Ser sincero demais pode destruir uma equipe. Evitar conversas difíceis também

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Em Sinceridade Radical, Kim Scott propõe uma forma de lidar com um dos dilemas mais delicados da liderança: como dizer aquilo que precisa ser dito sem transformar franqueza em falta de respeito
Um funcionário apresenta um trabalho abaixo do esperado.
O gestor percebe.
Mas ele é dedicado, está há anos na empresa e os dois possuem uma boa relação. Para evitar uma conversa desconfortável, o líder faz algumas correções sozinho e segue em frente.
Semanas depois, acontece novamente.
Depois de meses, o problema finalmente se torna grande demais para ser ignorado. E o funcionário recebe uma avaliação muito pior do que imaginava.
Para ele, a pergunta é inevitável:
Por que ninguém me falou isso antes?
Esse tipo de situação está no centro de Sinceridade Radical, de Kim Scott, obra que discute como líderes podem combinar duas atitudes que às vezes parecem incompatíveis: importar-se genuinamente com as pessoas e, ao mesmo tempo, confrontá-las diretamente quando necessário.
Poupar alguém de um feedback pode não ser gentileza
Evitar uma conversa difícil produz um benefício imediato.
Ninguém fica constrangido. O relacionamento permanece agradável. A reunião termina rapidamente.
O custo aparece depois.
Sem saber que existe um problema, o profissional não possui oportunidade real de corrigi-lo. O gestor começa a acumular frustrações e aquilo que poderia ter sido uma pequena conversa se transforma em uma avaliação negativa meses depois.
Feedback útil precisa chegar enquanto ainda existe tempo para fazer alguma coisa com ele.
Franqueza não é autorização para ser grosseiro
O extremo oposto também causa problemas.
Alguns profissionais utilizam a defesa da “sinceridade” para justificar comentários agressivos, constrangimentos públicos ou críticas sem qualquer preocupação com quem as recebe.
Scott propõe outra lógica.
Questionar diretamente precisa caminhar junto com demonstrar consideração pessoal. Isso significa falar sobre problemas com clareza sem transformar uma falha profissional em julgamento sobre a pessoa.
“Esse relatório precisa melhorar” abre uma conversa.
“Você é desorganizado” cria outra completamente diferente.
Bons líderes também precisam ouvir aquilo que incomoda
A lógica vale nos dois sentidos.
Um gestor que deseja construir um ambiente de franqueza precisa permitir que a equipe também questione suas decisões, comportamentos e maneiras de trabalhar.
É fácil defender feedback honesto quando somos nós que o oferecemos.
Recebê-lo exige mais.
Para quem quiser explorar essa discussão, o novo Administradores Premium oferece um playbook em áudio que analisa as principais lições de Sinceridade Radical e mostra como aplicá-las na prática, especialmente em situações envolvendo feedback, liderança e relações profissionais.
O conteúdo pode servir como ponto de partida para conhecer as ideias da autora e aprofundá-las posteriormente na própria obra.
A conversa desconfortável de hoje pode evitar uma conversa muito pior amanhã
Equipes não precisam transformar cada pequeno erro em uma grande sessão de feedback.
Mas problemas relevantes também não deveriam permanecer escondidos em nome de uma harmonia temporária.
Quando existe confiança, uma crítica deixa de significar necessariamente ataque. Ela pode representar exatamente o contrário: alguém considerou seu desenvolvimento importante o suficiente para não esconder aquilo que você precisava saber.
E talvez esse seja um dos testes mais difíceis de uma boa relação profissional: conseguir dizer a verdade sem deixar de se importar com a pessoa que vai ouvi-la.









