Se seu melhor funcionário começou a entregar menos, o problema pode não ser falta de motivação

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Quando alguém que sempre performou bem começa a cair de rendimento, cobrar mais esforço parece uma resposta lógica. Mas a mudança pode ter começado muito antes dos resultados aparecerem.
Durante dois anos, ele foi uma das pessoas mais confiáveis da equipe.
Entregava antes do prazo, assumia responsabilidades e frequentemente fazia mais do que havia sido solicitado.
Nos últimos meses, alguma coisa mudou.
As entregas continuam acontecendo, mas perderam velocidade. O profissional participa menos das discussões, raramente propõe algo novo e parece cumprir apenas aquilo que está combinado.
A conclusão chega rapidamente: ele está desmotivado.
Então começam as tentativas de recuperar o antigo desempenho. Uma conversa sobre atitude. Novas metas. Mais acompanhamento. Talvez um bônus.
Só existe um problema: nenhuma dessas medidas descobre quando aquele profissional decidiu que não valia mais a pena oferecer tanto quanto antes.
Em Sinceridade Radical, Kim Scott discute uma forma de liderança baseada na combinação entre cuidado pessoal e capacidade de confrontar diretamente. A ideia ajuda a enxergar situações em que gestores tentam corrigir comportamentos sem antes criar espaço para descobrir o que os provocou.
A queda de desempenho pode ser apenas o sintoma mais visível
Talvez aquele funcionário tenha sido ignorado duas vezes em decisões relacionadas à própria área.
Talvez esteja assumindo responsabilidades de um cargo acima sem qualquer perspectiva de crescimento.
Pode ter recebido um feedback injusto.
Ou percebido que entregar 120% produz exatamente o mesmo reconhecimento que entregar 80%.
Nenhuma dessas hipóteses significa que o gestor precise concordar com a interpretação do profissional.
Significa apenas que cobrar uma mudança antes de compreender a origem dela pode levar a empresa a tratar o sintoma como se fosse a causa.
A conversa muda quando começa com curiosidade
Há uma diferença enorme entre chamar alguém para dizer:
“Seu desempenho caiu e precisamos que você volte ao nível anterior.”
e iniciar a conversa tentando entender:
“Percebi uma mudança nas últimas semanas e quero entender o que aconteceu.”
A primeira formulação já apresenta diagnóstico e solução.
A segunda permite descobrir informações que talvez nunca tenham chegado ao gestor.
Isso não elimina a cobrança. Se existem responsabilidades que deixaram de ser cumpridas, elas precisam ser discutidas com clareza.
Sinceridade também significa dizer aquilo que está aquém do esperado.
Para quem quiser aprofundar essa combinação entre franqueza e cuidado na gestão, o novo Administradores Premium apresenta um Playbook em áudio que explora conceitos importantes de Sinceridade Radical e os aproxima de situações práticas envolvendo feedback, confiança e conversas difíceis.
Bons profissionais também aprendem a parar de se esforçar
Esse processo pode acontecer silenciosamente.
Uma ideia ignorada ensina a sugerir menos.
Uma entrega extraordinária tratada como obrigação ensina a não ultrapassar o combinado.
Uma promessa de desenvolvimento esquecida ensina a não criar expectativa.
Com o tempo, a empresa encontra um profissional diferente daquele que contratou e tenta descobrir onde foi parar sua motivação.
O playbook relacionado a Sinceridade Radical também está disponível na Biblioteca do novo Administradores Premium, junto a conteúdos que exploram grandes livros, pensadores, teorias, filosofias e metodologias. O conteúdo apresenta algumas das ideias de Kim Scott em um formato voltado à aplicação e pode abrir caminho para quem quiser aprofundar a discussão diretamente na obra original.
Nem toda queda de desempenho terá uma explicação complexa. Às vezes, uma pessoa simplesmente precisa melhorar sua entrega.
Mas, em outros casos, a empresa passa meses tentando recuperar o funcionário que tinha no início sem perceber quantas pequenas experiências ensinaram aquele profissional a deixar de ser exatamente assim.









