Ex-head de design da IBM revela em Irresistible Change como tornar a transformação cultural irresistível para as equipes 'Se existe um termo mal utilizado, é 'gestão da mudança'. Ela raramente causa mudança — e quase sempre é mal gerida.' É assim que Phil Gilbert, ex-head de design da IBM, abre seu novo livro Irresistible Change: A Blueprint for Earning Buy-In and Breakout Success. Gilbert sabe do que fala. Durante sua gestão, liderou uma das maiores transformações culturais da IBM — sem obrigar ninguém a mudar. 'Nosso CEO nunca exigiu que nenhum dos 400 mil funcionários mudasse', relembra. 'Projetamos um programa que as pessoas escolheram adotar — como fariam com um ótimo produto ou serviço. Tornamos a mudança irresistível.' A seguir, três estratégias práticas de Gilbert para líderes que desejam fazer a cultura evoluir — e manter o engajamento real. 1. Marque a mudança como uma marca premium A maioria dos programas de transformação começa de forma técnica e impessoal: AI First, Digital Transformation, Lean 2.0. Para Gilbert, esse é o primeiro erro. 'Quando você define a mudança por uma tecnologia ou método, limita o escopo da transformação — e herda todas as resistências e estigmas já associados a esse termo.' Ver todos os stories Por que seguir fazendo o certo nem sempre leva ao resultado esperado Por que nem toda carreira estável é uma carreira segura O erro silencioso que faz líderes inteligentes tomarem decisões ruins A cultura da urgência está ensinando profissionais a decidir pior Quantos destes sinais mostram que você precisa se atualizar agora? Na IBM, ele e sua equipe criaram o projeto Hallmark, um nome neutro, sem vínculo com tecnologia, que virou um símbolo de excelência cultural. Hallmark passou a representar uma nova forma de trabalhar, colaborar e servir clientes — um padrão aspiracional dentro da empresa. 💡 Lição: Dê um nome e uma identidade à mudança. Trate-a como uma marca com valores claros e propósito emocional. Assim, ela deixa de ser uma iniciativa corporativa e passa a ser um movimento que as pessoas querem integrar. 2. Construa crença, não faça evangelização A maioria dos líderes comunica mudanças com powerpoints, e-mails em massa e discursos inspiradores.Mas, segundo Gilbert, comunicar não é vender uma visão — é construir crença. 'As pessoas não precisam de promessas. Elas precisam de provas.' Inspirado pela lógica das redes sociais, ele substituiu a comunicação top-down por histórias reais de colaboradores que já haviam aderido ao novo modelo. Depoimentos em vídeo e relatos internos mostravam como as novas práticas melhoravam o trabalho e o impacto nos clientes. Esse efeito de 'prova social' gerou o que Gilbert chama de pull — as pessoas começaram a pedir para participar. 💡 Lição: Troque a retórica por narrativas autênticas. Use histórias reais de colegas, equipes e clientes para demonstrar o valor da mudança. Pessoas confiam em pessoas, não em slogans. 3. Alinhe pessoas, práticas e espaços Para Gilbert, cultura é um sistema com três pilares interdependentes: pessoas, práticas e lugares. 'Se você quer novos resultados, precisa ajustar os três.' Pessoas:Treinamento não é o fim — é o começo. Mais importante do que quantos foram treinados é quantos mudaram o comportamento.A adoção deve acontecer dentro das equipes reais, e não em grupos isolados de 'inovação'. Práticas:Sistemas como RH, orçamentos e métricas de desempenho muitas vezes recompensam o status quo.Se não forem atualizados para reforçar os novos comportamentos, a mudança trava. Lugares:O ambiente físico (ou digital) precisa refletir a nova cultura.Na IBM, os escritórios foram redesenhados para quebrar silos e incentivar interação humana — um gesto simbólico, mas poderoso. 💡 Lição: Mudança real exige coerência sistêmica. Ferramentas novas em estruturas antigas produzem resistência. É preciso alinhar pessoas, práticas e espaços para que todos empurrem na mesma direção. O ponto central: mudança não se impõe — se conquista Phil Gilbert resume sua filosofia em uma frase simples: 'Transformações duradouras não vêm da imposição. Vêm de tornar a mudança irresistível.' Em vez de tratar a mudança como uma obrigação, trate-a como um produto premium — com propósito, experiência e valor percebido. Assim, em vez de obedecer, as pessoas vão querer fazer parte dela.