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Decisão mais estratégica não é sobre IA. É sobre quem decide

Bruno Perin
Bruno Perin
03 set 2026 às 14:30
Última atualização: 03 set 2026
7 min leitura
03 set 2026 às 14:30
7 min leitura
Última atualização: 03 set 2026
Decisão mais estratégica não é sobre IA. É sobre quem decide

Foto: Divulgação/Annalisa Blando

Annalisa Blando, conselheira de administração e VP da Acate, revela como pessoas e dados bem governados superam qualquer tecnologia isolada

Annalisa Blando é conselheira de administração e consultiva, entre as quais do Grupo Librepar — fusão entre Librelato e Ibero, gigantes do setor de implementos rodoviários. Vice-presidente de Finanças da ACATE (Associação Catarinense de Tecnologia, com mais de 2.000 empresas associadas e 40 anos de história), ela também é certificada CCA+ pelo IBGC, CFP (Certified Financial Planner) e foi fundadora e CEO da ParMais Gestão Patrimonial. Italiana de nascimento e catarinense de adoção, sua trajetória une o rigor financeiro com uma visão aguda sobre pessoas e tecnologia — exatamente o cruzamento onde as decisões mais críticas das empresas acontecem hoje. Para o C-Level que precisa navegar entre transformação digital e sustentação de margens, suas respostas carregam o peso de quem aconselhou e executou nos dois lados da mesa.

1. Composição de Time: O Conjunto Que Decide Melhor Não É o Mais Forte Individualmente

Pergunta: Como você garante que está montando um time que se complementa em vez de competir entre si?

Insight de Annalisa: “Entender as pessoas como elas são, tirar o melhor delas. Times com diferentes visões. O CEO precisa conhecer bem o seu time e compor bem essa engrenagem. O perfil comportamental das pessoas precisa permitir que cada um possa cobrir as deficiências dos outros — não só na hard skill, mas as soft skill — e potencializar o que elas têm de melhor.”

A genialidade desse insight está na palavra engrenagem. Uma engrenagem não é feita de peças idênticas — é feita de peças com formatos complementares que se encaixam. Quando o CEO entende o perfil comportamental de cada membro do seu time, ele para de contratar clones de si mesmo e passa a montar um conjunto onde as fraquezas de um são cobertas pelas forças de outro. Na prática, isso significa que decisões estratégicas não dependem de uma única visão — elas são filtradas por múltiplas perspectivas que se desafiam mutuamente. O risco que se evita aqui é caro: times homogêneos tomam decisões homogêneas, e decisões homogêneas são letais em mercados em transformação.

2. Governança de Dados: A Margem Que Salva Sua Empresa Está Escondida na Informação

Pergunta: Se sua concorrência já usa IA para reduzir custos e você ainda organiza planilhas, quanto tempo você acha que tem?

Insight de Annalisa: “A empresa que não olha para a organização dos seus dados e nem está usando IA está errando feio. A digitalização das empresas é fundamental. Usar a IA com inteligência para melhorar processo, para diminuir tempo. Ter a ótima governança dos dados. Ainda mais na indústria que trabalha com margens pequenas, os ganhos podem estar nos dados e na IA.”

O ponto central aqui é a ordem das coisas: dados antes de IA. Empresas correm para implementar inteligência artificial sem ter suas casas em ordem — dados dispersos, sem padronização, sem governança. Em setores industriais onde a margem é estreita, cada décimo de ponto percentual de eficiência conta. A Annalisa está falando de uma equação direta: dados bem governados alimentam IA bem aplicada, que comprime tempo e custo em processos. Quem ignora essa cadeia não está apenas perdendo eficiência — está transferindo margem para a concorrência. A decisão de investir em governança de dados não é mais uma escolha de TI. É uma decisão de rentabilidade.

3. Cliente no Centro: A Lição Que Transformou um Negócio Quando Tudo Mais Falhou

Pergunta: Você realmente conhece o que seu cliente quer ou apenas acha que conhece?

Insight de Annalisa: “Eu mudei o meu negócio e ele prosperou quando foquei no cliente. Eu sempre olhei mesmo para o o que o cliente queria. Muitos acham que sabem olhar o cliente e colocar ele no centro, mas poucos de fato sabem. Vejo que as mulheres têm uma ótima vantagem, porque têm mais humildade — então tendem a estar mais prontas para aprender, escutam e entendem melhor o cliente.”

A humildade que a Annalisa menciona é um ativo estratégico subestimado. Escutar o cliente não é enviar uma pesquisa NPS trimestral — é estar disposto a descobrir que aquilo que você vende não é o que o mercado quer comprar. A mudança que prosperou o negócio dela veio de uma disposição que a maioria dos C-Levels perde à medida que sobe na hierarquia: a capacidade de admitir que estava errado sobre o cliente. A observação sobre mulheres na liderança não é um argumento de diversidade retórico — é uma constatação prática de que humildade epistêmica (saber que você não sabe tudo) gera decisões melhores porque gera escuta melhor. Em mercados saturados de produtos parecidos, quem escuta melhor, vence.

A Revolução Silenciosa Que Está Mudando o Jogo

Há uma diferença crítica entre empresas que usam tecnologia e empresas que são tecnologia. A maioria das corporações brasileiras está na primeira categoria: instalaram um chatbot, contrataram um cientista de dados, compraram uma ferramenta de IA — mas a alma da decisão continua sendo o achismo.

Microsoft, Amazon e John Deere operam na segunda categoria. A Microsoft de Satya Nadella instituiu uma cultura de “data-first” em cada nível — decisões de produto não saem sem dados que as sustentem. A Amazon transformou obsessão pelo cliente em algoritmo — cada decisão de preço, estoque e logística passa por modelos preditivos. A John Deere, uma empresa industrial de 180 anos, tornou-se uma empresa de dados que fabrica tratores — sensores nos equipamentos geram insights agrícolas que vêm se transformando em um negócio maior que o próprio hardware. A Walmart, com margens finíssimas no varejo, usa IA para otimizar cadeia de suprimentos e precificação dinâmica — exatamente o cenário que Annalisa descreve ao falar de indústrias com margens pequenas.

O que separa essas empresas das demais não é orçamento. É metodologia. Elas usam frameworks estruturados — OKRs para alinhamento estratégico, rituais de revisão de dados, comitês de inovação com mandato real — para criar o que Annalisa chama de “o ritmo da estratégia”. O planejamento estratégico não é um documento que fica na gaveta; é um guia vivo que se olha, se revisa e se ajusta com disciplina.

O alerta é direto: a maioria das empresas está comprando ferramentas sem construir a fundação. Implementar IA sem governança de dados é como construir o segundo andar sem o primeiro. E montar times sem entender perfis comportamentais é como montar um time de futebol onde todos são goleiros. A tecnologia amplifica o que existe — se a fundação está rachada, a IA vai acelerar o colapso.

A Pergunta Que Vai Tirar Seu Sono

Seu time foi montado por intuição ou por método — e você sabe responder qual perfil falta?

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    Bruno Perin

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    Certificado Top 10 Mundial em OKR na Suécia, em frente ao Nobel. Faço parte do seleto grupo mundial que inclui as empresas mais valiosas do planeta, o que me mantém sempre no front dos assuntos estratégicos. Isso me faz atuar no nivel de OKR + IA Driven das empresas valiosas do mundo atualmente.

    Já orientei as maiores techs do Brasil e Europa sobre OKR, com conhecimento moldado por Tony Hsieh (ex-CEO Zappos) e Tim Draper (top investidor mundial), com experiências no Canadá, EUA, Chile e Portugal. Trabalho como braço direito estratégico de CEOs, transformando planejamento em execução real.

    Por estar na prioridade das empresas mais exigentes, me tornei um heavy user de IA para ajudar principais executivos a extraírem o máximo da inteligência artificial aplicada aos negócios. Combino OKR de alta performance com IA estratégica.

    Participo de boards C-level e divido meu tempo entre Brasil e Europa, sempre trazendo as melhores práticas mundiais para os negócios que acompanho.

    Certificado Top 10 Mundial em OKR na Suécia, em frente ao Nobel. Faço parte do seleto grupo mundial que inclui as empresas mais valiosas do planeta, o que me mantém sempre no front dos assuntos estratégicos. Isso me faz atuar no nivel de OKR + IA Driven das empresas valiosas do mundo atualmente.

    Já orientei as maiores techs do Brasil e Europa sobre OKR, com conhecimento moldado por Tony Hsieh (ex-CEO Zappos) e Tim Draper (top investidor mundial), com experiências no Canadá, EUA, Chile e Portugal. Trabalho como braço direito estratégico de CEOs, transformando planejamento em execução real.

    Por estar na prioridade das empresas mais exigentes, me tornei um heavy user de IA para ajudar principais executivos a extraírem o máximo da inteligência artificial aplicada aos negócios. Combino OKR de alta performance com IA estratégica.

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