A explosão da inteligência artificial generativa colocou ferramentas como o ChatGPT no cotidiano de milhões de pessoas. Mas, à medida que o uso dessas plataformas cresce, aumenta também a frustração de usuários que recebem respostas equivocadas, genéricas ou completamente fora de contexto. Porém, para Carlênio Castelo Branco, CEO da Senior Sistemas, o problema muitas vezes não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é utilizada. 'Vocês já devem ter passado por isso: fizeram uma pergunta a alguma LLM (IAs generativas como chatGPT e Claude) e veio uma resposta totalmente nada a ver. Será porque ela errou ou porque a gente perguntou errado?', questionou o executivo, em conversa com jornalistas durante o Senior Experience 2026, que ocorreu nesta quinta (21) em São Paulo. A fala sintetiza uma discussão que vem ganhando força no mercado de tecnologia: a ascensão do chamado 'prompt engineering', termo usado para descrever a capacidade de estruturar perguntas e comandos de maneira clara, estratégica e contextualizada para extrair melhores respostas de sistemas de inteligência artificial. Na prática, isso significa que utilizar IA não é apenas abrir uma plataforma e digitar qualquer pergunta. A qualidade da resposta depende diretamente da qualidade do contexto fornecido. Quanto mais vaga a solicitação, maior a chance de a IA produzir respostas superficiais, imprecisas ou desconectadas da intenção do usuário. A inteligência humana na operação da inteligência artificial Para Carlênio, o desafio se torna ainda mais complexo dentro das empresas, onde a IA precisa operar sobre dados sensíveis e estratégicos. Segundo ele, o mercado está entrando em uma fase em que apenas 'usar IA' já não é mais diferencial competitivo. 'Não é simplesmente o uso da IA por IA, porque isso é muito fácil. O ponto-chave está na governança desses dados', afirmou. O executivo explica que, no ambiente corporativo, a inteligência artificial depende de estruturas organizadas de informação para gerar respostas realmente úteis. Sistemas de ERP, RH e gestão empresarial passam a funcionar como grandes bases de conhecimento, mas precisam estar preparados para conversar com modelos de IA de maneira segura e eficiente. 'Quando a gente vai para o mundo empresarial, não é só a utilização. A utilização é simples. O cuidado está na governança dos dados, na qualidade dessas informações e na segurança', explicou. Impactos no mercado de trabalho A avaliação de Carlênio reforça um movimento que já começa a impactar o mercado de trabalho. Empresas passam a valorizar profissionais capazes não apenas de consumir inteligência artificial, mas de interagir estrategicamente com ela. Em vez de substituir totalmente o fator humano, a IA amplia a importância da clareza de raciocínio, da comunicação objetiva e da capacidade analítica. 'As pessoas se preocupam com o risco de a IA extinguir vagas e substituir humanos. E, claro, algumas posições vão desaparecer, como ocorreu em outros momentos. Mas novas vagas vão surgir e precisarão ser ocupadas. Quem estiver preparado, vai conquistá-las. Estamos há meses procurando um head de IA e estão sofrendo para encontrar. Cientista de dados, o mercado vai precisar muito e há bem poucos', exemplifica Carlênio.