A garagem vale mais que o escritório: o segredo dos operadores que sobrevivem

Foto: Divulgação/Ricardo Magri
Ricardo Magri, CEO de operações em iGaming, revela por que C-Levels que investem em imagem fracassam enquanto os que focam em métricas dominam o mercado
Ricardo Magri construiu sua carreira em um princípio simples: operação real bate imagem toda vez. Enquanto a maioria dos empreendedores brasileiros investe em escritórios de luxo e branding prematuro, Magri viu de perto por que 80% dos projetos falham — e não é por falta de capital. É por anseio pessoal e ego. Sua experiência no mercado de iGaming, onde decisões técnicas definem quem sobrevive aos próximos 3 anos, oferece um mapa claro para C-Levels que querem resultados, não ilusões. Ele entende que a “garagem onde funciona” — a operação real, as métricas, o orçamento bem feito — vale infinitamente mais que o escritório bonito que impressiona visitantes.
1. Performance Financeira: O Único Métrica Que Importa
Pergunta: Você conhece seu número de hoje E seu número de daqui a 12 meses, ou está operando no escuro?
Insight de Ricardo Magri: “A maioria dos projetos falha por anseio pessoal e ego. Eu trato tudo pelo lado técnico. Performance financeira existe pra dar resultado — no fim, ele precisa ser eficiente. Sou muito fã de gestão de orçamentos bem feitas, revisões, previsões. Gosto de gestão bem organizada.”
A diferença entre quem sobrevive e quem desaparece no iGaming não é inovação — é disciplina. Enquanto muitos C-Levels brasileiros ainda se preocupam mais com o escritório legal do que com a operação real (a “garagem onde funciona”), Magri investe em visibilidade financeira obsessiva. Revisões de orçamento, previsões de fluxo de caixa, métricas de eficiência — essas são as ferramentas que separam empresas que crescem de startups que queimam capital. O ego quer investir em branding antes de validar o fit do negócio. A técnica diz: primeiro resultado, depois imagem.
2. O Erro da Retenção: Adquirir Sem Manter
Pergunta: Você está comprando clientes que saem pela porta de trás?
Insight de Ricardo Magri: “No mercado de bets, adquirir jogadores era o alvo, mas depois não fica o tempo suficiente — e isso vai ser problema. Possivelmente umas 20 bets vamos ter só em 3 anos.”
O iGaming está em colapso competitivo. Em 3 anos, o mercado passará de dezenas de operadores para apenas 20 sobreviventes. A métrica que mata é simples: você pode adquirir, mas consegue reter? Magri vê empresas gastando fortunas em CAC (customer acquisition cost) sem estrutura de retenção. É como encher um balde furado. A decisão técnica aqui é brutal: antes de escalar aquisição, você precisa de um número de retenção que justifique o investimento. Caso contrário, está apenas queimando dinheiro mais rápido. Enquanto isso, os operadores que sobrevivem estão na “garagem” — focados em reter o cliente que já têm, não em impressionar com campanha cara.
3. Atenção é Moeda: Navegando a Geração do Supérfluo
Pergunta: Sua estratégia compete por atenção real ou por distração?
Insight de Ricardo Magri: “Atenção é uma moeda valiosa. Hoje parece que muitas coisas conflitam com seu jeito — é uma preocupação. Precisa ter vigilância redobrada. É uma geração que dá muito ênfase ao supérfluo, e isso dá atenção. É um cuidado que precisa ter.”
A geração atual não quer apenas produto — quer significado. Mas há um risco: confundir supérfluo com estratégia. Muitos C-Levels no iGaming estão investindo em elementos que geram buzz mas não geram receita. Magri alerta para uma vigilância redobrada: você precisa saber exatamente qual ênfase gera atenção REAL (que converte) versus qual é apenas ruído. A decisão técnica é clara — medir tudo. Qual elemento de supérfluo está gerando retenção? Qual está apenas consumindo tempo e orçamento? Os operadores que sobrevivem não estão na moda — estão na métrica.
A Revolução Silenciosa Que Está Mudando o Jogo
Empresas como DraftKings, FanDuel e Stake não dominam porque têm melhor branding — dominam porque tratam cada decisão como engenharia. Elas medem, revisam, ajustam. Enquanto isso, startups brasileiras ainda estão presas na mentalidade de “escritório bonito = credibilidade”.
A diferença entre quem “usa” gestão técnica versus quem “é” gestão técnica é brutal no iGaming. Quem apenas usa segue um checklist. Quem é gestão técnica entende que cada métrica é um sinal de vida do negócio.
Metodologias como OKRs (Objectives & Key Results) e gestão de fluxo de caixa não são luxo — são sobrevivência. E a maioria está fazendo errado: definem OKRs bonitos, mas não revisam orçamentos com frequência. Definem metas de retenção, mas não medem CAC vs LTV com rigor. Os operadores que vão estar entre as 20 bets que sobrevivem em 3 anos não serão os que têm o escritório mais bonito — serão os que conhecem seus números melhor que qualquer concorrente.
A Pergunta Que Vai Tirar Seu Sono
Você está construindo um escritório ou uma operação?









