Expansão de resorts e hospedagens exclusivas impulsiona investimentos bilionários e amplia o potencial de receita dos complexos de lazer Os parques temáticos e aquáticos brasileiros estão vivendo uma mudança importante em seu modelo de negócios. Se antes a principal aposta para atrair visitantes era a inauguração de novas atrações, hoje a hotelaria ocupa um papel estratégico na expansão do setor. Resorts, chalés e acomodações temáticas passaram a ser vistos como ativos fundamentais para aumentar o tempo de permanência dos visitantes e ampliar a geração de receita. O movimento acompanha o crescimento do mercado de hospedagem no país. Dados do Radar Resorts Brasil mostram que a taxa de ocupação dos resorts brasileiros cresceu 10% no segundo trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior. Além disso, o setor conta atualmente com 21 novos empreendimentos em desenvolvimento, que devem adicionar cerca de 6,7 mil quartos e movimentar investimentos estimados em R$ 10,6 bilhões até 2029. Consumidor busca experiências completas de viagem A expansão da hotelaria acompanha uma mudança no comportamento dos turistas após a pandemia. Cada vez mais, famílias procuram destinos capazes de concentrar hospedagem, alimentação, lazer e entretenimento em um único local, reduzindo deslocamentos e proporcionando experiências mais completas. Segundo Paulo Kenzo, presidente do conselho do Magic City Parques & Hotéis e atual presidente da Associação das Empresas de Parques de Diversões do Brasil (ADIBRA), a hospedagem deixou de ser um serviço complementar e passou a integrar o centro da estratégia de crescimento dos empreendimentos. “A hotelaria amplia o tempo de permanência do visitante, reduz a dependência da sazonalidade e cria novas oportunidades de consumo dentro do complexo. Hoje, quando analisamos os principais projetos de expansão do setor, a hospedagem passou a ocupar um papel tão relevante quanto as novas atrações”, afirma. Hóspedes movimentam receita significativamente maior Além de aumentar a permanência dos visitantes, a hotelaria também eleva o potencial de faturamento dos parques. Levantamento interno do Magic City mostra que um hóspede gera, em média, um ticket aproximadamente seis vezes superior ao de um visitante de Day Use. Enquanto quem frequenta o parque apenas durante o dia gasta cerca de R$ 110, um hóspede movimenta aproximadamente R$ 653 ao longo da estadia, considerando hospedagem, alimentação, serviços e outras experiências oferecidas pelo complexo. 'É uma dinâmica semelhante à observada nos grandes destinos internacionais. Quanto mais tempo o visitante permanece dentro do empreendimento, maior é sua interação com o ecossistema de serviços oferecidos', explica Kenzo. Os números recentes do próprio Magic City ilustram essa tendência. Em 2025, o complexo recebeu mais de 80 mil hóspedes, crescimento de 9,6% em relação ao ano anterior. No mesmo período, a receita da hotelaria aumentou 33%, enquanto o faturamento proveniente de visitantes de outros estados avançou 80%. Investimentos ampliam oferta de experiências exclusivas Para acompanhar essa demanda, o Magic City vem ampliando seu portfólio de hospedagem com projetos voltados a diferentes perfis de público. Além do Naturé Resort e da Vila Viking Germânia, área temática exclusiva para hóspedes, o complexo desenvolve atualmente os Chalés Sublime, empreendimento voltado ao segmento premium e focado em visitantes que buscam mais conforto, privacidade e exclusividade. A estratégia acompanha um movimento observado em outros grandes operadores do setor. O Beach Park, por exemplo, anunciou investimento de R$ 150 milhões para ampliar sua estrutura hoteleira, enquanto diversos parques brasileiros expandem resorts e desenvolvem novas modalidades de hospedagem temática. Hotelaria deve liderar expansão da indústria Na avaliação de Paulo Kenzo, o mercado brasileiro segue uma tendência já consolidada em destinos internacionais, onde hospedagem e entretenimento caminham de forma integrada. “Os parques estão se consolidando como destinos turísticos completos. O foco deixa de ser apenas atrair visitantes para um dia de lazer e passa a ser construir experiências capazes de prolongar a permanência, aumentar a satisfação e gerar maior valor para o negócio.” Segundo o executivo, a expectativa é que os investimentos em hotelaria continuem liderando a expansão do setor nos próximos anos. “Existe um espaço importante para crescimento no Brasil. O consumidor está disposto a investir mais quando percebe valor na experiência. Por isso, a integração entre entretenimento, hospedagem e serviços tende a ser um dos principais motores de expansão do setor na próxima década”, conclui.