ABRH-SP destaca que habilidades desenvolvidas na experiência materna seguem subestimadas no ambiente corporativo, apesar da alta demanda por esse perfil no mercado Em um cenário corporativo que valoriza cada vez mais competências como liderança, inteligência emocional e capacidade de adaptação, a maternidade ainda permanece pouco reconhecida como uma experiência capaz de desenvolver exatamente essas habilidades. Neste mês das mães, a ABRH-SP alerta para a contradição enfrentada por mulheres que, mesmo adquirindo competências consideradas estratégicas pelas empresas, continuam encontrando obstáculos para crescer profissionalmente. De acordo com a entidade, a rotina da maternidade exige diariamente atributos como gestão de prioridades, tomada de decisão em situações de pressão, negociação, resiliência, flexibilidade e inteligência emocional. No entanto, essas capacidades frequentemente deixam de ser valorizadas quando não são adquiridas dentro do ambiente corporativo tradicional. 'Existe uma contradição clara no mercado. As empresas dizem buscar profissionais mais resilientes, adaptáveis e com alta capacidade de gestão, mas muitas vezes deixam de reconhecer justamente uma das experiências que mais desenvolvem essas habilidades na prática', afirma Eliane Aere, presidente da associação. Estudos internacionais reforçam a relação entre maternidade e desenvolvimento profissional. A pesquisa Parenthood and Productivity of Highly Skilled, conduzida pelo Federal Reserve Bank of St. Louis, acompanhou cerca de 10 mil economistas ao longo de três décadas e identificou que mulheres com dois ou mais filhos registraram, em média, índices mais altos de produtividade durante a carreira em comparação a mulheres sem filhos e também a homens em diferentes momentos profissionais. Apesar disso, o impacto da maternidade sobre a carreira feminina ainda é marcado por desigualdades. O levantamento The Daughter Penalty, realizado pelo Institute for Fiscal Studies, mostra que a perda salarial após o nascimento do primeiro filho pode alcançar aproximadamente 30% ao longo da trajetória profissional, com reflexos que permanecem por mais de dez anos. Para a ABRH-SP, esses dados evidenciam a necessidade de rever os critérios utilizados pelo mercado na avaliação de competências e potencial de liderança. 'Quando essas competências são desenvolvidas em MBAs, cursos ou programas corporativos, elas são valorizadas. Mas, quando vêm da experiência da maternidade, muitas vezes são tratadas como algo secundário ou até como um obstáculo profissional', afirma Eliane. Além das habilidades comportamentais, pesquisas científicas também indicam transformações cognitivas relacionadas à maternidade. Um estudo publicado na revista Nature Neuroscience revelou que a gravidez provoca alterações estruturais duradouras no cérebro feminino, principalmente em áreas associadas à empatia, leitura de contexto e regulação emocional, capacidades consideradas fundamentais para funções de liderança e gestão de equipes. Na visão da entidade, reconhecer essas competências não significa romantizar a maternidade, mas compreender de forma mais atualizada como o desenvolvimento profissional acontece na prática. 'Não estamos falando apenas de inclusão ou diversidade. Estamos falando de reconhecer competências reais, que são exercidas diariamente e que têm impacto direto na forma como essas profissionais lideram, resolvem problemas e tomam decisões', conclui a presidente da ABRH-SP. Sobre a ABRH-SP A Associação Brasileira de Recursos Humanos – Seccional São Paulo (ABRH-SP) é uma entidade sem fins lucrativos reconhecida como uma das principais referências em gestão de pessoas no país. Com mais de 55 anos de atuação, reúne profissionais e empresas comprometidos com o desenvolvimento e a excelência em Recursos Humanos. A instituição conta com mais de 3 mil associados e promove mais de 100 eventos por ano. Seu corpo diretivo e consultivo é formado por especialistas renomados que acompanham de perto as transformações e tendências do setor. Além da capital paulista, a ABRH-SP mantém presença em nove regionais no estado de São Paulo, fortalecendo o desenvolvimento da área de gestão de pessoas em diferentes regiões do país.