Empresas nascem e, infelizmente, morrem, com frequência. O tema é, inclusive, objeto de uma série de pesquisas do Sebrae, que estuda as taxas de sobrevivência e mortalidade de empresas no Brasil. A edição mais recente do estudo “Sobrevivência das Empresas no Brasil”, de 2013, mostra, por exemplo, que cerca de um quarto das companhias fundadas em 2007 não completou o segundo ano de vida. Por que algumas empresas acumulam décadas de mercado enquanto outras não conseguem chegar nem ao terceiro ano? Um bom administrador com certeza tem algo a dizer em resposta a essa pergunta. Se você é da área e não faz ideia ou mesmo atribui o sucesso e durabilidade de empreendimentos a fatores como sorte, ou simplesmente o timing do mercado, é preciso repensar. Listamos aqui alguns dos reais motivos, condutas e princípios que levam empresas – novas ou antigas – à falência. A dica maior é estudar esses erros e aprender com eles, para jamais cometê-los em seus negócios e carreira. Confira: 1 – Nunca planejar Fator elementar. Segundo a edição 2014 da pesquisa Causa Mortis, do Sebrae São Paulo, ao abrir uma empresa, mais da metade dos empreendedores não fez o planejamento de aspectos básicos antes do início das atividades. Alguns dados alarmantes: 61% não procuraram ajuda de pessoas ou instituições para abertura do negócio, 55% não planejaram como a empresa funcionaria em sua ausência (durante férias, por exemplo), e, pasmem, 55% não elaboraram um plano de negócios. Dificilmente veremos uma empresa sobreviver sem esse devido planejamento. Por isso esse é um fator que afeta mais as organizações em estágio inicial. 2 – Ignorar o mercado Pouca ou quase nenhuma pesquisa de mercado também é um princípio básico da empresa que quebra. O já mencionado estudo do Sebrae indicou que boa parte dos empreendedores deixou de levantar informações importantes sobre o mercado antes de abrir a empresa. Por exemplo, 46% dos entrevistados não sabiam o número de clientes que teriam e os hábitos de consumo deles, 39% não sabiam qual era o capital de giro necessário para abrir o negócio e 38% não faziam ideia do número de concorrentes que teriam. 3 – Não cuidar das finanças Empresas que começam já um tanto negligentes com as contas, tendem a seguir esse caminho. Pode acontecer de a organização ter certo sucesso no mercado e, depois de alguns anos, ver o resultado do descuido financeiro refletido em momentos de recessão ou crise. A pesquisa do Sebrae mostrou que 42% dos novos empreendimentos não calcularam o nível de vendas para cobrir custos e gerar o lucro pretendido. Muitas empresas ligadas à indústria ou ao varejo não sabem determinar custos de produção ou precificar, por exemplo. Se conforme a empresa cresce, esses cálculos não estão atualizados de forma precisa, a tendência é que, ao enfrentar uma maré difícil, não haja reservas ou forma de escapar. 4 – Não se preparar Isso pode acontecer em estágio inicial ou com empresas com anos de mercado. Liderança incapaz é aquela que não possui experiência, não entende de mercado ou da sua própria empresa. O Sebrae inclusive aponta o não acompanhar de perto a rotina do negócio como um fator contributivo para a sua morte. Como afirma Bill George, que foi CEO da Medtronic por vários anos, em entrevista a Daniel Goleman (disponível no Administradores Premium), o líder de alta performance precisa entender o trabalho feito na sua empresa. Acompanhar o dia a dia, compreender a realidade dos funcionários, dos clientes, saber ouvir e absorver suas necessidades e desejos são marcas de uma liderança eficaz e capaz. Sem isso não há sucesso duradouro. 5- Não se comunicar Hábito capaz de destruir relacionamentos e empresas, a má comunicação ou a inexistência de comunicação é um princípio de empresas (e líderes) que afundam. Por quê? Tarefas e objetivos não são bem explicados, o que gera mal entendidos. Cobranças e feedback causam tensão em vez de promover resultados. A falta de clareza e honestidade nos diálogos estimula posturas defensivas e não abertas. Você gostaria de trabalhar em um ambiente como o descrito acima? Pois é, ninguém gostaria. Por isso, a falta de comunicação impede a produtividade e a eficiência. 6- Acomodar-se Permanecer na zona de conforto é fatal. A pesquisa Causa Mortis do Sebrae aponta a diferenciação de serviços e produtos como o principal fator a favor da permanência da empresa no mercado. Se ao iniciar um empreendimento você simplesmente está copiando um modelo de negócio que já existe, poucas são as chances de que isso vá para frente. Em curto prazo, pode até gerar lucro, mas no caminho do sucesso duradouro, é preciso inovar. Já dizia Peter Drucker: ” A inovação é o instrumento específico do empreendedorismo. É o que dá aos recursos uma nova capacidade de gerar riquezas”. Se não se diferenciar da concorrência e oferecer algo particular, seu negócio está fadado ao fracasso. 7- Não ter espírito empreendedor O comportamento empreendedor consiste em se antecipar aos fatos, buscar informação, desenvolver novos olhares sobre o mundo, identificar buracos no mercado. Essa postura leva um negócio a se adaptar, evoluir, seguir em frente e não parar no tempo. O empreendedor assume riscos, comete erros (e aprende com eles), por isso tende a não sofrer com as mudanças e concorrência. Quando não há espírito empreendedor, o que provavelmente vai faltar é uma visão do negócio, e isso deixa empresas à deriva. 8- Não ter motivação A insatisfação pode ser positiva quando gera mudança para melhor. Mas, nesse caso, estamos falando de insatisfação “crônica” com o trabalho, com o negócio, com o empreender enquanto opção de carreira. Muitos pequenos e médios empreendedores brasileiros se encontram nessa posição por necessidade e não por escolha, segundo o Sebrae. Esse fator somado a uma possível falta de preparo (já citada) e até descontrole dos recursos financeiros é uma combinação letal para qualquer empresa. Sem motivação, paciência e persistência para levar o negócio para a frente, uma ideia não resiste. Deixamos de lado algum fator importante? Você tem algo a acrescentar? Compartilhe conosco nos comentários.