A localização de um ponto comercial é decisiva para o sucesso de um negócio. Você pode ter o melhor produto e a melhor equipe de atendimento, mas, se abrir sua loja no local errado, todo o investimento será desperdiçado. Muitos detalhes devem ser avaliados antes de “bater o martelo”. Vale lembrar que o melhor local varia de acordo com o produto ou serviço oferecido e, principalmente, com o perfil do consumidor. Olhe para o seu negócio e entenda quem é o seu público-alvo e qual é o volume de clientes necessário para sustentá-lo. Depois disso, é hora de reunir dados do mercado. É importante ter informações sobre as pessoas que vivem e frequentam a região. Qual é a idade, a renda e o potencial de consumo delas? Tais características são compatíveis com o seu negócio? Esses e diversos outros fatores devem ser analisados na busca pelo imóvel perfeito. Veja as dicas a seguir: 1. Consumidores na área de atuação O melhor lugar será o que concentrar o maior número de pessoas com potencial para adquirir o produto ou serviço que você está sendo oferecido. Avalie se existe uma grande quantidade de compradores na área de influência do seu negócio. E não basta ter 'muitas pessoas', é preciso que sejam qualificadas para consumir. Esta deve ser a primeira preocupação. Senão, todo o investimento realizado será perdido. 2. Vizinho concorrente nem sempre é um mau negócio Pondere se para a sua área de atuação é importante estar ao lado da concorrência ou não. Em muitos casos, é sim. No caso das lojas de móveis e praças de alimentação de shoppings centers as compras são feitas por comparação. Em outras situações, vale estar perto de comércios e serviços complementares. Uma sapataria pode se instalar ao lado de comércios de roupas e acessórios, por exemplo. A regra é: fuja de vizinhanças completamente opostas. Se você não está presente nas concentrações de concorrentes ou complementos, não participa do processo de compra. 3. Tenha um bom par de tênis Coloque-se na posição do seu consumidor! Visite o imóvel de manhã, a tarde e à noite; durante a semana e aos fins de semana. É importante para entender como é a movimentação em todos os horários. Vá a pé, de ônibus, de metrô e de carro. Faça várias opções de caminho e em diferentes horários. Durante o dia, o local pode ser bom, mas à noite, mal frequentado. Evite surpresas desagradáveis. Isso pode fazer toda a diferença para o seu cliente. 4. Paciência na busca do imóvel É difícil encontrar o local ideal, com o melhor preço e na hora em que se quer comprar. Existem casos de varejistas que levaram anos negociando. Além disso, há situações em que o ponto comercial é feito por mais de uma casa ou vários andares de um prédio, por exemplo. Neste cenário, ter calma é fundamental para acertar. Não dá para investir em qualquer lugar e depois ficar no prejuízo. 5. Acessibilidade Como o seu cliente se locomove? Carro, ônibus, metrô, a pé? Se for de automóvel, é importante que haja estacionamento próximo. Já se for a pé, vale avaliar se há faixa de pedestre perto. Uma cafeteria abriu uma unidade em um local em que só se chegava por uma rua, pois não havia faixa de pedestre e nem semáforo. E isso dificultava o acesso, diminuindo o fluxo de clientes no estabelecimento. A solução foi entrar em contato com a prefeitura para incluir estes sinalizadores. Contudo, se puder analisar estes detalhes antes de investir no imóvel, melhor! 6. Tráfego de veículos e pedestres Mais uma vez é importante pensar na forma como o seu consumidor se locomove. Se for a pé, pense em uma via com alto tráfego de pessoas. Mas se for de carro é preciso buscar locais com grande movimentação de automóveis. Atente-se! 7. Posicionamento na rua A aquisição do seu produto ou serviço é realizada quando o cliente está indo para o trabalho ou voltando para casa? Isso pode fazer toda a diferença na escolha ideal do lado da rua para adquirir o imóvel. Bancos, lotéricas e os Correios, por exemplo, ganham vantagem competitiva se ficam no sentido centro. A direção bairro, ou seja, na volta para casa, costuma ser mais vantajosa para farmácias e padarias. Outro detalhe importante na escolha do lado da rua é a posição do sol. Se refletir na vitrine no período da tarde pode impedir que as pessoas vejam os produtos. 8. Visibilidade Alguns detalhes podem dificultar a visualização da fachada, como rede elétrica na rua, árvores ou banca de jornal em frente ao imóvel. Há feira livre na rua? Se sim, pode resultar um dia a menos de faturamento. Nem todos os tipos de comércio e serviço precisam estar na esquina das duas avenidas mais movimentadas da cidade. Mas é importante que esteja visível para o público-alvo. 9. Zoneamento Há uma lei municipal que define o que pode ou não ser construído em cada quarteirão da cidade: comércios, residências, área mista, industrial etc. Todos os quesitos mencionados até aqui podem ser perfeitos, mas de nada adianta se o franqueado não conseguir o alvará por conta desta legislação. 10. Peculiaridades de cada negócio A última e mais importante recomendação é que se avalie qual o peso de cada uma das dicas acima de acordo com a área de atuação. Uma cafeteria precisa de visibilidade e grande fluxo de pedestres. As pessoas sentem o cheirinho e param para tomar um cafezinho, por exemplo. Já a escolha de uma escola para os filhos segue outros critérios. Por isso, pode estar em uma rua menos movimentada, mas com fácil acesso e estacionamento. Analise cada quesito com cuidado e tome a decisão mais acertada. * Valéria Duarte é diretora das áreas de Desenvolvimento e Atendimento da Geofusion. Há mais de 15 anos no segmento de Inteligência Geográfica de Mercado, com grande foco em expansão do mercado varejista, atuou como consultora da C.B. Richard Ellis, gerente de Expansão da Cinemark Brasil e gerente de Planejamento e Expansão do McDonald's Brasil. É arquiteta e urbanista pela FAU e administradora de empresas com MBA, pela EAESP FGV