Cannes Lions 2026 abre as portas com mais rigor, mais marcas e uma pergunta no ar: quem vai liderar a próxima era da criatividade?

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Festival começa na segunda-feira com novos padrões de integridade, crescimento da presença de marcas e avanço da inteligência artificial nas categorias de craft
Há 13 anos acompanhando presencialmente o Cannes Lions, Guilherme da Luz retorna à Croisette para sua cobertura anual do festival, realizada ininterruptamente desde 2013 para o portal AcontecendoAqui. Ao longo desse período, testemunhou de perto algumas das maiores transformações da indústria criativa global — da ascensão das plataformas digitais e dos criadores de conteúdo até a chegada da inteligência artificial ao centro das estratégias de marketing.
Além da atuação editorial no evento, Guilherme da Luz é fundador e CEO da Gluz Digital, agência internacional especializada em SEO, marketing digital e crescimento orgânico, com atuação em mercados como Brasil, Europa e América do Norte.
Mais do que um festival de publicidade, o Cannes Lions tornou-se um dos principais termômetros globais sobre liderança, inovação, transformação digital e crescimento de negócios. O evento começa oficialmente na próxima segunda-feira (22), reunindo milhares de profissionais da comunicação, tecnologia, marketing e gestão para cinco dias de debates sobre o futuro das marcas e das empresas.
Antes mesmo da abertura dos palcos, mais de 300 jurados internacionais já estão reunidos em Cannes avaliando mais de 20 mil inscrições vindas de 92 países.
A edição deste ano chega com uma mudança importante nos bastidores: a implementação dos Awards Integrity Standards, um conjunto de regras criado para reforçar a credibilidade dos cases inscritos, a legitimidade dos resultados apresentados e a transparência dos julgamentos.
Mais do que uma atualização regulatória, a medida reflete um tema que vem ganhando força nos últimos anos: em um mercado cada vez mais pressionado por métricas, inteligência artificial e velocidade de execução, a confiança volta a ocupar um papel central.
Governança, confiança e criatividade entram na mesma conversa
Poucas vezes o Cannes Lions falou tão abertamente sobre integridade dos cases, credibilidade dos resultados e transparência dos julgamentos como nesta edição.
O crescimento da indústria criativa trouxe também discussões sobre validação de resultados, uso de dados, autenticidade das campanhas e até mesmo o papel da inteligência artificial na criação publicitária. A resposta do festival foi endurecer critérios sem limitar a inovação.
“Depois de mais de uma década acompanhando Cannes, vejo esta como uma das primeiras edições em que confiança, governança e criatividade aparecem como partes da mesma conversa estratégica.”
A mensagem parece clara: criatividade continua sendo um dos ativos mais valiosos das empresas, mas agora ela precisa ser acompanhada por evidências sólidas, transparência e responsabilidade.
As marcas assumem mais protagonismo
Outro dado relevante é o crescimento da participação direta das marcas.
Segundo a organização, 10% de todos os trabalhos inscritos em 2026 foram submetidos diretamente por marcas, contra 8% no ano anterior.
O movimento acompanha uma tendência observada nos últimos festivais: CMOs e equipes internas assumindo cada vez mais protagonismo criativo, reduzindo a distância entre estratégia corporativa e execução de marketing.
Essa aproximação também aparece na programação, que amplia fóruns dedicados a CEOs e líderes globais, reforçando a ideia de que criatividade deixou de ser apenas um tema de comunicação para se tornar um tema de gestão e crescimento.
Empresas independentes ganham influência
Se as grandes marcas chegam mais fortes, as empresas independentes também vivem um momento positivo.
Quase um terço de todas as inscrições deste ano vieram de organizações independentes, e o número de presidentes de júri oriundos desse segmento atingiu um recorde.
O lançamento do novo Challenger Pass, criado para ampliar o acesso de negócios independentes ao festival, mostra que Cannes também busca equilibrar a conversa entre grandes grupos globais e operações menores.
Mais do que uma questão de porte, trata-se de diversidade de pensamento, agilidade e capacidade de inovação.
IA deixa de ser tendência e passa a ser infraestrutura
Talvez o sinal mais claro da transformação da indústria esteja na criação das novas subcategorias de AI Craft.
Diferentemente do discurso dos últimos anos, que frequentemente colocava humanos e máquinas em lados opostos da discussão, a proposta agora é reconhecer projetos em que criatividade humana e inteligência artificial trabalham juntas.
A mudança é mais profunda do que parece.
Se em 2023 e 2024 o debate era sobre o impacto da IA, em 2025 e 2026 a conversa passa a ser sobre execução, qualidade e geração de valor.
A tecnologia deixa de ser novidade e passa a ser infraestrutura.
O desafio deixa de ser adotar inteligência artificial e passa a ser utilizá-la com propósito, diferenciação e excelência.
O que observar durante a semana
- O impacto real da IA nos negócios e na criatividade
- O crescimento das equipes internas de marketing
- A relação entre criatividade e performance empresarial
- O fortalecimento das empresas independentes
- O papel dos criadores de conteúdo no ecossistema de marcas
- A influência crescente dos CEOs nas decisões de marketing e inovação
O que líderes e gestores podem aprender com Cannes Lions 2026
- Criatividade continua relevante, mas precisa ser comprovada com resultados reais.
- IA deixou de ser diferencial e está se tornando infraestrutura empresarial.
- Marcas estão assumindo mais protagonismo estratégico.
- Empresas independentes continuam encontrando espaço para competir e inovar.
- Marketing, inovação e crescimento estão mais conectados do que nunca.









