O objetivo nunca é vencer uma discussão ou provar quem está certo. É restaurar a comunicação e preservar a relação profissional Lidar com pessoas passivo-agressivas é uma das experiências mais desgastantes do ambiente profissional. Elas dizem que está tudo bem quando claramente não está, recorrem ao silêncio, à ironia, à procrastinação ou concordam com algo apenas para não cumprir depois. O problema é que esse comportamento não aparece só em colegas, clientes ou parceiros. Muitas vezes, ele surge em nós mesmos. A passivo-agressividade costuma ser uma forma indireta de expressar frustração, mágoa ou raiva sem enfrentar o conflito de forma aberta. O efeito colateral é quase sempre o mesmo: confusão, desgaste emocional e problemas que nunca se resolvem de fato. Foi ao reconhecer esse padrão em si mesmo que muitos líderes descobrem uma regra simples, mas poderosa, para interromper esse ciclo. Ataque o problema. Não a pessoa. O que é comportamento passivo-agressivo A passivo-agressividade é a expressão indireta de emoções negativas. Em vez de comunicar o incômodo de forma clara, a pessoa evita o confronto e adota atitudes que minam a relação aos poucos. Entre os sinais mais comuns estão: negar que algo está errado; fechar-se ao diálogo; responder com sarcasmo; atrasar ou sabotar entregas; demonstrar ressentimento de forma velada. Na maioria das vezes, esse comportamento nasce de algo aparentemente positivo: a tentativa de evitar conflitos ou o excesso de empatia. A pessoa percebe o desconforto alheio, mas espera que o outro também 'adivinhe' o que ela sente. Quando isso não acontece, a frustração cresce. Como parar a passivo-agressividade em si mesmo Quando alguém se sente ferido ou ignorado, o impulso natural é se proteger. O problema é que a passivo-agressividade machuca tanto quem a pratica quanto quem está ao redor. É aqui que a regra entra em ação. Atacar o problema, e não a pessoa, ajuda a deslocar o foco da emoção para a solução. Isso exige trocar a comunicação passiva pela comunicação ativa. Comunicação ativa não pressupõe que o outro leia pensamentos. Ela deixa claro o que foi sentido e o que se espera dali em diante. Alguns exemplos práticos: 'Fiquei incomodado quando isso aconteceu.' 'Não me sinto confortável com esse prazo.' 'Preciso de mais aviso para conseguir me organizar.' 'Fico frustrado quando sou interrompido.' 'Prefiro que você me consulte antes de decidir isso.' 'Esse comentário não foi adequado para mim.' O tom importa. Ser direto não significa ser agressivo. Clareza, firmeza e respeito caminham juntos. Como lidar com pessoas passivo-agressivas Quando o comportamento vem do outro lado, ignorar raramente funciona. A única saída é trazer o problema à tona, novamente sem atacar a pessoa. Explique como você se sente, diga que percebe um desconforto e deixe claro que precisa de comunicação direta para seguir em frente. Se fizer sentido, nomeie o possível problema ou faça perguntas abertas para estimular o diálogo. Algo como: 'Tenho a impressão de que algo te incomodou. Se for isso, prefiro que a gente fale abertamente para resolver.' O objetivo final O objetivo nunca é vencer uma discussão ou provar quem está certo. É restaurar a comunicação e preservar a relação profissional. Repetir mentalmente — ou até em voz baixa — 'ataque o problema, não a pessoa' ajuda a frear reações impulsivas e transforma passivo-agressividade em diálogo construtivo. No fim, isso não elimina conflitos. Mas muda completamente a forma como eles são enfrentados. E isso faz toda a diferença para quem lidera, empreende ou simplesmente quer relações de trabalho mais saudáveis.