Um time não cresce com palavras bonitas. Ele cresce quando entende, com clareza, o que gera valor e o que merece ser repetido Reconhecer pessoas é uma das ferramentas mais subestimadas da liderança. Um elogio bem colocado aumenta motivação, reforça padrões e melhora a relação entre esforço e resultado. Só que o excesso de elogio, quando é genérico ou automático, provoca o efeito contrário: vira barulho. O time percebe, a confiança cai e a conversa sobre performance fica mais difícil. Reconhecimento tem mais impacto quando é específico e ligado a comportamentos observáveis, porque isso dá clareza sobre o que deve se repetir e por quê. Quando o elogio é amplo demais, ele perde poder de orientar e passa a soar como tentativa de manter clima bom, não como leitura real do trabalho. O elogio genérico cria uma cultura de adivinhação Frases como 'ótimo trabalho', 'mandou bem' e 'você é excelente' parecem positivas, mas deixam uma pergunta no ar: ótimo em quê, exatamente? Sem um comportamento concreto associado, a pessoa não sabe o que repetir. O elogio vira uma sensação boa por alguns minutos, mas não vira direção. Isso tem um custo para a Inteligência Emocional do time. Pessoas começam a desconfiar do que ouvem, especialmente quando o elogio aparece mesmo diante de entregas medianas. Se tudo é 'ótimo', nada é. E a equipe passa a operar por sinais indiretos, tentando ler humor, urgência e preferências em vez de critério. Reconhecimento mal feito pode aumentar injustiça percebida Outro risco é elogiar sempre as mesmas pessoas, geralmente as mais visíveis, as que falam mais ou as que apagam incêndios. Quem trabalha bem no silêncio, melhora processo, evita problemas ou sustenta consistência muitas vezes fica fora do radar. A mensagem implícita é clara: valor aqui é visibilidade, não impacto. Com o tempo, isso cria ressentimento e desengajamento. A equipe não precisa de elogio constante, mas precisa de justiça percebida. Reconhecimento seletivo e pouco explicado vira combustível para comparações, fofocas e queda de confiança na liderança. O elogio vazio enfraquece o feedback difícil Existe ainda um efeito colateral prático: quando o elogio é exagerado, o feedback corretivo vira choque. A pessoa ouve meses de validação genérica e, de repente, recebe uma crítica objetiva. A reação tende a ser defensiva: 'mas você não disse que estava ótimo?'. Liderança madura usa reconhecimento como parte do mesmo sistema de performance. Ele não serve para anestesiar problemas, e sim para reforçar comportamentos que funcionam. Quando o elogio vira muleta emocional, a conversa sobre melhoria perde credibilidade. Como reconhecer sem virar 'discurso de incentivo' O reconhecimento mais eficaz tem três elementos. Primeiro, especificidade: o que a pessoa fez, em termos observáveis. Segundo, impacto: por que isso foi importante para o time, cliente ou resultado. Terceiro, repetição desejada: o que você gostaria de ver de novo. Um exemplo simples: em vez de 'parabéns pela entrega', algo como 'quando você estruturou o relatório com os riscos e alternativas, a decisão ficou mais rápida e evitamos retrabalho. Quero que a gente mantenha esse padrão nas próximas entregas'. Isso é elogio e direção ao mesmo tempo. A pergunta que melhora sua liderança amanhã Antes de reconhecer alguém, vale se perguntar: se outra pessoa quisesse repetir esse comportamento, ela saberia como? Se a resposta for não, você elogiou, mas não ensinou. No fim, reconhecer bem não é ser simpático. É ser preciso. É transformar esforço em padrão, reforçar o que funciona e construir confiança com consistência. E isso exige menos empolgação e mais critério. Porque um time não cresce com palavras bonitas. Ele cresce quando entende, com clareza, o que gera valor e o que merece ser repetido.