Uma boa ideia em si pode ser o início de uma startup, mas ela não é a garantia de sucesso. Todo empreendedor deve planejar-se antes de iniciar um novo negócio. O consultor Maximiliano Tozzini Bavaresco, da SONNE Branding, dá seis dicas para a elaboração de um plano de negócios, desde a concepção da ideia até a comunicação com os públicos com quem a marca vai se relacionar. 1. Estruture um plano de negócios Estruturar as ideias no papel – que pode seguir modelos já disponibilizados na Internet por fontes seguras, como Sebrae e universidades – é a primeira etapa de um novo negócio. Além de ser a base de um planejamento minimamente estruturado, esta tarefa ajudará o empreendedor a controlar a ansiedade e o ímpeto de colocar um negócio em prática. Em linhas gerais, o planejamento deve definir o modelo do negócio, seu propósito, além do que e como o produto ou o serviço vai ser oferecido ao mercado. 2. Contemple o orçamento Ao pensar no novo negócio, uma pergunta imprescindível é: “quanto vou investir?”. Segundo Bavaresco, os negócios começam a dar resultados em uma velocidade menor do que a prevista pelo empreendedor. Em decorrência do fluxo de caixa, mesmo sendo inovador, diferente e de atender uma demanda de mercado, o negócio pode não conseguir se manter. “Ou seja, sem dinheiro em caixa, o empreendedor não tem fôlego para levar o negócio adiante e persistir até que ele atinja o ponto em que passa a ser lucrativo”, destaca. 3. Estabeleça grandes objetivos Faz parte deste processo estabelecer objetivos com foco no curto, médio e longo prazos. Estes objetivos devem incluir desde o break even do negócio até questões mais ambiciosas para o período de três a cinco anos de operação. Para cada objetivo, é importante que o empreendedor detalhe um conjunto de metas, que serão os indicativos de que o negócio está evoluindo. As metas podem incluir dados quantitativos (como faturamento, lucratividade, número de unidades vendidas, percentual de custos proporcionais com pessoal, ocupação etc) e qualitativos (como a satisfação dos clientes). “As metas são indicadores de performance do negócio que também auxiliam no desenvolvimento da cultura organizacional e na percepção que os clientes internos e externos têm ou terão da marca”, afirma. Segundo Bavaresco, para definir quais serão esses indicadores de performance, o empreendedor pode buscar referências em fontes de informações confiáveis no mercado e também nas empresas concorrentes e consolidadas. “O importante é ter claro que todo planejamento e seus objetivos devem ser acompanhados e ajustados periodicamente. Não são informações ou previsões estáticas. O empreendedor precisa avaliar sempre o que superdimensionou ou superestimou em suas premissas iniciais”, ressalta. 4. Defina o público-alvo A definição do perfil de cliente é fundamental para que o modelo de negócio seja aderente às demandas e expectativas daquele grupo de pessoas. “A partir da premissa de que as pessoas são diferentes e têm distintas formas de se comportar e se expressar, é fácil compreender que não será possível atender todos os bolsos e gostos”, declara o executivo. Quanto mais alinhado o negócio estiver ao perfil do cliente, maiores as chances de um determinado grupo de consumidores perceber valor e passar a se relacionar com aquela determinada marca. É este alinhamento que impulsiona um dos principais – se não o maior – fator de sucesso de qualquer negócio: “o boca a boca”. 5. Pense na marca Desde a fase de planejamento e concepção do negócio, a marca e seu posicionamento mercadológico devem ser motivo de atenção dos empreendedores. O papel da marca é expressar o propósito, os valores e a cultura da organização. Assim, cumprindo este papel, a marca é capaz de auxiliar e alavancar o potencial dos bons negócios. “É comum que alguns empreendedores não dêem a atenção devida às questões relacionadas à marca ou as coloquem num plano secundário, muitas vezes tratando-as de forma menos profissional. Muitos imaginam que este investimento só precisa ser feito em um estágio futuro da empresa. Porém, neste caso, perde-se a oportunidade de ter a marca justamente como um impulsionador do negócio”, afirma Bavaresco. 6. Estabeleça o projeto de comunicação Pensar na comunicação não envolve apenas ações de propaganda e divulgação. Estruturar a comunicação significa considerar todos os pontos de contato que a empresa terá com os seus diferentes públicos. A comunicação acontece por meio de diversas mídias, veículos, canais, inclusive, fortemente, por meio do boca a boca. Um dos maiores equívocos cometidos por diversas empresas, de startups a multinacionais, é atribuir à comunicação a responsabilidade, quase que exclusiva, pelo sucesso ou insucesso de um negócio. De modo geral, muitas empresas e empreendedores dedicam energia e recursos em ações de comunicação que poderiam e deveriam estar canalizados no planejamento ou desenvolvimento do próprio negócio. “O alinhamento fundamental é ter o que comunicar de forma verdadeira, é garantir que os clientes vivenciem uma boa experiência de marca em todos os seus pontos de contato. Para criar uma marca de sucesso, é preciso criar uma organização de sucesso. Afinal, a marca é reflexo da organização”, completa.