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Ser o maior do bairro vale mais que ser irrelevante no mundo?

Bruno Perin
Bruno Perin
14 set 2026 às 16:16
Última atualização: 22 set 2026
6 min leitura
14 set 2026 às 16:16
6 min leitura
Última atualização: 22 set 2026
Ser o maior do bairro vale mais que ser irrelevante no mundo?

Foto: Divulgação/Ricardo Magri

O presidente de uma empresa de 60 anos na Amazônia revela por que disciplina, rotina e foco regional podem ser a estratégia mais subestimada dos C-Levels.

Ricardo Pio é presidente da Real Bebidas da Amazônia, empresa fundada em 1964 e pioneira no envase de água mineral em Manaus. Terceira geração à frente do negócio, Ricardo é administrador com pós-graduação em Controladoria e Auditoria, e em Inteligência Comercial — começou como estagiário no setor de contabilidade, passou por logística e comercial, até assumir a presidência em 2022. Com uma operação que produz mais de 10 milhões de litros de refrigerante e 6 milhões de litros de água mineral por mês, e que atravessa um processo de recuperação judicial, Ricardo traz uma perspectiva rara: a de quem precisa equilibrar a sobrevivência operacional com a visão estratégica de longo prazo, no coração da Amazônia.

1. Transitar entre o tático e o estratégico: o segredo das decisões que resistem ao tempo

Pergunta: Como você decide entre agir rápido e esperar mais dados quando o prazo está apertando?

Insight de Ricardo Pio: “Você precisa ter uma flexibilidade muito grande para transitar entre operacional e estratégico de forma muito rápida. Resiliência é fundamental. O retorno é muitos fatos e dados. Quando enxergo que aquilo não tem margem de erro grande, é bem assertivo, tomo rápido. Experiência do negócio é fundamental usar. Ultimamente temos crescido bem no mundo wellness.”

O ponto-chave aqui não é “decida com dados” — isso todo mundo diz. É a capacidade de alternar entre dois modos cognitivos diferentes sem travar. A maioria dos C-Levels ou está afogada no operacional (e perde a visão estratégica) ou voa tão alto que não entende o que acontece no chão de fábrica. Ricardo adiciona um contraponto decisivo: quando os dados mostram que a margem de erro é baixa, decida rápido. Quando não, use a experiência do negócio como bússola. E a menção ao crescimento no wellness não é casual — é exemplo de uma decisão data-driven que está gerando resultado concreto em meio a um cenário de recuperação judicial. Para C-Levels, o risco de ignorar isso é claro: paralisia por análise quando a janela de oportunidade fecha.

2. A soft skill que ninguém avalia — mas que destrói equipes inteiras

Pergunta: Qual é a habilidade comportamental que mais impacta o resultado de uma empresa hoje?

Insight de Ricardo Pio: “Facilidade em transitar entre as áreas, conseguir falar com todos. Isso é fundamental para dar certo. Já trouxe muito gente boa, mas que não sabiam transitar e depois isso gerava problema, não fluía.”

Ricardo está descrevendo algo que acadêmicos chamam de boundary spanning — a capacidade de cruzar fronteiras organizacionais e criar conexão entre áreas que naturalmente não se falam. A armadilha que ele descreve é real e cara: contratar talento técnico excepcional que não consegue dialogar com outras áreas gera silos, retrabalho e, pior, decisões desconectadas. O custo de um executivo brilhante que não transita é maior do que o de um profissional medianamente competente que conecta pessoas. Para C-Levels, isso significa que na hora de montar o time sênior, a capacidade de comunicação cross-functional não é um diferencial — é critério eliminatório. Ignorar isso gera a frustração clássica do “contratei o melhor do mercado, mas nada avança”.

3. O gigante local: por que focar no quintal pode ser a melhor estratégia

Pergunta: Como manter o olhar na estratégia quando o dia a dia puxa para o operacional?

Insight de Ricardo Pio: “Nosso negócio é regional, valorizamos a tradição. Tento manter muito o pé no chão, assim eu mantenho a visão na estratégia. Já tivemos ideias bem interessantes, vamos exportar água da Amazônia, algo assim, tem que participar de muitas feiras, certificados para conseguir avançar. E quando tu olha a oportunidade de ser gigante localmente, vejo que é melhor olhar pra isso.”

Há uma tentação constante em empresas estabelecidas: a vontade de expandir geograficamente para provar ambição. Ricardo oferece um contraponto pragmático: exportar água da Amazônia é uma ideia sedutora, mas exige uma infraestrutura de certificações, feiras e canais que consome tempo e capital. A pergunta estratégica não é “podemos expandir?” mas “expandir é a melhor alocação de recursos agora?”. Focar em ser o gigante local significa dominar distribuição, marca e relacionamento em um mercado que você conhece profundamente — uma posição mais defensável e mais lucrativa do que ser um player marginal em dez mercados. Para C-Levels, a lição é direta: ambição sem foco é desperdício.

A Revolução Silenciosa Que Está Mudando o Jogo

Enquanto startups prometem disrupção global e C-Levels correm atrás do próximo “unicorn”, uma revolução silenciosa acontece em empresas regionais que dominam seus mercados com disciplina operacional e foco implacável.

A Coca-Cola não nasceu global. Nasceu como um xarope em uma farmácia em Atlanta e demorou décadas para expandir. A Ambev, hoje uma das maiores cervejarias do mundo, construiu seu domínio primeiro no Brasil — entendendo o mercado local melhor do que ninguém antes de se tornar global. O H-E-B, supermercado do Texas, fatura bilhões sem nunca ter deixado seu estado de origem. A lição é a mesma: domínio local profundo precede expansão global sustentável.

Existe uma diferença crítica entre quem “usa” metodologias de gestão e quem “é” metodológico. Empresas que adotam OKRs como um template de PowerPoint não mudaram nada. Empresas que incorporam rotina e organização como cultura — como Ricardo enfatiza quando diz que “sem rotina e organização não existe estratégia” — operam em um nível diferente. Não é sobre o framework, é sobre a disciplina de execução diária. Ricardo também defende, no momento atual, que os C-levels sejam mais conservadores — não por medo, mas por inteligência de alocação.

O que a maioria está fazendo errado? Confundindo movimento com progresso. Abrir três mercados novos parece estratégico, mas se cada um opera com 30% da eficiência do mercado de origem, a empresa está mais fraca, não mais forte. A obsessão por crescer — em receita, em geografia, em headcount — frequentemente destrói valor. Crescer não é estratégia. Crescer no lugar certo é.

A Pergunta Que Vai Tirar Seu Sono

Você está construindo um império regional ou um castelo de cartas global?

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    Bruno Perin

    Bruno Perin

    Certificado Top 10 Mundial em OKR na Suécia, em frente ao Nobel. Faço parte do seleto grupo mundial que inclui as empresas mais valiosas do planeta, o que me mantém sempre no front dos assuntos estratégicos. Isso me faz atuar no nivel de OKR + IA Driven das empresas valiosas do mundo atualmente.

    Já orientei as maiores techs do Brasil e Europa sobre OKR, com conhecimento moldado por Tony Hsieh (ex-CEO Zappos) e Tim Draper (top investidor mundial), com experiências no Canadá, EUA, Chile e Portugal. Trabalho como braço direito estratégico de CEOs, transformando planejamento em execução real.

    Por estar na prioridade das empresas mais exigentes, me tornei um heavy user de IA para ajudar principais executivos a extraírem o máximo da inteligência artificial aplicada aos negócios. Combino OKR de alta performance com IA estratégica.

    Participo de boards C-level e divido meu tempo entre Brasil e Europa, sempre trazendo as melhores práticas mundiais para os negócios que acompanho.

    Certificado Top 10 Mundial em OKR na Suécia, em frente ao Nobel. Faço parte do seleto grupo mundial que inclui as empresas mais valiosas do planeta, o que me mantém sempre no front dos assuntos estratégicos. Isso me faz atuar no nivel de OKR + IA Driven das empresas valiosas do mundo atualmente.

    Já orientei as maiores techs do Brasil e Europa sobre OKR, com conhecimento moldado por Tony Hsieh (ex-CEO Zappos) e Tim Draper (top investidor mundial), com experiências no Canadá, EUA, Chile e Portugal. Trabalho como braço direito estratégico de CEOs, transformando planejamento em execução real.

    Por estar na prioridade das empresas mais exigentes, me tornei um heavy user de IA para ajudar principais executivos a extraírem o máximo da inteligência artificial aplicada aos negócios. Combino OKR de alta performance com IA estratégica.

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