O e-mail que você escreve estressado às 17h deveria dormir na caixa de rascunhos

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Uma resposta imediata traz alívio, mas mensagens escritas no calor do momento costumam defender emoções que já não parecem tão importantes algumas horas depois
Existe uma regra informal que vale ouro no trabalho: quanto maior a vontade de responder imediatamente, maior a chance de ser melhor esperar um pouco.
Um cliente fez uma cobrança injusta. Um colega respondeu de forma atravessada. Seu chefe criticou algo que você considera correto.
A primeira versão da resposta aparece quase pronta na cabeça.
E normalmente vem acompanhada de ótimos argumentos.
O problema é que, naquele momento, você não está apenas tentando resolver a situação. Também está tentando corrigir a injustiça, defender sua imagem e devolver parte do desconforto que acabou de receber.
Em Rápido e devagar: duas formas de pensar, Daniel Kahneman explora justamente a convivência entre respostas rápidas e intuitivas e processos mentais mais lentos e deliberados. Algumas decisões profissionais melhoram bastante quando damos tempo para o segundo entrar na conversa.
A primeira versão costuma querer vencer
Leia um e-mail escrito com irritação algumas horas depois.
Algumas frases parecem diferentes.
O parágrafo destinado a “colocar os fatos no lugar” talvez soe mais agressivo do que necessário.
A ironia que parecia brilhante perde a graça.
E aquela frase final, escrita apenas para deixar clara sua insatisfação, começa a parecer completamente dispensável.
Isso acontece porque o objetivo mudou.
No calor da emoção, você queria responder à pessoa.
Depois, fica mais fácil responder ao problema.
O teste das três versões funciona melhor do que parece
Quando a mensagem for importante e houver margem de tempo, experimente escrever normalmente e não enviar.
Volte depois e faça três cortes:
retire aquilo que existe apenas para demonstrar irritação;
separe fatos de interpretações;
deixe explícito qual resultado você espera depois da mensagem.
Em muitos casos, um texto de seis parágrafos vira três.
E fica melhor.
Para quem quiser explorar com mais profundidade como intuição, emoção e análise interferem nas escolhas profissionais, o novo Administradores Premium apresenta um playbook em áudio que percorre conceitos importantes de Rápido e devagar: duas formas de pensar e os relaciona a situações práticas de julgamento e tomada de decisão.
Nem toda resposta precisa esperar até amanhã
Existem situações urgentes.
Um cliente precisa de retorno imediato. Um problema operacional não permite horas de espera. Uma informação incorreta precisa ser corrigida rapidamente.
A questão não é transformar prudência em lentidão.
É reconhecer quais respostas possuem consequências duradouras demais para serem escritas exclusivamente pelo estado emocional de cinco minutos.
O conteúdo relacionado a Rápido e devagar: duas formas de pensar também faz parte da Biblioteca do novo Administradores Premium, junto a materiais editoriais sobre grandes livros, pensadores, teorias, filosofias e metodologias.
O playbook oferece uma introdução aplicada a algumas das reflexões de Kahneman e abre caminho para aprofundá-las posteriormente na obra original.
Há mensagens que precisam ser enviadas rápido. E há outras que ficam muito melhores depois de passar uma noite sem serem enviadas.









