Empresas como Eletropaulo, Bradesco, Braskem, Fibria, Marfrig, Suzano Papel e Celulose e Vale estão estimulando os fornecedores de suas cadeias de produção a implementarem medidas de redução do impacto ambiental. Ao menos essa é a intenção do programa CDP Supply Chain Brasil, que envolve 2415 empresas, sendo 2363 fornecedores e 52 companhias com um poder de compra que, somado, chega a US$ 1 trilhão. O programa é realizado pelo CDP, ONG internacional que atua junto a investidores e empresas de todo o mundo para prevenir as mudanças climáticas e proteger os recursos naturais através da alocação eficiente de capital. Segundo um estudo feito com as respostas de 202 desses fornecedores, 38% deles acreditam que os impactos de mudanças climáticas nos negócios já podem ser sentidos ou começarão a ser percebidos nos próximos cinco anos – fato associado diretamente a aumento no custo de operação e a redução da capacidade de produção. “Sabemos que a cadeia de fornecimento é responsável diretamente pelo resultado de uma empresa. Estamos falando aqui de influências diretas em receita, qualidade do produto final, percepção do consumidor. Por isso, é extremamente importante que as grandes empresas não apenas invistam em mitigar seu impacto junto ao meio-ambiente, mas também incentivem seus fornecedores a fazê-lo”, acredita Fernando Eliezer Figueiredo, diretor do CDP Brasil. Outros dados do estudo 554 pedidos de informações foram enviados a fornecedores latino-americanos, sendo 413 brasileiros. 49% do universo brasileiro de fornecedores responderam ao programa, contra um índice global de respostas de 39% 29% dos fornecedores brasileiros acreditam que os impactos das mudanças climáticas já estão sendo sentidos através das fortes secas ou inundações que afetam direta ou indiretamente todos os negócios, contra 25% que acha que tais impactos serão percebidos apenas daqui a 6 a 10 anos; Semelhante aos resultados globais, existe um hiato entre as respostas dos fornecedores e das empresas compradoras em todos os resultados. Por exemplo, enquanto 57% dos membros brasileiros do CDP Supply Chain Brasil têm metas definidas para redução de emissões, apenas 13% de seus fornecedores fazem o mesmo; O número de fornecedores que investem em ações de redução de emissões caiu de 23% em 2011 para 13% em 2012. No entanto, na comparação entre os dois anos, há uma melhoria de 100% em iniciativas de redução de emissões (8% dos respondentes em 2011 contra 17% em 2012); 43% dos membros brasileiros investem para mitigar os riscos das mudanças climáticas através da redução de emissões. Por outro lado, como vimos no item anterior, apenas 13% de seus fornecedores que responderam ao questionário fazem o mesmo; Os 13% dos fornecedores brasileiros que reportaram investir na redução de emissões sinalizam economias monetárias de US$ 14 milhões; 63% dos respondentes identificam um risco relacionado às mudanças climáticas, atual ou futuro, com potencial de afetar de forma expressiva suas receitas ou negócios; 72% das empresas que investem em iniciativas de redução das emissões percebem que as mudanças climáticas representam um risco físico para suas operações, em comparação com 32% que não estão investindo em tais iniciativas.