo o terreno dos novos governos, o príncipe conseguirá o domínio total dos espaços conquistados.

Seguindo as instruções do escritor, percebe-se que “… quem cria o poder de outrem se arruína, pois esse poder se origina ou na astúcia ou na força, e ambas são suspeitas a quem se torna poderoso.” p. 28. Se o príncipe se torna senhor de uma cidade deixando-a viver livremente e com suas próprias leis, deve esperar que ela destrua-o. Quer dizer que quando o governante domina pela astúcia, a cidade se voltará contra ele utilizando a força.

Existem, para Maquiavel, quatro maneiras de se tornar um príncipe: através do valor, da sorte, da crueldade e da força. A manutenção dos novos espaços de poder dependem das virtudes do conquistador. Para o pensador, aquele que alcança o poder por suas qual

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