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A crise dos MBAs e a ascensão do aprendizado contínuo

Bernardo Góis
Bernardo Góis
24 jan 2026 às 10:19
Última atualização: 24 jan 2026
3 min leitura
24 jan 2026 às 10:19
3 min leitura
Última atualização: 24 jan 2026
A crise dos MBAs e a ascensão do aprendizado contínuo

Créditos: Adobe Stock

Em um mercado de ciclos curtos, o diferencial competitivo migrou para quem aprende continuamente

O MBA tradicional não morreu. Mas perdeu o monopólio da ideia de “crescer na carreira”. Para muitos profissionais, o diploma segue relevante como selo, rede e rito de passagem. O que mudou foi a pergunta que vem antes da matrícula: isso ainda vale o tempo e o dinheiro, considerando que o trabalho exige atualização quase semanal?

Essa mudança de percepção tem motivos práticos. O custo subiu, a agenda ficou mais imprevisível e a aplicabilidade imediata passou a pesar mais do que a promessa de transformação futura. Ao mesmo tempo, empresas aceleraram a transição para modelos de habilidades, nos quais promoções e mobilidade dependem menos do currículo e mais do que você entrega agora.

ROI sob pressão e tempo como moeda

Em rankings internacionais, o Financial Times mede salário após o MBA, aumento de remuneração e “value for money”, um termômetro do ROI percebido. No ranking global de 2025, há programas com salários médios pós-MBA acima de US$ 240 mil e, em outros casos, saltos de remuneração superiores a 200% em escolas específicas, mas esses ganhos vêm acompanhados de custos e oportunidade perdida de tempo, especialmente no formato full-time.

Do lado da demanda, o GMAC vem registrando um movimento claro: candidatos estão mais orientados por retorno sobre investimento do que por ranking ou prestígio puro. A própria entidade destaca, em pesquisas e resumos recentes, a importância crescente do ROI na decisão do aluno, enquanto escolas expandem ofertas mais flexíveis e de menor duração.

Aplicabilidade imediata e o novo “currículo” do trabalho

Mesmo com oscilações na procura por MBAs, a transformação mais profunda acontece dentro das empresas. Relatórios do World Economic Forum apontam que a disrupção de habilidades segue alta e que estratégias de requalificação e aprendizado contínuo têm ganhado escala, com uma fatia maior da força de trabalho passando por treinamentos em ciclos mais curtos.

Isso ajuda a explicar por que formatos longos, lineares e “um conteúdo para todos” enfrentam resistência. O trabalho pede respostas sob demanda: uma negociação difícil, uma decisão com dados, um conflito em time híbrido, uma mudança de processo com IA. Quando a necessidade é imediata, o valor está em aprender e aplicar no mesmo dia, não em acumular conhecimento para usar “quando der”.

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Microlearning como complemento e, às vezes, alternativa

Nesse contexto, o microlearning cresce porque reduz o atrito. Módulos curtos e específicos se encaixam melhor na rotina e facilitam o aprendizado no fluxo de trabalho, especialmente quando conectados a tarefas reais. A base cognitiva desse formato conversa com um achado robusto: aprendizado distribuído, em sessões espaçadas, tende a melhorar a retenção de longo prazo em comparação com blocos concentrados.

Na prática, a lógica é simples. Um líder não precisa “virar aluno” para evoluir. Ele precisa de atualizações acionáveis: um framework de feedback antes de uma conversa crítica, um checklist de tomada de decisão orientada a dados antes de uma reunião, um treino rápido de comunicação para um anúncio sensível. O aprendizado acontece como parte do trabalho, e não apesar dele.

O MBA segue importante para quem busca mudança de trajetória, rede forte e profundidade estruturada. A “crise” não é de relevância absoluta, mas de exclusividade. Em um mercado de ciclos curtos, o diferencial competitivo migrou para quem aprende continuamente. E, para isso, o microlearning funciona menos como tendência e mais como adaptação ao jeito como a carreira realmente avança hoje.

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