Conheça o brasileiro que decidiu empreender nos EUA e transformar os serviços residenciais

Felipe Rossi, CEO da Houser (Foto: Divulgação)
Em um setor ainda marcado pela informalidade, a Houser busca provar que tecnologia e dados podem transformar uma experiência cotidiana em algo simples, previsível e escalável
Empreender fora do Brasil exige mais do que uma boa ideia. Exige leitura de mercado, adaptação cultural e disposição para competir em um dos ecossistemas mais exigentes do mundo. Foi esse o caminho escolhido por Felipe Rossi, engenheiro aeroespacial brasileiro radicado na Flórida, que decidiu apostar em um setor bilionário ainda pouco explorado do ponto de vista tecnológico: o de serviços residenciais.
Fundador e CEO da Houser, Rossi partiu de uma constatação simples. Apesar de os Estados Unidos liderarem a inovação em diversas áreas, contratar serviços para casa ainda é, em muitos casos, um processo burocrático, pouco previsível e baseado em indicações informais. Um contraste evidente com a experiência digital já consolidada em setores como transporte, turismo e entretenimento.
“A tecnologia já transformou a forma como nos deslocamos, viajamos e consumimos conteúdo. Os serviços residenciais ficaram para trás. Vi aí uma oportunidade real de mudança”, afirma o empreendedor.
Do Brasil à Flórida, uma decisão estratégica
Com formação em engenharia aeroespacial e passagem pela Embraer, Felipe Rossi levou para o mercado americano uma mentalidade orientada a dados, eficiência operacional e escala. A escolha pelos Estados Unidos não foi casual. O país reúne milhões de imóveis com demanda recorrente por manutenção, além de consumidores habituados a soluções digitais e modelos sob demanda.
Ainda assim, empreender em solo americano trouxe desafios relevantes. Regulamentações que variam de estado para estado, a necessidade de construir uma rede local de prestadores e a pressão por resultados rápidos em um mercado altamente competitivo fazem parte da rotina. “Empreender fora do país é começar do zero em muitos sentidos. Mas também é uma oportunidade de pensar global desde o primeiro dia”, diz Rossi.
Um mercado grande, fragmentado e pouco digital
Mesmo movimentando bilhões de dólares por ano, o setor de home services nos EUA ainda apresenta gargalos estruturais importantes. Entre eles, estão a forte variação de preços, a baixa previsibilidade no atendimento, a pouca padronização de processos e a dependência de indicações informais.
Na avaliação do fundador da Houser, esse cenário está próximo de um ponto de inflexão. “Assim como aconteceu com transporte e hospedagem, o consumidor passa a exigir rapidez, transparência e previsibilidade também quando precisa resolver problemas em casa”, explica. A mudança, segundo ele, é tanto tecnológica quanto comportamental.
Tecnologia, dados e escala como base do negócio
À frente da Houser, Rossi atua diretamente na construção de um modelo escalável, sustentado por tecnologia proprietária e inteligência de dados. A plataforma conecta clientes residenciais a profissionais de instalação, reparo e manutenção, permitindo orçamentos instantâneos, agendamento e pagamento em poucos cliques.
O principal diferencial está na precificação. A empresa utiliza inteligência artificial para gerar cotações em até dez segundos, algo inédito no segmento. A aposta é clara: o futuro dos serviços residenciais será guiado por três pilares — digitalização, confiança e eficiência operacional.
Mais do que criar uma empresa, o empreendedor enxerga sua trajetória como parte de um movimento mais amplo de brasileiros que levam talento, visão global e capacidade de execução para competir em mercados internacionais. Em um setor ainda marcado pela informalidade, a Houser busca provar que tecnologia e dados podem transformar uma experiência cotidiana em algo simples, previsível e escalável.
Sobre a Houser
Fundada em 2023 na Flórida, a Houser já realizou cerca de 4 mil atendimentos residenciais e reúne aproximadamente 2 mil prestadores ativos. Todos os profissionais da plataforma são licenciados, segurados e avaliados por desempenho. A startup se posiciona como uma ponte entre um mercado tradicional e a nova lógica de consumo digital, apostando em inteligência artificial para redefinir a forma como serviços residenciais são contratados nos Estados Unidos.









