O avanço acelerado da inteligência artificial generativa vem alimentando uma das maiores preocupações do mercado de trabalho atual: afinal, a IA vai destruir empregos ou criar novas oportunidades? Para Carlênio Castelo Branco, CEO da Senior Sistemas, o impacto da tecnologia deve transformar profundamente as funções profissionais, mas também abrir espaço para novas vagas e novas exigências de qualificação. Para Carlênio, a inteligência artificial não representa apenas automação, mas também uma mudança estrutural na forma como as empresas operam e contratam pessoas. Segundo ele, a IA tende a assumir atividades mais operacionais e repetitivas, fazendo com que vagas desse tipo deixem de existir e os profissionais passem a ingressar no mercado já em funções de maior complexidade. Na prática, isso significa que o nível médio de qualificação exigido pelas empresas deve subir nos próximos anos. A mudança pode parecer assustadora à primeira vista, mas Carlênio aponta que ela acompanha uma transformação natural da própria sociedade. As novas gerações chegam ao mercado com acesso a informação, tecnologia e repertório em um nível muito superior ao das gerações anteriores. Hoje, um jovem que entra no mercado de trabalho já cresceu utilizando inteligência artificial, plataformas digitais, redes sociais, vídeos educativos, ferramentas de automação e sistemas integrados. De modo geral, possui mais acesso ao conhecimento do que seus pais e avós tiveram durante toda a juventude. Isso muda o ponto de partida profissional. Se no passado muitas carreiras começavam em tarefas essencialmente operacionais, a tendência agora é que esses degraus sejam reduzidos pela automação. O profissional precisará iniciar sua trajetória já dominando ferramentas digitais, interpretação de dados, comunicação estratégica e capacidade analítica. Novos profissionais serão necessários Na visão de Carlênio, a IA não elimina a necessidade humana. Ela aumenta a importância da preparação intelectual e da capacidade de tomada de decisão. O CEO da Senior destacou que a inteligência artificial, sozinha, não resolve os problemas das empresas sem pessoas capacitadas para orientar, interpretar e validar os resultados gerados pelos sistemas. 'Não é simplesmente o uso da IA por IA, porque isso é muito fácil. O ponto-chave está na governança desses dados', afirmou. Para ele, o crescimento da IA dentro das empresas também cria demanda por novos profissionais especializados em organização de dados, segurança da informação, treinamento de modelos, gestão de processos e integração tecnológica. 'O cuidado que a gente tem que ter é nessa governança dos dados, que eles estejam prontos para, assim que o cliente buscar através de uma LLM, sair uma informação confiável e segura', explicou. A avaliação acompanha um movimento já observado globalmente: profissões ligadas à análise de dados, engenharia de IA, automação, cibersegurança e integração de sistemas estão entre as áreas que mais crescem no mundo corporativo. Ao mesmo tempo, funções extremamente repetitivas tendem a perder espaço ou ser profundamente remodeladas. Na prática, isso significa que a IA não reduz necessariamente o valor do trabalho humano. Ela aumenta a régua. A mesma visão foi compartilhada por Walter Longo, executivo referência no mercado brasileiro. Em palestra no Senior Experience, ele defende a visão de que o mundo dos próximos anos será marcado pela automatização de funções operacionais e humanos mais livres para pensar, interagir e viver com mais qualidade. 'Quando o jovem de hoje quer mudar o mundo sem querer perder tempo arrumando a cama é porque ele já sabe que não vai precisar perder tempo com essa tarefa, vai ter uma máquina inteligente para fazer. Nós precisamos entender melhor os jovens e o que eles sinalizam, em vez de simplesmente criticá-los', afirma Longo. O novo profissional O profissional do futuro precisará entrar no mercado mais preparado do que as gerações anteriores. Mas também terá acesso a ferramentas, informação e capacidade de aprendizado muito superiores às que existiam décadas atrás. Para Carlênio, CEO da Senior, essa transformação não deve ser encarada apenas como ameaça, mas como um novo estágio de evolução do trabalho e da educação profissional.