Quanto mais tempo você fica em um emprego, mais difícil parece sair dele

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Estabilidade traz benefícios reais. Mas anos de carreira também acumulam referências, benefícios e receios que fazem uma mudança parecer progressivamente mais arriscada
Cinco anos de empresa não são apenas cinco anos de experiência.
São cinco anos entendendo como tudo funciona.
Você conhece as pessoas certas, domina os processos, conquistou confiança, acumulou benefícios e já sabe como navegar até pelos problemas que irritam todo mundo.
Então aparece uma oportunidade fora.
Cargo melhor. Salário maior. Um desafio diferente.
Ainda assim, deixar o emprego atual parece muito mais assustador do que provavelmente pareceria alguns anos antes.
Em Rápido e Devagar: duas formas de pensar, Daniel Kahneman discute como nossa percepção de ganhos e perdas interfere nas decisões. Uma das ideias associadas a esse campo ajuda a entender um comportamento especialmente relevante para a carreira: perder aquilo que já possuímos costuma pesar de maneira diferente da possibilidade de conquistar algo novo.
Uma proposta nova precisa competir com coisas que não aparecem no salário
Compare duas vagas de R$ 10 mil.
Uma é seu emprego atual.
A outra acaba de ser oferecida por uma empresa diferente.
Financeiramente, parecem equivalentes. Psicologicamente, não são.
Na primeira, você já conhece seu chefe. Sabe quanto trabalho existe. Possui reputação. Conhece os colegas. Talvez tenha flexibilidade conquistada ao longo dos anos.
Na segunda, quase tudo ainda é hipótese.
É por isso que uma oportunidade aparentemente melhor precisa, muitas vezes, superar uma espécie de prêmio invisível da familiaridade.
“Aqui pelo menos eu sei como funciona” tem um preço
A frase aparece com frequência quando profissionais consideram mudar de emprego.
E contém uma verdade.
Trocar de empresa realmente envolve risco.
O problema surge quando familiaridade passa a ser confundida automaticamente com qualidade.
Um ambiente conhecido pode continuar oferecendo pouco crescimento.
Uma função confortável pode ter deixado de desenvolver novas competências.
Um emprego previsível também consegue manter alguém durante anos em uma trajetória que já não deseja seguir.
Para quem quiser aprofundar como nossa percepção de risco, ganhos e perdas interfere nas escolhas, o novo Administradores Premium apresenta um playbook em áudio que explora ideias importantes de Rápido e devagar: duas formas de pensar e aproxima as reflexões de Kahneman de decisões concretas da vida profissional.
Permanecer também é uma decisão de carreira
Esse detalhe costuma desaparecer da análise.
Mudar parece uma escolha ativa. Ficar parece simplesmente continuar.
Mas os dois caminhos produzem consequências.
Ao permanecer por mais três anos, o profissional também escolhe quais experiências terá, quais competências desenvolverá, qual remuneração receberá e quais oportunidades deixará passar.
O Playbook relacionado a Rápido e devagar: duas formas de pensar também integra a Biblioteca do novo Administradores Premium, junto a conteúdos sobre grandes livros, pensadores, teorias, filosofias e metodologias. Ele oferece uma introdução aplicada a algumas das ideias de Kahneman e pode estimular o aprofundamento delas posteriormente na obra original.
Sair de um emprego conhecido sempre envolve abrir mão de alguma coisa concreta em troca de algo ainda incerto.
O conforto ganha muitas decisões de carreira sem precisar provar que o futuro dentro dele será melhor.









