Para quem quer financiar, seja com o objetivo de investir, iniciar um empreendimento ou obter a casa própria, conhecer a realidade dos locais desejados é de extrema importância. Em uma mesma cidade podem existir localidades supervalorizadas, estagnadas e desvalorizadas. O comprador precisa estar atento às suas necessidades para identificar se elas correspondem ao que o local pode oferecer – e por quanto. O metro quadrado mais caro do Brasil está no Rio de Janeiro, que em maio de 2014, a média na cidade custava R$ 10.609, segundo o Índice FipeZap (O bairro do Leblon atingiu o mais alto: R$ 22.645). Esse valor representa aumento de 0,67% em relação a abril do mesmo ano e de 13,6% comparado a maio de 2013. Brasília e São Paulo vêm em seguida, com metros quadrados valendo R$ 8.136 e R$ 8.060, respectivamente. Cidades muito urbanizadas, como as mencionadas acima, vêm tendo metro quadrado (em relação a móveis residenciais disponibilizados para venda) muito valorizado ao longo dos últimos cinco anos. Brasília, porém, sofreu estagnação em 2013, e de dezembro do ano passado para maio deste ano, teve o valor do seu m² derrubado de R$ 8.670 para os já citados R$ 8.136. Das cidades analisadas pelo FipeZap, Vila Velha, Espírito Santo, tem o valor mais baixo, com R$ 3.820 por m². Entre 2009 e 2013, a valorização da média do m² do país só aumentou, especialmente em locais como o Rio de Janeiro (o que gerou especulações quanto a uma bolha imobiliária). Em 2013, na Cidade Maravilhosa, a valorização foi de 18%, um dos maiores aumentos registrados no ano passado, perdendo apenas para Fortaleza, com 20%. Ainda assim, o metro quadrado na capital cearense custa em torno de metade do valor do carioca. Em 16 cidades brasileiras medidas pelo FipeZap, a média brasileiras ficou em R$ 7.494, no mês de maio deste ano. O que vemos em 2014, segundo esse estudo, é uma mudança de cenário com relação à valorização contínua dos últimos cinco anos: o preço do m² desacelerou pelo sexto mês seguido e perdeu para a inflação no acumulado do ano. Isso significa que nos locais analisados, os preços continuam a subir (e, no Rio de Janeiro, por exemplo, espera-se que continue subindo até os Jogos Olímpicos de 2016), mas a taxa sob a qual o m² valoriza está abaixo da taxa de aumento da inflação. Na prática, isso quer dizer que os valores dos imóveis sobem a um ritmo mais lento do que o da taxa de desvalorização do Real. A consequência lógica é simples: se o valor do imóvel sobe, mas o valor do Real cai, a valorização do imóvel se torna ilusória. O preço aumenta, mas o valor da moeda que paga esse preço é menor, o que demanda mais dinheiro para suprir o custo. Isso é um problema para os bancos que liberam crédito para financiamentos e para quem se beneficia desses créditos. foto: shuterstock A incerteza que envolve o mercado imobiliário brasileiro atualmente ocasiona o encalhamento de imóveis até mesmo em locais valorizados. Nos dias 16 e 17 de agosto desse ano, por exemplo, a construtora PDG Realty realizou uma promoção envolvendo imóveis em 13 estados brasileiros, com descontos que no RJ chegavam aos R$ 500 mil, e em São Paulo, ultrapassavam esse valor. Interessante notar que os descontos não eram para imóveis mais econômicos, que continuam bem no mercado, mas para os de maiores metragens. Esses saldões de imóveis estão cada vez mais frequentes, devido à desaceleração do mercado imobiliário, o que para muitos especialistas indica o começo do estouro de uma suposta bolha (que envolve especialmente grandes centros do sudeste). No mês de maio, dados divulgados pelo Sindicato de Habitação de SP indicam que as vendas de imóveis novos na cidade caíram 36,5% em um ano. O mesmo órgão divulgou na última semana de agosto, que deve haver redução de 25% nas vendas de imóveis residenciais novos e queda de 20% nos lançamentos de projetos em São Paulo. O adensamento em locais de grande valorização representa um outro problema: a dificuldade para comercializar imóveis nessas áreas é crescente, o que faz com que os preços continuem subindo, de forma a valorizar 'virtualmente' tais locais. Os mais desejados Os imóveis mais procurados hoje em dia são aqueles voltados para famílias menores ou para um só ocupante. Condomínios com terrenos de maior metragem estão 'sobrando' no mercado, enquanto imóveis econômicos, com apenas um quarto, por exemplo, são a pedida da vez. Essas unidades econômicas mostram liquidez elevada: imóveis abaixo dos R$ 400 mil têm resistido à perda de fôlego do mercado imobiliário que afeta o Brasil em 2014. A oferta desse tipo de construção, inclusive, não consegue suprir a demanda. Apenas 19,7% dos imóveis desse tipo construídos em São Paulo nos últimos três anos ainda não foram comprados, segundo Leandro Caramel, superinendente de atendimento da imobiliária Habitcasa, do grupo Lopes. Jovens solteiros, casais sem filhos, e idosos, são os que mais procuram este tipo de imóvel. A maioria desse grupo é formada por pessoas que estão realizando sua primeira compra de imóvel, apoiados por financiamentos. O papel dos créditos, hoje mais do que nunca, é, portanto, fundamental na movimentação do mercado imobiliário brasileiro. Visto que compras de imóveis para investimento têm caído e que os imóveis mais procurados são os econômicos, o crédito liberado para compradores de renda mais baixa deve continuar permitindo que esse setor do mercado de imóveis siga sem perder o fôlego. Confira a seguir as reportagens do especial: Os caminhos para o financiamento imobiliário Compradores finais: dicas para não errar na hora de comprar um imóvel Três possibilidades para financiar um imóvel Existe uma bolha imobiliária prestes a estourar no Brasil? Conheça os diferentes cenários e preços do mercado imobiliário brasileiro Alternativas: as apostas das construtoras para um mercado imobiliário inchado