A Teoria dos Traços

Luiz Gustavo Negro Vaz

artigo de

16/01/2013
5 min leitura

Resumo

A Teoria dos
Traços vê a liderança como resultado de uma combinação de
traços, enfatizando especialmente as qualidades pessoais do líder, onde o mesmo
deveria possuir certas características de personalidade especiais que seriam facilitadoras
no desempenho da liderança. Nesta teoria são enfatizadas qualidades intrínsecas
da pessoa.

Esta teoria permite concluir
que os líderes já nascem como tal, não havendo a probabilidade de “fazê-los”
posteriormente por meio do uso de técnicas de desenvolvimento pessoal.

A visão de liderança – de que
os líderes nascem feitos, e não aprendem a ser líderes – ainda é de fato
popular, embora não entre os pesquisadores.
Esta teoria dos traços predominou até a década de quarenta, passando estas características
a serem estudadas dentro de uma perspectiva universalista, como elementos em si
mesmos, não importando a situação e demais fatores em meio às ações dos
líderes. Não eram correlacionadas as características, a outros aspectos
relevantes, como se a liderança era eficaz ou não, ou a circunstâncias que
poderiam interferir no processo.

Quanto à sua natureza, esses
traços não eram considerados como produtos do meio. Dentro desse enfoque
teórico são concebidos como características pessoais inatas.

Por um lado, esta abordagem
acerca da consistência da teoria dos traços de personalidade, mostrou que o
líder não é o mesmo, não agindo sempre da mesma forma, visto que falhou ao
identificar as características únicas que os identificariam. Porém, identificou
traços constantemente associados à liderança, que podem proporcionar sucesso
por diferenciarem os líderes dos não-líderes, tal como, desejo de liderar,
honestidade e integridade, autoconfiança e ambição.

Como alternativa a esta
teoria, os estudos de liderança procuraram enfatizar o comportamento do líder
perante determinada situação, onde o enfoque da abordagem situacional é o
comportamento tal como é observado, e não alguma hipotética habilidade ou
potencialidade inata ou adquirida de liderança.

Por tratar-se de sua difícil
aplicabilidade da teoria dos traços de personalidade, os estudiosos saíram dos
estudos da teoria dos traços de personalidade para a teoria
comportamental.

Os autores desta abordagem
defendem que todos os indivíduos possuem diversos traços de personalidade,
variando entre elas quanto ao grau em que este está presente. O maior desafio
para esta abordagem consiste na identificação dos traços primários necessários
na descrição da personalidade. Os diferentes teóricos desta abordagem têm desenvolvidos
um esforço consistente para apresentar conjuntos de traços extraordinariamente
diferentes:

·
A Teoria dos Traços de
Personalidade
é um modelo de personalidade que procura identificar os
traços básicos necessários à descrição da personalidade.

·
Os traços podem ser
definidos como características permanentes da personalidade que diferem de
pessoa para pessoa.

Destacamos
os teóricos e seus trabalhos tais como:

ü Gordon Allport

·
Examinou sistematicamente
um dicionário e encontrou 18.000 termos que podiam ser usados para descrever
a personalidade;

·
Reduziu essa lista para 4
500 termos, através da eliminação de termos sinônimos;

·
No final confrontou-se com
um problema crucial: quais destes são os fundamentais?

Para responder a esta questão estabeleceu três tipos básicos de traços: cardinais, centrais e secundários
(Alpport, G., 1966):

·
Traço cardinal: É uma característica única que orienta a maioria das atividades da
pessoa (uma pessoa generosa por natureza pode dirigir a sua atividade para
ações de caráter humanitário; alguém que tenha uma inesgotável sede de poder
pode orientar a sua vida pela sua permanente necessidade de controle); Regra
geral as pessoas não desenvolvem este tipo de traços cardinais abrangentes, em
vez disso, possuem um conjunto de
traços centrais que constituem
a base da personalidade.

·
Traços centrais: Como honestidade, sociabilidade, são características fundamentais da
pessoa; Habitualmente são entre cinco e dez.

·
Traços secundários: São
características que influenciam o comportamento em menor grau, em menos
situações, sendo menos centrais que os traços
cardinais.
(gostar de praticar esportes radicais, ou não gostar de
arte moderna).

Mais recentemente, a
identificação dos traços primários centrou-se numa técnica estatística designada de análise fatorial.

·
A análise fatorial: É
um método que consiste em sintetizar as relações entre um grande número de
variáveis num número menor e num padrão mais geral. Por exemplo, pode-se
administrar um questionário a muitas
pessoas solicitando-lhes que se identifiquem com uma extensa lista de
traços. Ao combinar estatisticamente as respostas e calcular quais os
traços que estão associados numa mesma
pessoa, o investigador pode identificar um padrão fundamental ou combinação de
traços – chamados fatores
que estão subjacentes às respostas dos participantes.

ü Raymond
Catell

·
Propôs, em 1965, que
as características que podem ser observadas numa dada situação representam 46 traços superficiais,
ou agrupamentos de comportamentos relacionados, pode-se encontrar um bibliotecário simpático, gregário, que nos auxilia na
pesquisa e, após um conjunto de interações com ele, chega-se à conclusão
que também possui uma característica: sociabilidade
– nos termos do modelo de Catell, este é um traço de superfície.

·
Este
traço de superfície está baseado nas percepções e representações que os
indivíduos têm sobre a personalidade, e que estão na base, na origem do
comportamento

Continuando
a análise fatorial, Catell descobriu outros 16
traços básicos, que representam as dimensões básicas da
personalidade. Usando estes traços
básicos, construiu o Questionário dos Dezesseis Fatores de Personalidade, ou 16
PF, uma medida que proporciona valores para cada um destes traços de personalidade.

·
Os perfis de personalidade são desenhados com
base nas seguintes dicotomias de traços de personalidade: oreservado/expressivo, menos inteligente/mais inteligente, influenciado
por sentimentos/ emocionalmente estável, submisso/dominante,
sério/despreocupado, expedito/arriscado, tímido/aventureiro, duro/sensível,
confiante/desconfiado, prático/imaginativo, direto/evasivo,
autoconfiante/apreensivo, conservador/ /experimentador, dependente do grupo/auto-suficiente,
descontrolado/controlado, calmo/tenso.

ü Hans
Heysenck

·
Utilizou também a análise
fatorial para identificar os padrões de traços, no entanto chegou a conclusões diferentes sobre a natureza da personalidade.

·
Encontrou três termos que
correspondem a três dimensões fundamentais: extroversão, neuroticismo e psicoticismo.

·
A extroversão relaciona-se
com o grau de sociabilidade, enquanto que a dimensão neurótica incl

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