De acordo com levantamento, apenas 42,3% dos empresários conseguem manter tanto suas finanças pessoais quanto as empresariais saudáveis, sem negativações A segunda edição do Boletim 'Empreender Brasil – Inteligência de Mercado para as MPMEs' revelou um panorama preocupante para os empreendedores brasileiros de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs). De acordo com o levantamento realizado pela Serasa Experian, 42,3% dos empresários conseguem manter tanto suas finanças pessoais quanto as empresariais saudáveis, sem negativações. No entanto, o estudo também aponta que quase 60% dos empreendedores enfrentam algum tipo de inadimplência, seja pessoal ou corporativa. O levantamento foi realizado a partir do cruzamento dos CNPJs das empresas com os CPFs de seus sócios. O estudo identificou quatro cenários principais: empresas e sócios com as contas em dia (42,3%); empresas negativadas com sócios sem dívidas (17,9%); empresas regulares com sócios inadimplentes (18,5%); e empresas e sócios negativados (21,3%). Fatores que contribuem para a inadimplência O tempo de existência da empresa foi um dos fatores que influenciaram os níveis de inadimplência. Empresas com até um ano de atividade apresentaram maior saúde financeira, com 66,7% mantendo contas pessoais e empresariais em dia. No entanto, o índice cai significativamente para 37,9% entre empresas com mais de 20 anos. Segundo a Pequenas Empresas & Grandes Negócios, Cleber Genaro, vice-presidente de pequenas e médias empresas da Serasa Experian, acredita que essa queda está relacionada ao acúmulo de negativações ao longo do tempo, além de fatores econômicos, como juros elevados e dólar valorizado, que pressionam os custos operacionais e afetam o fluxo de caixa das empresas. Genaro destaca que a alta demanda por crédito, associada à crescente inadimplência entre consumidores e empresas, tem criado obstáculos adicionais para a sustentabilidade financeira desses negócios. O Sudeste lidera com o maior percentual de empresas e empreendedores financeiramente saudáveis (51,9%), enquanto o Nordeste é a região com o maior índice de inadimplência, com 26,9% das empresas e sócios em situação de dívida. O setor comercial é o que apresenta o maior número de empresas negativadas (24,6%), seguido pela indústria (23,7%) e serviços (19,7%). A importância da separação de finanças Uma das principais conclusões da pesquisa é a necessidade de uma clara separação entre as finanças pessoais dos sócios e as finanças empresariais. Genaro ressalta que essa divisão é crucial para que os gestores possam ter uma visão clara da situação financeira do negócio e tomar decisões mais acertadas, como investir ou reduzir custos. “Esse é o primeiro passo para garantir o crescimento e o sucesso das empresas”, concluiu.