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Quem decide trancado na sala compra tempo e vende risco

Bruno Perin
Bruno Perin
30 out 2026 às 6:29
Última atualização: 29 out 2026
6 min leitura
30 out 2026 às 6:29
6 min leitura
Última atualização: 29 out 2026
Quem decide trancado na sala compra tempo e vende risco

Foto: Divulgação/Luciano Barboza

Luciano Barboza, CEO da IPEL e premiado CEO Destaque do setor tissue, revela como equilibra caixa, escuta e visão de futuro nas decisões que definem o rumo de uma empresa.

Luciano de Liz Barboza é CEO da IPEL, uma das principais indústrias de papel tissue do Brasil, com cerca de 800 colaboradores e atuação nacional e internacional. Em 2025, foi reconhecido como CEO Destaque no Tissue Summit Brasil, prêmio que celebra quem impulsionou o setor no último ano. Sua trajetória começou como operador de máquina na indústria e passou por gigantes como Portobello antes de assumir o comando da IPEL em 2021, onde lidera a reestruturação do modelo de gestão. Quem subiu degrau por degrau, da fábrica ao executivo principal, enxerga decisões de negócio por um ângulo que poucos C-Levels têm acesso: o chão e a cadeira ao mesmo tempo.

1. Caixa e Futuro: o Duplo Filtro de Toda Decisão Grande

Pergunta: Quando uma decisão difícil chega na sua mesa, por onde você começa?

“Se tem impacto no caixa, preciso saber se é bom ou ruim pro caixa. Caixa é rei em qualquer empresa. Mas olho também produtividade e eficiência, e quanto aquilo representa para o futuro do negócio, o que a companhia quer para o futuro. E, às vezes, já tomei decisões contra os dados, porque os dados têm a tendência de ler muito o passado. Nem sempre eles leem o cenário atual, para onde o mercado está indo.”

O insight vale ouro porque desmonta o fetiche do data-driven sem cair no achismo. Luciano usa dois filtros simultâneos: o caixa protege o presente e a visão de futuro protege o amanhã. Os dados entram como insumo, não como oráculo. Para o C-Level, a aplicação é direta: antes de aprovar qualquer iniciativa relevante, pergunte qual o efeito no caixa nos próximos doze meses e qual o efeito na posição competitiva nos próximos cinco. Decisões que passam em um filtro e falham no outro merecem discussão, não aprovação automática. O risco evitado é o clássico: empresas que celebram resultados trimestrais enquanto o mercado se desloca para outro lugar.

2. O Fim da Liderança Heroica: por Que Decidir Sozinho Ficou Caro

Pergunta: Você vê os C-Levels errando mais em quê hoje?

“Ouvir pouco. Precisa ouvir bem, ouvir bastante pessoas. Não pode mais tomar a decisão em sala. Não podemos ter mais lideranças heroicas, que acham que sabem tudo, porque o negócio ficou mais complexo. Às vezes precisamos mais do colegiado, por mais que a velocidade seja importante. Essas visões importam.”

A escuta conecta direto com a soft skill que ele aponta como a mais necessária hoje: gestão de pessoas. “Nunca fomos tão testados sobre isso. Antes era mais comando e controle, e agora a nova geração quer participar, tem uma visão maior, além do trabalho, com muitos mais aspectos. É preciso ser mais humano”, diz Luciano. A leitura estratégica é simples e desconfortável: a complexidade dos negócios cresceu mais rápido que a capacidade cognitiva de qualquer líder individual. Quem decide trancado na sala economiza tempo e compra risco. Quem estrutura escuta, ouvia diretores, chão de fábrica e clientes, chega à mesma velocidade com muito menos pontos cegos. O benefício concreto é duplo: decisões melhores e times que participaram da decisão defendem a execução como se fosse deles, porque foi.

3. Agente de Mudança: Quem Chega Primeiro Colhe o Mercado

Pergunta: Como você mantém o olho na estratégia quando o dia a dia puxa para o operacional?

“As oportunidades também trazem problemas, é preciso pensar nisso. Ou você é o agente de mudança, ou você tem que entrar atrás. Tem escolhas alinhadas com a estratégia, e tem coisas que eu preciso acompanhar porque o mercado mudou e eu preciso ir junto.”

A lição maior dele veio liderando dois grandes projetos de modelo de negócio. “No passado, era fazer o SWOT e estruturar para se manter. Hoje, o planejamento tem que olhar o que vai transformar o negócio nos próximos anos. Onde o negócio estará nos próximos anos”, resume. A diferença entre planejar para sobreviver e planejar para transformar é o que separa empresas relevantes de empresas obituárias. Para o C-Level, isso exige coragem de classificar cada oportunidade em duas pilhas: as que você lidera e as que você segue. As duas são legítimas. O que não é legítimo é ficar parado no meio, chamando de prudência o que é estagnação.

4. A Revolução Silenciosa Que Está Mudando o Jogo

O padrão que Luciano descreve não é exclusividade dele. A Amazon transformou escuta em sistema operacional: as reuniões do “bar raiser” e as narrativas de seis páginas existem para forçar o colegiado antes de qualquer decisão relevante. A Microsoft renasceu quando Satya Nadella trocou a cultura de saber-tudo pela cultura de aprender-tudo, exatamente o oposto da liderança heroica. E o Google, com o Project Aristotle, descobriu que o desempenho dos times depende menos de estrelas individuais e mais de como as pessoas se escutam entre si.

Perceba a diferença entre quem usa e quem é: a maioria das empresas usa dados como enfeite de apresentação e chama de decisão o que é ratificação. Quem é, coloca o caixa como filtro inicial, estrutura a escuta como processo e desenha o planejamento olhando o negócio daqui a cinco anos. Metodologias como OKRs existem para isso: transformar visão de futuro em escolhas trimestrais verificáveis, em vez de slideware anual que ninguém revisita.

O alerta é direto: o erro da maioria não é a falta de dados, é a delegação da decisão aos dados. Dados leem o passado. Caixa, escuta e visão de futuro leem o presente e o amanhã.

5. A Pergunta Que Vai Tirar Seu Sono

Na sua próxima decisão grande, você vai liderar a mudança do mercado ou vai esperar ele empurrar você?

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    Bruno Perin

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    Certificado Top 10 Mundial em OKR na Suécia, em frente ao Nobel. Faço parte do seleto grupo mundial que inclui as empresas mais valiosas do planeta, o que me mantém sempre no front dos assuntos estratégicos. Isso me faz atuar no nivel de OKR + IA Driven das empresas valiosas do mundo atualmente.

    Já orientei as maiores techs do Brasil e Europa sobre OKR, com conhecimento moldado por Tony Hsieh (ex-CEO Zappos) e Tim Draper (top investidor mundial), com experiências no Canadá, EUA, Chile e Portugal. Trabalho como braço direito estratégico de CEOs, transformando planejamento em execução real.

    Por estar na prioridade das empresas mais exigentes, me tornei um heavy user de IA para ajudar principais executivos a extraírem o máximo da inteligência artificial aplicada aos negócios. Combino OKR de alta performance com IA estratégica.

    Participo de boards C-level e divido meu tempo entre Brasil e Europa, sempre trazendo as melhores práticas mundiais para os negócios que acompanho.

    Certificado Top 10 Mundial em OKR na Suécia, em frente ao Nobel. Faço parte do seleto grupo mundial que inclui as empresas mais valiosas do planeta, o que me mantém sempre no front dos assuntos estratégicos. Isso me faz atuar no nivel de OKR + IA Driven das empresas valiosas do mundo atualmente.

    Já orientei as maiores techs do Brasil e Europa sobre OKR, com conhecimento moldado por Tony Hsieh (ex-CEO Zappos) e Tim Draper (top investidor mundial), com experiências no Canadá, EUA, Chile e Portugal. Trabalho como braço direito estratégico de CEOs, transformando planejamento em execução real.

    Por estar na prioridade das empresas mais exigentes, me tornei um heavy user de IA para ajudar principais executivos a extraírem o máximo da inteligência artificial aplicada aos negócios. Combino OKR de alta performance com IA estratégica.

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