O maior concorrente do empresário brasileiro… não é outro brasileiro

Imagem: Reprodução/Getty Images
Quero propor uma reflexão…
Imagine que um cliente procura sua empresa, mas você não pode atender e sabe que outro profissional poderia atendê-lo melhor.
O que você faz?
1 – Diz apenas que não pode ajudar.
2 – Indica outro empresário da sua rede.
Minha impressão é que essa resposta revela muito mais sobre nossa mentalidade do que sobre nosso negócio.
Depois de quase três décadas empreendendo nos Estados Unidos, cheguei a uma conclusão que talvez contrarie uma das crenças mais comuns entre nós.
A crença antiga de que “brasileiro puxa o tapete de brasileiro” nos Estados Unidos.
Ela não surgiu por acaso, em parte, é alimentada pelo choque entre a cultura mais colaborativa que muitos brasileiros esperam encontrar e o ambiente americano, marcado por relações mais diretas e meritocráticas. Soma-se a isso a competição por oportunidades em regiões com grande concentração de brasileiros e a amplificação de conflitos isolados nas redes sociais, que acabam ganhando muito mais visibilidade do que os inúmeros exemplos de colaboração que acontecem todos os dias.
Mas talvez a pergunta mais importante não seja se essa percepção é verdadeira. A pergunta é:
queremos perpetuar esse discurso ou construir uma nova cultura, baseada na confiança, na gentileza, na parceria e na convicção de que o crescimento de um pode fortalecer toda a comunidade?
Durante muito tempo, aprendemos a olhar para outro empresário brasileiro como um concorrente. Como alguém que disputa o mesmo cliente, o mesmo mercado e as mesmas oportunidades.
Hoje penso diferente. Acredito que o maior concorrente do empresário brasileiro não é outro brasileiro.
É a mentalidade de escassez.
Aquela que nos faz acreditar que, se um cresce, o outro necessariamente perde.
Mas… e se estivermos competindo na arena errada?
Tenho refletido muito sobre a comunidade brasileira nos Estados Unidos. A Flórida se consolidou como um dos principais destinos para brasileiros que decidiram empreender no país. São milhares de empresários, profissionais liberais e prestadores de serviço construindo negócios, gerando empregos e movimentando a economia local.
Não por acaso, escolhemos a Flórida para inaugurar o novo escritório do S. Group Financial Hub. Acreditamos no potencial dessa comunidade e, principalmente, no que ela ainda pode construir. E acredito que nosso maior ativo não está apenas na quantidade de empresas brasileiras que existem aqui. Está na qualidade das relações que somos capazes de construir entre elas.
E essa convicção ficou ainda mais forte durante a última edição do Conexão Brasil USA.
Reunimos cerca de 200 empresários brasileiros em um mesmo ambiente. À primeira vista, poderia parecer apenas mais um evento de networking. Mas o que aconteceu ali foi muito maior.
Vi empresários compartilhando experiências sem receio.
Vi especialistas apresentando clientes uns aos outros.
Vi profissionais indicando parceiros porque reconheciam que outra empresa poderia atender melhor determinada necessidade.
Naquele ambiente, ninguém parecia preocupado em “ganhar sozinho”.
O objetivo era fortalecer a comunidade.
Foi então que percebi que estávamos praticando aquilo que acredito ser um dos modelos mais inteligentes de crescimento empresarial: um Ecossistema de Prosperidade.
O pensamento tradicional diz:
“Se o cliente não fechar comigo, eu perdi.”
A mentalidade de ecossistema diz:
“Se eu não posso atender esse cliente, alguém da minha rede pode.”
Nesse cenário, ninguém perde. O cliente continua sendo bem atendido. Outro empresário cresce. Quem fez a indicação fortalece sua reputação. A confiança circula, sem medo da “concorrência”.
E, mais cedo ou mais tarde, essa parceria retorna em forma de novas oportunidades. Podemos chamar isso de economia de colaboração em que o elemento principal diz respeito à construção de redes de confiança entre os participantes, despertando um senso de comunidade, reciprocidade e transparência. “O valor está na capacidade de criar conexões significativas e duradouras” e estímulo de práticas de inclusão, empatia e gentileza.
Prosperidade não acontece quando apenas uma empresa cresce.
Ela acontece quando empresas fortalecem umas às outras. Quando um advogado indica um contador. Quando um corretor apresenta um consultor financeiro. Quando um empresário recomenda outro profissional porque sabe que ele fará um excelente trabalho. Quando uma oportunidade continua circulando dentro da comunidade.
A riqueza deixa de ser um jogo de soma zero. Ela passa a ser multiplicada. Vejo isso acontecer com frequência e graças a Deus e a anos de experiência nos negócios, desenvolvi a capacidade de reunir pessoas e empresas “concorrentes” para trabalharem juntas.
Recebo, por exemplo, um cliente que procura um serviço que minha empresa não oferece ou não pode atender naquele momento. Tenho duas escolhas.
A primeira é simplesmente dizer que não posso ajudar.
A segunda é apresentar alguém da minha rede em quem confio.
Naquele momento, eu não perdi um cliente. Fortaleci uma relação. Fortaleci outro empresário. Fortaleci a confiança dentro da comunidade. E aumentei as chances de que essa colaboração retorne para mim no futuro.
Essa é a essência de um Ecossistema de Prosperidade.
Existe um mercado inteiro. Cada empresa possui sua especialidade. Quando uma não atende, outra atende. Quando uma cresce, fortalece também a credibilidade da comunidade brasileira como um todo.
Mais brasileiros passam a ser reconhecidos. Mais empresas conquistam espaço. Mais negócios surgem. Todos ganham.
Ponto de Análise
Uma lente para interpretar o mercado.
Quando empresários enxergam outros brasileiros apenas como concorrentes, todos perdem. Quando passam a enxergá-los como parte de um ecossistema, surgem oportunidades que nenhum negócio conseguiria construir sozinho.
Ação Prática
Nesta semana, faça um exercício simples: identifique um empresário da sua rede que poderia atender um cliente que hoje não faz parte da sua especialidade. Na próxima oportunidade, faça essa indicação. Ecossistemas de prosperidade são construídos por pequenas atitudes repetidas diariamente.
Depois de quase três décadas vivendo e empreendendo nos Estados Unidos, continuo acreditando que há espaço para todos. O sucesso de um empresário brasileiro não diminui o outro. Pelo contrário. Cada empresa séria que cresce fortalece a imagem da nossa comunidade, amplia a confiança do mercado e abre caminho para novos negócios.
Talvez o nosso maior patrimônio não seja apenas o capital que acumulamos. Talvez seja a confiança que construímos uns nos outros. E eu acredito que este pode ser o próximo capítulo da comunidade empresarial brasileira nos Estados Unidos.
Porque empresas competem. Ecossistemas prosperam.









