Por que empresas inteligentes criam planos para projetos que esperam nunca precisar usar

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Planos de contingência podem parecer desperdício quando tudo funciona. O problema é descobrir que eles eram necessários justamente no momento em que já não existe tempo para prepará-los
Uma empresa perde seu principal fornecedor de um dia para o outro.
Um sistema essencial fica indisponível.
Um funcionário que concentra conhecimento crítico pede demissão.
Um cliente responsável por uma parcela importante da receita encerra o contrato.
Nenhuma dessas situações precisa acontecer para justificar preparação. Na gestão, algumas das decisões mais importantes são tomadas justamente para cenários que todos esperam evitar.
É por isso que organizações mais maduras não planejam apenas aquilo que pretendem fazer. Elas também pensam antecipadamente no que farão quando o plano original deixar de funcionar.
O melhor momento para discutir uma crise é quando ela ainda não existe
Durante uma emergência, duas coisas costumam faltar: informação e tempo.
A liderança precisa tomar decisões rapidamente enquanto tenta descobrir a dimensão do problema.
Se perguntas básicas ainda precisam ser respondidas nesse momento, a reação fica mais lenta.
Quem possui autoridade para interromper uma operação?
Qual fornecedor pode assumir uma entrega emergencial?
Onde estão as informações necessárias para restaurar um sistema?
Quem assume determinado projeto se seu responsável ficar indisponível?
Responder a essas perguntas antecipadamente reduz improvisações justamente quando elas são mais perigosas.
O funcionário indispensável também pode ser um risco
Algumas empresas possuem processos inteiros que dependem de uma única pessoa.
Só ela conhece determinada planilha.
Só ela sabe negociar com aquele fornecedor.
Só ela possui acesso a certas informações.
Enquanto essa pessoa permanece disponível, a situação pode até parecer eficiente.
O problema aparece nas férias, em uma ausência inesperada ou quando ela deixa a organização.
Mapear conhecimento crítico, documentar processos e preparar substituições não diminui a importância de bons profissionais. Evita que competência individual se transforme em vulnerabilidade empresarial.
Projetos também precisam de uma saída de emergência
Um projeto pode atrasar, ultrapassar o orçamento ou perder relevância antes da conclusão.
Ainda assim, muitas equipes definem detalhadamente como começar e quase nada sobre quando mudar de direção.
É aqui que planejamento de contingência e gestão de projetos se encontram.
O Curso Gestão de Projetos, disponível no Administradores Premium, ajuda profissionais a estruturar planejamento, execução e acompanhamento de iniciativas, competências importantes para antecipar riscos e reagir quando o projeto deixa de seguir o cenário originalmente previsto.
Ter um plano B não significa acreditar menos no plano A
Existe uma resistência comum à contingência: imaginar cenários negativos pode parecer pessimismo.
Na realidade, preparar alternativas permite assumir determinados riscos com mais segurança.
Uma empresa pode depender de um fornecedor porque ele oferece condições excelentes. Mas também pode manter fornecedores alternativos previamente avaliados.
Pode concentrar recursos em um produto promissor enquanto estabelece critérios que indiquem quando reconsiderar o investimento.
Pode adotar uma tecnologia importante e, simultaneamente, definir como a operação continuará se ela ficar indisponível.
Convicção e preparação não são opostos.
Nem todo risco merece o mesmo nível de preparação
Tentar criar planos detalhados para qualquer coisa que possa dar errado produziria outra forma de desperdício.
O objetivo é identificar eventos que combinam probabilidade relevante e impacto elevado, além daqueles que, mesmo improváveis, poderiam ameaçar a continuidade do negócio.
Uma pergunta simples ajuda:
“Se isso acontecer amanhã, quanto tempo teremos para reagir?”
Quanto menor for a resposta, maior costuma ser o valor de pensar antes.
Um bom plano também precisa dizer quem decide
Imagine que a empresa tenha previsto perfeitamente uma crise, mas ninguém saiba quem possui autoridade para executar o plano alternativo.
A preparação falhou.
Contingências precisam incluir responsabilidades, critérios de acionamento e prioridades. Caso contrário, o documento existe, mas a organização continua dependendo de decisões improvisadas.
Talvez o melhor plano de contingência seja aquele que passa anos guardado sem nunca precisar ser utilizado. Isso não significa que o trabalho para construí-lo foi desperdiçado.
Significa apenas que a empresa comprou antecipadamente algo difícil de conseguir quando uma crise começa: tempo para pensar antes de precisar reagir.









