A pior hora para descobrir que sua empresa depende de uma pessoa é quando ela pede demissão

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Alguns profissionais parecem indispensáveis porque são excelentes. Outros se tornam indispensáveis porque conhecimento, decisões e processos nunca conseguiram sair de suas mãos.
A mensagem chega em uma terça-feira.
Um profissional importante recebeu outra proposta e decidiu sair.
A preocupação inicial é encontrar alguém para substituí-lo. Mas, quando a empresa começa a organizar a transição, surge um problema maior.
Só ele sabe como determinados clientes funcionam.
Só ele conhece algumas etapas do processo.
Existem planilhas que ninguém mais atualiza, decisões que nunca foram documentadas e problemas que todos aprenderam a encaminhar diretamente para ele.
De repente, a empresa percebe que não está perdendo apenas um funcionário.
Está perdendo uma parte da própria memória.
Em O lado difícil das situações difíceis, Ben Horowitz discute a gestão a partir de situações em que líderes precisam tomar decisões sem respostas confortáveis. A obra ajuda a pensar também sobre um risco que pode permanecer invisível enquanto tudo funciona: organizações que confundem profissionais excelentes com estruturas dependentes.
Existe uma diferença entre talento e dependência
Ter alguém excepcional na equipe é uma vantagem.
Precisar dessa pessoa para que atividades básicas continuem acontecendo é outra coisa.
Um bom teste consiste em imaginar que determinado profissional ficará 30 dias sem qualquer contato com a empresa.
O que para?
Quais decisões ficam sem responsável?
Que informações ninguém consegue encontrar?
Quantas vezes alguém diria: “Só fulano sabe fazer isso”?
Quanto maior essa lista, maior o risco operacional escondido atrás daquele profissional.
O funcionário indispensável pode ser um sinal de gestão incompleta
Empresas costumam celebrar quem resolve tudo.
A pessoa conhece atalhos, antecipa problemas e consegue destravar situações que deixam outros profissionais parados.
O comportamento merece reconhecimento.
Mas existe uma pergunta adicional: o conhecimento dessa pessoa está aumentando a capacidade da empresa ou apenas aumentando a dependência dela?
Um especialista realmente valioso pode continuar sendo difícil de substituir. A diferença está em fazer com que processos, informações e aprendizados importantes permaneçam na organização mesmo quando ele não estiver disponível.
Para quem quiser aprofundar os dilemas menos confortáveis envolvidos em construir e liderar uma empresa, o novo Administradores Premium apresenta um playbook em áudio que percorre lições importantes de O lado difícil das situações difíceis e as aproxima de desafios reais enfrentados por gestores e empreendedores.
Faça o teste antes que alguém entregue a carta
Não é necessário esperar uma demissão.
Escolha uma função crítica e pergunte quem conseguiria assumi-la amanhã.
Depois, procure os pontos em que a resposta depende de uma única pessoa.
Pode ser uma senha que ninguém possui, um relacionamento comercial concentrado, um processo não documentado ou simplesmente um conhecimento acumulado que nunca foi compartilhado.
O objetivo não deveria ser tornar bons profissionais facilmente substituíveis.
Deveria ser construir uma empresa capaz de continuar funcionando quando inevitavelmente houver substituições.
O playbook relacionado a O lado difícil das situações difíceis também integra a Biblioteca do novo Administradores Premium, ao lado de conteúdos sobre grandes livros, pensadores, teorias, filosofias e metodologias.
Ele oferece um primeiro contato com algumas das experiências e reflexões de Ben Horowitz e pode despertar o interesse pela leitura da obra original, onde esses desafios de gestão são explorados com maior profundidade.
Todo gestor sabe quem são as pessoas mais importantes da equipe.
A pergunta mais incômoda talvez seja outra:
se uma delas não aparecesse amanhã, quanto tempo levaria para a empresa descobrir tudo o que nunca aprendeu sem ela?









