Polêmica gira em torno do próprio Elon Musk e da ausência de algo fundamental para qualquer empresa séria: um plano claro de sucessão Nos últimos dias, Tesla voltou ao centro das atenções — e não foi por conta de novos carros ou avanços em tecnologia limpa. Em vez disso, a polêmica gira em torno do próprio Elon Musk e da ausência de algo fundamental para qualquer empresa séria: um plano claro de sucessão. O cenário: um CEO dividido Desde o início de 2025, Musk tem concentrado grande parte de sua energia no 'Department of Government Efficiency' (DOGE), função que ocupa no governo Trump. Isso tem deixado investidores e executivos de Tesla apreensivos. O resultado apareceu nos números: a empresa registrou resultados decepcionantes no último trimestre. O Wall Street Journal chegou a noticiar que o conselho da Tesla estaria procurando um substituto para Musk. A resposta veio rápida — e noturna — pelas redes sociais. Em tweets postados de madrugada, Musk negou veementemente a informação e a presidente do conselho, Robyn Denholm, reforçou publicamente a confiança na liderança do bilionário. O problema não é só agora Mesmo que Tesla diga não estar buscando um novo CEO, a pergunta que paira no ar é: o que aconteceria se Musk, de repente, não pudesse mais liderar a empresa? Essa preocupação não é nova. Desde a época do PayPal, quando Musk chegou a ser internado por malária e precisou de um seguro de vida de US$ 100 milhões, sabe-se que ele representa um 'risco-chave' para qualquer organização que lidera. Apesar disso, registros mostram que Musk já ignorou reuniões sobre planejamento sucessório e, em 2023, o conselho da Tesla rejeitou uma proposta de acionistas para tratar oficialmente do assunto. Tudo isso em meio a revelações de ameaças de morte e à sua crescente exposição pública — dentro e fora do ambiente corporativo. Uma responsabilidade que vai além do fundador Tesla é uma empresa pública, avaliada em cerca de US$ 900 bilhões. Isso significa que milhares de investidores, fundos de pensão e profissionais do mercado financeiro estão expostos a um risco centralizado demais em uma só pessoa. E mesmo que Musk negue qualquer busca por substituto, não há transparência suficiente sobre o que aconteceria em sua ausência. Enquanto isso, outros gigantes do mercado mostram como lidar com o tema com mais maturidade. A transição em andamento na Berkshire Hathaway de Warren Buffett para Greg Abel é um exemplo de planejamento cuidadoso e responsável. A sucessão de Steve Jobs por Tim Cook, anos atrás, é outro caso de sucesso. O recado para todo empreendedor Se há uma lição clara nisso tudo, é que empresas precisam de planos — inclusive para o que pode parecer improvável. Mesmo que você não esteja no comando de uma das maiores empresas do planeta, é essencial pensar em quem pode assumir o leme se você não puder continuar. Isso não significa que você deve sair anunciando substitutos ou perder autoridade. Mas você deve, sim, preparar sua equipe, registrar processos, formar sucessores e deixar claro como a empresa seguirá em frente. Porque, no final das contas, não ter um plano é, por si só, o maior risco que você pode correr. E se precisar comunicá-lo ao mundo, evite fazer isso às 2 da manhã em uma rede social.