Crise virou oportunidade: como a Sarita deve faturar R$ 15 milhões com scrubs em 2025

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De agência de turismo a referência nacional em uniformes médicos, a Sarita nasceu de um improviso na crise sanitária e hoje vende para vários países
Em 2020, no auge da pandemia, Sara Mendes e Gleyton Gomes, de Fortaleza (CE), assistiram seu negócio desaparecer praticamente da noite para o dia. O casal, que há anos empreendia no setor de turismo, viu o faturamento da agência zerar com o fechamento das fronteiras e a paralisação das viagens em todo o mundo. Com três filhos e contas a pagar, precisaram agir rápido.
Foi numa conversa casual com a irmã de Sara, médica, que surgiu a ideia que mudaria o rumo da família. Em meio ao lockdown, os hospitais enfrentavam dificuldade para adquirir scrubs femininos e masculinos: as roupas cirúrgicas e hospitalares usadas por médicos, enfermeiros e demais profissionais de saúde. Sara, que já tinha experiência anterior com confecção, decidiu tentar produzir algumas peças por conta própria.
Em poucos dias, a primeira leva de scrubs ficou pronta. E a demanda não parou de crescer. “Era tanta procura que nós trabalhávamos madrugada adentro, dormíamos duas horas por noite para dar conta de atender os pedidos e organizar as entregas”, lembra Sara.
Assim nasceu a Sarita Scrubs e Jalecos, em abril de 2020, no auge da crise sanitária. O que começou como uma solução emergencial rapidamente se transformou em um negócio de crescimento acelerado. Em 2024, a empresa fechou o ano com faturamento de R$15 milhões e projeta chegar a R$18 milhões em 2025.
Expansão nacional — e além
Apesar de ter nascido no Nordeste, a Sarita rapidamente quebrou barreiras geográficas e ganhou alcance nacional. Hoje, cerca de 50% das vendas de scrubs e jalecos da empresa vêm da região Sudeste, especialmente de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Além disso, a marca já exporta para países como Argentina, Chile, Austrália, Estados Unidos e Porto Rico.
A estratégia digital foi essencial para essa expansão. Desde o início, o casal apostou no e-commerce, nas redes sociais e em marketing digital para alcançar clientes fora de Fortaleza. “Por estarmos no Nordeste, naturalmente enfrentamos um desafio maior de penetração nacional, principalmente por conta da logística. Mas sabíamos que o online poderia nos dar essa capilaridade”, afirma Gleyton Gomes.
A aposta deu certo. Com o crescimento de volume, a empresa passou a negociar melhores acordos logísticos com transportadoras — muitas delas já adaptadas ao boom do comércio eletrônico pós-pandemia. Hoje, a Sarita envia cerca de 100 pedidos por dia e consegue prazos de entrega de aproximadamente seis dias úteis para São Paulo, mesmo com a operação centralizada no Ceará.
Pronta-entrega como diferencial
No mercado de scrubs femininos, onde muitas empresas ainda trabalham sob encomenda, a Sarita encontrou um diferencial competitivo ao manter um estoque robusto e atender em pronta-entrega. “Produto bom já não é mais um diferencial, é obrigação. O que nos diferencia é a agilidade de entrega e a variedade de opções para todos os tipos de profissionais”, explica Sara.
A marca oferece uma grade ampla de tamanhos de scrubs e jalecos (que vai do 34 ao 50), além de uma extensa cartela de cores e designs funcionais, com diversos bolsos e tecidos tecnológicos. Muitos dos modelos são inspirados em marcas internacionais, como a americana FIGS, mas adaptados ao gosto brasileiro, que valoriza mais elementos de moda e estilo. “O brasileiro gosta de roupa bonita para trabalhar. Nosso desafio é unir estética, funcionalidade e conforto para jornadas longas de trabalho”, diz Sara.
Além de vender scrubs e jalecos para médicos e enfermeiros, a empresa ampliou o portfólio para atender clínicas odontológicas, veterinárias, estéticas e salões de beleza. Estudantes da área da saúde também se tornaram um público expressivo.
Novos passos: franquias e internacionalização
Após consolidar o modelo digital, a Sarita começou em 2025 a expansão física, com a abertura das primeiras lojas próprias e o desenvolvimento de um projeto de franquias. O franqueamento vem sendo estruturado diante do interesse de revendedores em diversas cidades do Brasil. Paralelamente, a empresa também intensifica os esforços de internacionalização, aproveitando a visibilidade que já vem conquistando no exterior.
Para apoiar essa nova fase de crescimento, a Sarita conta com o apoio de um conselheiro estratégico, Anderson Diehl, investidor anjo que gostou muito do negócio e está buscando aprender a escalar negócios físicos também. “Eu conheci o Gleyton e a Sara quando estava como palestrante convidado em uma imersão da Camila Farani. Vi características de crescimento de uma startup de base tecnológica no negócio deles e, como conselheiro estratégico, quero validar a hipótese de ajudar a escalar um negócio de economia real com as mesmas estratégias que utilizamos para escalar o crescimento de startups”. Ele tem auxiliado o casal principalmente na abertura de novos canais e buscando oportunidades em outras áreas e regiões em que a Sarita ainda não atua. “Ele tem sido muito importante para conectar a empresa a players estratégicos que, muitas vezes, não teríamos acesso sozinhos”, comenta Gleyton.
Mesmo com a entrada de novos concorrentes nesse mercado, impulsionado pela pandemia, o casal vê espaço para crescimento contínuo. “O mercado de scrubs femininos e masculinos ainda é jovem no Brasil e exige inovação constante. Acreditamos na combinação de qualidade, agilidade e preço acessível como nosso principal caminho de diferenciação”, resume Sara.











