São ainda bastante atuais as discussões em torno das vantagens e desvantagens do mainframe e da baixa plataforma. Para fugir das polêmicas, no entanto, basta observarmos com clareza os fins a que cada uma das plataformas se destina e por que tipo de empresa cada uma delas deve ser usada. Tudo é uma questão de adequação. Para empresas de pequeno e médio porte, obviamente os mainframes podem ser considerados desnecessários e extremamente dispendiosos no que se refere aos custos de manutenção, por exemplo. Por outro lado, grandes companhias – em especial as de Governo e do setor financeiro – têm milhares e milhares de sistemas instalados no mainframe devido a fatores como alta disponibilidade, performance e escalabilidade. Para empresas desse perfil, atualmente parece haver um consenso no mercado de que não há equipamento que consiga vencer o mainframe em desempenho, robustez e segurança, um ponto fundamental. Ou seja, aplicação crítica tem que rodar em mainframe. Além disso, a tecnologia do mainframe tem evoluído continuamente nos últimos anos, conseguindo-se mais processamento com menos máquinas, revelando que, na verdade, o mercado brasileiro ainda está consumindo muito mainframe. Essa realidade sinaliza para grandes oportunidades de mercado tanto para fornecedores de hardware, softwares e serviços desta plataforma, como para aqueles que oferecem soluções 'alternativas'. É preciso evidenciar, no entanto, que quando se fala em mainframe há uma palavra de ordem que deve ser sempre seguida: integração. As plataformas cada vez mais terão de se integrar e conversar entre si. Dessa forma, a integração com mainframe, web e desktop, reutilizando as aplicações residentes no legado, é um ponto fundamental. Para acompanhar o ritmo dos negócios, é preciso modernizar as aplicações do mainframe e ampliar a funcionalidade do legado para clientes, fornecedores e parceiros, assim como oferecer integração em tempo real da funcionalidade do legado com aplicações corporativas, como CRM, ERP e SCM. Melhorar a produtividade com fluxo de trabalho aprimorado e melhores interfaces de usuário é também essencial. A interface de “front end” das aplicações de mainframe – ou seja, a camada de apresentação dos aplicativos – já está sendo implementada em plataforma baixa para facilitar a vida do usuário. Pode-se disponibilizar as aplicações do mainframe em plataforma baixa por meio de projetos de SOA (arquitetura orientada a serviços) ou de Web-to-Host (W2H), com tecnologia de rejuvenescimento. Quando as aplicações do legado conseguem operar entre si em um ambiente SOA, podem ser combinadas e atuar como alicerces para a composição de novas aplicações. Já nos projetos Web-to-Host, o acesso ao mainframe se dá através de produtos que convertem as telas em formato web com aplicação de estilos, possibilitando que a emulação seja efetuada por meio de site ou portal web de forma totalmente transparente e segura, com aparência mais amigável para o usuário. Assim, é possível levar às empresas para os quais o mainframe é indiscutivelmente a melhor e mais segura plataforma todas as facilidades da baixa plataforma. Integração é ou não o melhor negócio? Paulo Lima é Consulting Manager do Canal de Integração da Attachmate Brasil .