5 desafios do RH que estes 5 filósofos podem ajudar a resolver

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Antes de existirem metodologias ágeis, inteligência artificial ou gestão por competências, já haviam pessoas tentando responder questões fundamentais sobre como aprendemos, tomamos decisões, convivemos, exercemos poder e encontramos propósito.
A inteligência artificial já consegue responder perguntas, produzir conteúdos, analisar informações e acelerar processos. Para o RH, porém, surge uma questão menos tecnológica e mais humana: quem está preparado para questionar as respostas que a IA entrega?
É a partir desse ponto que Denilson Shikako propõe uma aproximação entre filosofia e gestão. Em uma reflexão voltada ao ambiente corporativo, ele conecta conceitos de Michel Foucault, Hannah Arendt, Immanuel Kant, Simone Weil e Epicuro a desafios que continuam no centro da agenda de Recursos Humanos como cultura organizacional, pensamento crítico, ética, atenção, pertencimento, propósito e bem-estar.
“A proposta não é transformar profissionais de RH em especialistas em filosofia, mas usar o pensamento filosófico como ferramenta para sair do modo automático e provocar novas perguntas dentro das organizações”, explica Denilson Shikako.
Michel Foucault: o que a cultura permite ou proíbe
Foucault ajuda a olhar para aquilo que se tornou “normal” dentro das empresas. A cultura, nesse sentido, não está apenas nos valores publicados nos murais ou nos discursos da liderança, mas nos comportamentos que as pessoas aprendem que podem ou não ter.
Uma empresa pode afirmar que valoriza inovação, mas, se ideias novas são sistematicamente recebidas com frases como “sempre fizemos assim” ou “isso não vai funcionar”, é esse comportamento cotidiano que efetivamente faz a gestão. Como resume a reflexão da Fábrica de Criatividade, “o invisível também faz gestão”.
Para o RH, a pergunta passa a ser: quais comportamentos foram naturalizados na organização e precisam ser questionados?
Hannah Arendt: quando pensar deixa de ser opcional
A ideia de “banalidade do mal”, formulada por Arendt, é utilizada aqui como uma provocação sobre o risco de agir sem reflexão. No ambiente corporativo, isso pode aparecer quando profissionais seguem regras, repetem processos ou transferem a responsabilidade para líderes, sistemas ou para a própria empresa sem questionar suas decisões.
A aplicação prática é estimular a chamada “segunda resposta”. Se a primeira solução costuma ser a mais óbvia e confortável, a segunda surge quando alguém pergunta: isso ainda faz sentido?
A reflexão coloca o pensamento crítico como um exercício de coragem, especialmente em ambientes nos quais a velocidade da execução tende a ser cada vez mais valorizada.
Immanuel Kant: ética quando ninguém está olhando
A discussão sobre ética também ganha outra dimensão quando relacionada à gestão. Para Kant, o valor de uma ação não depende da recompensa, da consequência ou do medo da punição, mas da intenção moral.
No ambiente corporativo, a ideia se traduz em uma questão particularmente relevante para RH e compliance: o que as pessoas fazem quando não existe fiscalização?
A integridade, nessa perspectiva, não se resume ao cumprimento de regras. Ela aparece nas pequenas decisões que não necessariamente serão auditadas. O caráter, nesse caso, vai além do controle.
Simone Weil: atenção como competência de gestão
Em um ambiente marcado por notificações, reuniões sucessivas e excesso de informação, Simone Weil oferece outra provocação: prestar atenção de verdade.
Atenção não significa apenas ouvir ou perguntar se está tudo bem. Significa estar presente, escutar sem preparar imediatamente uma resposta e perceber sinais que muitas vezes passam despercebidos.
A atenção também tem impacto sobre criatividade e inovação. Ao observar com mais cuidado, as pessoas percebem detalhes e oportunidades que permanecem invisíveis quando atuam no automático. Escuta ativa gera pertencimento; atenção estimula ideias e inovação.
Epicuro: bem-estar não é apenas recompensa
A discussão sobre bem-estar corporativo também pode ser ampliada a partir do Epicuro. A filosofia epicurista valoriza uma vida menos orientada pelo excesso e mais pela capacidade de desfrutar aquilo que realmente importa.
No contexto das empresas, a provocação é olhar além de salário, benefícios e incentivos financeiros. Autonomia, reconhecimento, equilíbrio, relações saudáveis e propósito também fazem parte da experiência de trabalho.
Para o RH, a questão é: a organização está ajudando as pessoas a viver melhor ou apenas a trabalhar mais?
Da resposta automática à pergunta certa
A reflexão proposta pela Fábrica de Criatividade reúne cinco perguntas que podem ser levadas diretamente para as organizações: estamos realmente ouvindo nossos colaboradores? Incentivamos perguntas ou apenas respostas? Quais comportamentos considerados normais precisam ser revistos? Nossa cultura funciona quando ninguém está olhando? Estamos ajudando as pessoas a viver melhor ou apenas a trabalhar mais?
Para Denilson Shikako, a chegada da IA torna esse exercício de reflexão ainda mais necessário. “A IA pode ajudar a encontrar respostas. Cabe às pessoas continuar fazendo as perguntas certas”, afirma.









