A ética empresarial está voltada ao comportamento ético e transparente, entre a empresa e todos os seus stakeholders, ou seja, é a boa e sincera relação entre a organização e todas suas partes interessadas como: clientes, colaboradores, fornecedores, sociedade, acionistas, etc. Da mesma forma que a ética estabelece as leis que determinam a conduta moral da vida pessoal e coletiva, a ética empresarial determina a conduta moral de uma empresa, seja ela pública ou privada. De acordo com Jacomino (2000): A importância da ética nas empresas cresceu a partir da década de 80, com a redução das hierarquias e a consequente autonomia dada às pessoas. Os chefes, verdadeiros xerifes até então, já não tinham tanto poder para controlar a atitude de todos, dizer o que era certo ou errado. (JACOMINO, 2000, p.29) Uma empresa que exerça determinados padrões éticos tende a crescer, consequentemente favorece a boa relação e ao crescimento dos seus stakeholders. Quando a empresa atua de forma transparente, legal, ela transmite uma boa imagem tanto para seus colaboradores, pois estes irão perceber as normas e condutas praticadas na organização e, por conseguinte irão ter que se adequar e praticar essas condutas e normas, quanto para o mercado, que acaba avaliando a empresa como boa e confiável, e sendo bem vista pelos clientes, onde o 'marketing boca-a-boca' feito pelos clientes é uma das principais formas de divulgação e avaliação da empresa. Um cliente que ao analisar a empresa e ver um histórico ruim, alguns fatos negativos da empresa, sejam através de comentários diretamente com clientes da empresa, redes sócias, etc., acabam tendo certa desconfiança em ralação a comprar um produto e/ou serviço, o que acaba manchando de forma negativa a imagem da empresa, e quando a mesma passa boa imagem para o mercado é bem vista por seus clientes, e novos clientes se sentem seguros em comprar a ela. Uma boa conduta ética juntamente com atividades socioambientais, acaba fortalecendo a organização, que por consequência acaba melhorando sua reputação perante o mercado, tendo um impacto positivo nos seus resultados. Uma organização que cumpra determinadas condutas éticas passa para o mercado uma imagem de empresa confiável, idônea, que traga segurança para criar uma relação comercial tanto com fornecedores quanto com clientes, o que gera um diferencial no mercado, ou seja, um fator competitivo. Uma das grandes vantagens da ética empresarial é que ela é reconhecida e valorizada pelo cliente, passando então a ter uma relação de confiança entre empresa e cliente. Essa relação fundamenta-se na satisfação do cliente, o que por consequência ira fazer com que ele se fidelize a empresa, passando sempre a comprar nela, o que vai trazer lucro para a organização, ajudando a ela alcançar seus objetivos. Todavia, para se ganhar a confiança do cliente e torná-lo fiel a empresa, não é uma coisa fácil, que se resolve numa única compra um único contato, é necessária uma boa e transparente relação entre empresa e clientes, pois se a organização cometer algum erro toda a confiança, vem 'por água abaixo', ou seja, acaba, e o cliente que uma vez só tinha bons argumentos para falar da organização agora pode destruir a boa reputação da empresa. E com o mercado cada vez mais competitivo, e com as pessoas/clientes cada vez mais informadas e exigentes, as organizações estão sendo obrigadas, cada vez mais, em agir de forma transparente e ética. Oferecer apenas produtos de qualidade não garante a total satisfação dos clientes, estes precisam de uma de uma cadeia de valor que se inicia no primeiro contato com o cliente até o pós-venda para garantir sua satisfação. Ter atrativos diferenciais, satisfazer os clientes, atendendo suas necessidades e oferecendo produtos/serviços de qualidade que cumpra com o que é proposto, são fatores básicos que toda empresa deve cumprir, o bom e sincero relacionamento com o cliente é um fator diferencial que nem toda empresa sabe executar. Prazos de entrega não cumpridos, mau atendimento, produtos de baixa qualidade, anúncios não condizentes com a realidade do produto/serviço a ser vendido, e a não execução de um pós-venda eficiente, são fatores que não valorizam a organização, não satisfazem o cliente e acaba manchando a imagem da empresa. O ganho exclusivamente econômico não deve ter tanta ênfase quanto tinha antigamente. De acordo com Drucker (2002, p. 31) 'a liberdade econômica não leva a igualdade. Agir pra obter maior vantagem econômica perdeu o valor social que lhe era atribuído.', a satisfação do cliente deve vir em primeiro lugar o lucro é uma consequência. Os clientes estão cada vez mais impondo suas necessidades e desejos, mudando um paradigma, onde antigamente os clientes não tinham voz no mercado, as empresas ofereciam seus produtos/serviços para os clientes, e estes sem muitos critérios avaliativos, ou algum tipo de exigência compravam por uma necessidade ou desejo. E a ética empresarial antigamente não existia, pois a organização estava interessada apenas na obtenção de resultados financeiros, deixando de lado todo um conjunto de valores que agregam valor à organização. Hoje em dia tem de se pensar diferente já que sem clientes a organização não sobrevive, e tendo um mercado cada vez mais competitivo, o que exige que a organização trabalhe da melhor e mais correta forma possível. E quando uma organização começa a se pensar em ética organizacional, ela também deve pensar em responsabilidade socioambiental. Que de acordo com o caderno de sociedade da FNQ (2008, p.6): Este tema enfoca como a organização contribui para o desenvolvimento sustentável, por meio da minimização dos impactos negativos potenciais de seus produtos, processos e instalações na sociedade, e pela forma como envolve as partes interessadas nas questões relativas à responsabilidade socioambiental. É importante destacar que o tema trata dos impactos tanto sociais como ambientais desde o projeto até a disposição final. Já que responsabilidade socioambiental é um conjunto de valores éticos, que preservam e ajudam a desenvolver o meio ambiente, trazendo benefícios que desenvolvam o meio ambiente e a sociedade a qual ela pertence. As atividades praticadas pelas organizações de interação social e de preservação ambiental são atualmente consideradas um fator competitivo para as organizações, já que os clientes ao analisá-la irão detectar que a mesma procura não só o seu crescimento, mais trazer benefícios para toda uma comunidade e para o planeta. Portanto pode-se considerar que diante de um mercado cada vez mais exigente, e rigoroso, as organizações estão buscando se desenvolver, criando uma cadeia de valor com o cliente, e procurando se inserir em ações socioambientais, com o proposito de desenvolvimento social e sustentável, criando uma cadeia de valores que estão entrelaçadas a sua missão e visão. A transparência e a ética organizacional são exigências do mercado, onde os clientes estão cada vez mais exigentes, e buscando organizações que tragam fatores diferenciais, fatores competitivos, Pode-se afirmar ainda que a construção da reputação e da imagem das empresas globais depende fundamentalmente da atuação das organizações com base em valores éticos e nos parâmetros de honestidade, decência e respeito a todos os stakeholders. Considerando que a ética no contexto empresarial, tem a ver com este processo de inserção. A empresa ou entidade devem estar presentes de forma transparente e buscando sempre contribuir para o desenvolvimento socioambiental. Uma ética empresarial não consiste somente no conhecimento da ética, mas na sua prática. E este praticar concretiza-se no campo comum da atuação diária e não apenas em ocasiões principais ou excepcionais geradoras de conflitos de consciência. Ser ético não significa conduzir-se eticamente só quando for conveniente, mas agir o tempo todo. E as organizações que cumprirem esse papel ético com seus clientes e sociedade em geral, com práticas socioambientais, cria um fator competitivo no mercado, se tornando atrativa para novos clientes, pois sua imagem se tonará confiável e respeitada. REFERÊNCIAS DRUCKER, P.F. O melhor de Peter Drucker: a sociedade. Tradução de Edite Scuilli. Nobel, São Paulo, 2002. Fundação Nacional da Qualidade. Cadernos de excelência: Sociedade. São Paulo. 2008. JACOMINO, D. Você é um profissional ético? Revista Você, São Paulo, n.25, p.28-39, jul.2000.