TOTVS alerta que adaptação aos novos tributos dependerá diretamente dos sistemas de gestão para garantir continuidade das operações A Reforma Tributária tem sido discutida principalmente sob a ótica das novas alíquotas, das negociações políticas e das regras de transição. No entanto, para a TOTVS, maior empresa de tecnologia do Brasil, existe um aspecto que ainda recebe menos atenção do que deveria: a capacidade tecnológica das empresas para operar dentro do novo modelo tributário. Com a previsão de início da cobrança da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) a partir de agosto de 2026, organizações de todos os setores precisarão adaptar seus sistemas de gestão para atender às novas exigências fiscais. Caso contrário, correm o risco de enfrentar rejeições na emissão de documentos fiscais, comprometendo diretamente processos de venda, faturamento e entrega. Reforma tributária vai muito além de uma atualização de sistema Segundo a TOTVS, muitas empresas ainda encaram a reforma como uma simples atualização tecnológica. Na prática, porém, a mudança exige uma revisão estrutural dos sistemas que sustentam a operação dos negócios. De acordo com Rodrigo Sartorio, diretor-executivo de Produtos da TOTVS, a transição demandará adequações profundas em diferentes frentes, incluindo cadastros corporativos, implementação do novo CNPJ alfanumérico, reformulação das regras de cálculo tributário e novas rotinas de apuração e gestão documental. Nesse contexto, os ERPs passam a ocupar um papel estratégico, deixando de ser apenas ferramentas operacionais para se tornarem elementos centrais na conformidade fiscal e na continuidade das atividades empresariais. 'O relógio está correndo, e a preparação tecnológica para a reforma é um projeto complexo e, ainda, sem um prazo concreto para acabar. A pergunta que todo líder deveria se fazer hoje não é 'se' sua empresa precisará de tecnologia para se adaptar, mas 'quando' ela irá começar a implementar essa jornada. E para a reforma tributária, o quando é agora', destaca Rodrigo Sartorio. TOTVS estrutura jornada para adaptação ao novo modelo tributário Para apoiar empresas durante o período de transição, que deverá manter simultaneamente os modelos tributários antigo e novo por vários anos, a TOTVS desenvolveu uma jornada tecnológica composta por quatro etapas. O primeiro estágio envolve conscientização e capacidade de simulação. A proposta é permitir que as empresas utilizem ferramentas capazes de projetar diferentes cenários tributários, avaliando impactos sobre fluxo de caixa, formação de preços, margens e benefícios fiscais. Mais do que atender a uma obrigação regulatória, essa etapa busca transformar a reforma em uma fonte de inteligência estratégica para o negócio. ERP será peça central da nova operação fiscal Na segunda etapa, o sistema de gestão assume papel fundamental. Segundo a companhia, será indispensável contar com um ERP flexível, preparado para absorver mudanças frequentes e permitir parametrizações rápidas de regras tributárias, exceções e vigências legais. Essa capacidade reduz a dependência de customizações complexas e garante maior agilidade diante das constantes atualizações previstas para os próximos anos. Ao mesmo tempo, a gestão de documentos eletrônicos ganha protagonismo dentro do novo modelo fiscal. Os documentos digitais passarão a desempenhar papel central na apuração de tributos, na recuperação de créditos e na operacionalização de mecanismos futuros, como o split payment. A expectativa é de um crescimento significativo no volume de informações trafegadas entre empresas e órgãos reguladores, exigindo ambientes tecnológicos preparados para emissão, recepção, validação e armazenamento desses dados. Automação será essencial para reduzir riscos fiscais A etapa final da jornada proposta pela TOTVS está relacionada à apuração automatizada dos tributos. Com o avanço dos modelos de fiscalização digital e da chamada apuração pré-assistida, a qualidade das informações se tornará ainda mais relevante. Nesse cenário, sistemas capazes de garantir rastreabilidade, consistência de dados e conformidade regulatória serão fundamentais para minimizar riscos de autuações e atender às novas obrigações acessórias. Para a companhia, a Reforma Tributária representa não apenas uma mudança fiscal, mas também uma das maiores transformações tecnológicas já enfrentadas pelas empresas brasileiras, tornando a preparação dos sistemas de gestão uma prioridade estratégica para os próximos meses.