“Quando você contrata alguém, define o trabalho. Por que não faz isso com a IA?”, questiona fundador da FCamara

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Em conversa com Stefanno Polidoro, Fabio Camara discute por que empresas precisam tratar a inteligência artificial com mais contexto, função e responsabilidade
Empresas estão incorporando inteligência artificial cada vez mais rápido, mas muitas ainda fazem isso de uma maneira que dificilmente aceitariam ao contratar uma pessoa: sem definir claramente o que ela deve fazer, quais conhecimentos precisa ter e onde termina sua responsabilidade.
A comparação foi feita por Fabio Camara, fundador da FCamara e executivo com cerca de 35 anos de trajetória em tecnologia, durante o episódio #42 do podcast O Código Polidoro, apresentado por Stefanno Polidoro.
“Quando você contrata alguém, define o trabalho. Por que não faz isso com a IA?”, questiona Camara. A provocação resume uma parte importante da conversa: usar uma ferramenta de inteligência artificial é diferente de construir uma função clara para ela dentro da empresa.
IA também precisa saber qual é o seu trabalho
Ao contratar um profissional, uma empresa costuma definir competências, responsabilidades, entregas e limites de atuação. Na conversa, Câmara argumenta que a mesma lógica deveria orientar a adoção de inteligência artificial.
No episódio, ele lembra que uma contratação envolve a definição de habilidades e de uma descrição de cargo. Em seguida, questiona por que muitas empresas recorrem à IA sem fazer o mesmo exercício.
Quando essa definição não existe, a tecnologia tende a ser usada de forma genérica. Pessoas diferentes fazem perguntas diferentes, obtêm respostas isoladas e chamam isso de implementação, mesmo quando não há um processo empresarial estruturado por trás.
O contexto da empresa não pode ficar de fora
Câmara também defende uma abordagem em que sistemas de IA sejam desenvolvidos a partir do contexto, da cultura e do conhecimento específico de cada organização.
Ele chama essas aplicações de “trabalhadores sintéticos” e argumenta que elas deveriam ser treinadas para atuar dentro de domínios definidos pelo próprio negócio, em vez de depender apenas de respostas produzidas por ferramentas genéricas.
Essa diferença ganha peso principalmente quando a inteligência artificial começa a participar de decisões ligadas ao negócio principal. Câmara alerta para o risco de empresas transferirem conhecimento estratégico para uma “caixa preta” que não compreendem completamente.
Usar IA também virou uma questão de gestão
A discussão desloca a inteligência artificial do campo exclusivo da tecnologia. Se uma IA vai executar atividades dentro da empresa, alguém vai precisar definir o processo, estabelecer critérios e entender como o trabalho humano e o automatizado se conectam.
No episódio, Camara e Polidoro discutem justamente a construção desses fluxos. A perspectiva apresentada é de equipes nas quais profissionais e sistemas de IA passam a atuar de forma combinada, exigindo novas formas de organizar responsabilidades.
Para os gestores, a pergunta deixa de ser apenas “qual ferramenta devemos usar?” e passa a incluir questões mais práticas: o que queremos que a IA faça, quais informações ela precisa conhecer e como saberemos se está cumprindo bem essa função?
Uma conversa que vai além da inteligência artificial
A discussão sobre IA é apenas uma das frentes do episódio. Stefanno Polidoro e Fabio Câmara também conversam sobre empreendedorismo, adaptação, novos modelos de negócio, excesso de informação e as mudanças na forma de aprender e trabalhar.
Ao longo da conversa, Camara conecta essas transformações aos aprendizados acumulados em mais de três décadas no setor de tecnologia e à necessidade de empresas continuarem revendo a forma como respondem às mudanças.
Assista ao episódio #42 de O Código Polidoro, com Stefanno Polidoro e Fabio Câmara, e acompanhe a conversa completa sobre inteligência artificial, empreendedorismo e o futuro das empresas: veja o episódio completo no YouTube.









