Medida foi uma resposta direta aos amplos pacotes tarifários adotados recentemente pelo presidente Donald Trump contra diversos parceiros comerciais A China anunciou nesta quarta-feira a aplicação de tarifas de até 84% sobre importações provenientes dos Estados Unidos, aprofundando ainda mais a escalada da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo. A medida foi uma resposta direta aos amplos pacotes tarifários adotados recentemente pelo presidente Donald Trump contra diversos parceiros comerciais. A repercussão nos mercados internacionais foi imediata. O índice europeu Stoxx 600 caiu 4,2% após o anúncio de Pequim, refletindo o temor dos investidores diante de um possível impasse prolongado entre Washington e Pequim. Retórica entre eua e china se intensifica Em publicação feita na terça-feira em sua plataforma TruthSocial, o presidente Trump indicou que estaria aguardando um gesto do governo chinês. “A China também quer fazer um acordo, desesperadamente, mas não sabe por onde começar. Estamos esperando o telefonema deles”, escreveu. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, reforçou a posição do governo norte-americano, dizendo que Trump “será extremamente gentil” caso Pequim entre em contato para negociar, mas que sua prioridade é “fazer o que for melhor para o povo americano”. Por outro lado, o governo chinês sinalizou que não pretende recuar. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, afirmou que os Estados Unidos não demonstram disposição genuína para um diálogo. “Se os EUA realmente quiserem negociar, devem demonstrar que estão prontos para tratar os outros com igualdade, respeito e benefício mútuo”, declarou. Analistas preveem impasse prolongado Especialistas do setor financeiro alertam que a disputa entre os dois países pode se arrastar por um longo período. Yeap Jun Rong, estrategista de mercado da IG, avaliou que o caminho para uma resolução é estreito. “Mesmo que as negociações sejam retomadas no futuro, alcançar um consenso será difícil. As tensões comerciais podem persistir por um tempo prolongado”, afirmou em nota. A imposição tarifária da China surge em um momento de grande volatilidade global, e as expectativas para um desfecho próximo e pacífico da disputa são cada vez menores. Enquanto isso, empresas, mercados e consumidores observam com preocupação os desdobramentos de um conflito que já impacta cadeias produtivas e fluxos comerciais em escala mundial.