Mercado de trabalho exige um novo perfil de líder; especialista aponta seis tendências que estão transformando a educação executiva

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Com a abertura de novas turmas no segundo semestre, mudanças na formação refletem as competências que as empresas passam a exigir dos profissionais
O segundo semestre marca a abertura de novas turmas de educação executiva em um momento em que o mercado de trabalho passa por uma profunda transformação. Se antes o diferencial de um líder estava concentrado no domínio técnico, hoje as empresas buscam profissionais capazes de atuar em ambientes multiculturais, tomar decisões em cenários de instabilidade, utilizar inteligência artificial de forma estratégica e conectar diferentes áreas do conhecimento.
Para Gustavo Hoffmann, diretor da SKEMA Business School, escola internacional de negócios presente em sete países, essas mudanças estão redefinindo os programas de formação de executivos. Da internacionalização dos cursos à valorização das competências humanas, o especialista aponta seis tendências que devem moldar a educação executiva até 2027.
1. Formação internacional deixa de ser diferencial e passa a ser requisito
Com empresas cada vez mais conectadas globalmente, cresce a demanda por profissionais preparados para atuar em ambientes multiculturais e liderar equipes distribuídas em diferentes países. Como resposta, aumenta a oferta de programas internacionais, módulos realizados no exterior e turmas compostas por alunos de diversas nacionalidades. Para Hoffmann, compreender apenas o próprio mercado já não basta. O executivo precisa conhecer diferentes contextos culturais e econômicos para tomar decisões com impacto global.
2. Geopolítica ganha espaço definitivo nos programas de liderança
Guerras, disputas comerciais, mudanças regulatórias e interrupções nas cadeias globais de suprimentos passaram a influenciar diretamente as estratégias das empresas. Temas antes restritos às relações internacionais agora integram a formação executiva, preparando líderes para avaliar riscos e identificar oportunidades em um cenário cada vez mais instável. Segundo Hoffmann, a leitura de indicadores financeiros precisa ser acompanhada da compreensão dos movimentos políticos e econômicos globais.
3. Inteligência artificial deixa de ser disciplina isolada e passa a integrar toda a gestão
Em vez de aparecer como um conteúdo específico, a inteligência artificial passa a estar presente em áreas como marketing, finanças, recursos humanos, operações e inovação. O objetivo não é formar especialistas em tecnologia, mas gestores capazes de utilizar a IA para aprimorar decisões estratégicas sem abrir mão da capacidade de análise crítica.
4. Competências humanas tornam-se o principal diferencial competitivo
À medida que tarefas operacionais e analíticas são automatizadas, habilidades como comunicação, negociação, inteligência emocional e influência ganham protagonismo. Para Hoffmann, o conhecimento técnico continua importante, mas a capacidade de mobilizar pessoas, construir confiança e tomar decisões responsáveis passa a ser o grande diferencial da liderança.
5. Programas passam a integrar áreas antes tratadas separadamente
Os desafios enfrentados pelas organizações dificilmente se limitam a uma única especialidade. Por isso, temas como tecnologia, dados, sustentabilidade, direito e comportamento organizacional passam a ser trabalhados de forma integrada, estimulando uma visão sistêmica dos negócios. Segundo Hoffmann, os líderes mais preparados são aqueles capazes de conectar diferentes áreas do conhecimento para resolver problemas complexos.
6. Educação executiva acompanha toda a carreira, e não apenas uma etapa dela
O modelo baseado em um único MBA perde espaço para uma lógica de aprendizagem contínua. Diante da velocidade das mudanças tecnológicas e organizacionais, cresce a procura por certificações, cursos de curta duração e programas voltados a desafios específicos de cada momento profissional. Para Hoffmann, nenhuma formação é suficiente para sustentar toda uma carreira. O desenvolvimento precisa acompanhar a evolução constante do mercado.
Mais do que transmitir conhecimento técnico, conclui Hoffmann, a educação executiva assume o papel de preparar profissionais para interpretar cenários globais, conectar diferentes perspectivas e liderar organizações em um ambiente cada vez mais dinâmico e interdependente.
“O lifelong learning deixa de ser um diferencial para se tornar a própria arquitetura sobre a qual carreiras e organizações precisam ser construídas”, conclui.









